- mell280
24/07/2026 13h52
Conitec abre consulta pública sobre tratamento para insuficiência cardíaca no SUS
Eplerenona reduz efeitos hormonais e favorece a continuidade do tratamento em pacientes com insuficiência cardíaca, uma das principais causas de hospitalização no país¹
A Viatris Inc. (Nasdaq: VTRS), empresa global de saúde, anuncia que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) abriu consulta pública nº 58/2026 para avaliar a inclusão da eplerenona no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes adultos com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (≤40%)². A consulta pública está disponível no site da Conitec (https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/5138/) e as contribuições podem ser registradas até o dia 10 de agosto.
A consulta pública é uma etapa fundamental do processo de incorporação de tecnologias no SUS e permite que pacientes, familiares, profissionais de saúde e cidadãos em geral contribuam com depoimentos e evidências que serão analisados antes da decisão final da Conitec.
A insuficiência cardíaca é uma condição crônica e progressiva em que o coração passa a ter dificuldade de bombear sangue na quantidade necessária para o organismo. Ao longo do tempo, o quadro pode se agravar e causar descompensações (como acúmulo de líquido, falta de ar e cansaço intenso) que frequentemente exigem atendimento médico e podem resultar em internações recorrentes para estabilização do paciente e ajuste do tratamento³.
Globalmente, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte, com cerca de 19,8 milhões de óbitos por ano, número superior ao de muitas doenças amplamente debatidas, como o câncer, responsável por aproximadamente 9,7 milhões de mortes em 2022⁴,⁵. A insuficiência cardíaca é considerada uma “pandemia cardiovascular silenciosa”, afetando mais de 23 milhões de pessoas no mundo.
No Brasil, estima-se que cerca de 2,8 milhões de pessoas vivam com insuficiência cardíaca, com aproximadamente 240 mil novos casos diagnosticados a cada ano⁶. A doença está entre as principais causas de internação no SUS e, apenas em 2022, os custos diretos das internações por insuficiência cardíaca ultrapassaram R$ 450 milhões, evidenciando o impacto expressivo para o sistema público de saúde. ⁷
Desafios do tratamento e a proposta em avaliação
Hoje, apesar de existir tratamento disponível no SUS, uma parcela de pacientes interrompe a terapia por limitações de tolerabilidade e efeitos adversos, o que pode comprometer a continuidade do cuidado e os resultados clínicos. Além disso, dados de registros apontam que muitos pacientes elegíveis sequer chegam a receber a prescrição dessa classe de medicamentos na prática, ampliando a lacuna entre a recomendação clínica e o cuidado real.⁸,⁹
Nesse contexto, a eplerenona surge como uma alternativa para alguns perfis de pacientes com insuficiência cardíaca, especialmente quando o coração apresenta redução da capacidade de bombeamento, inclusive após infarto, quando há disfunção do ventrículo esquerdo, ou em casos crônicos, conforme indicação em bula ¹⁰. Por ser mais seletiva em seu mecanismo de ação, tende a apresentar melhor tolerabilidade e menor ocorrência de efeitos hormonais associados a opções menos seletivas, como aumento das mamas em homens e impactos na vida sexual, o que pode favorecer a permanência no tratamento. Além disso, como outros medicamentos da mesma classe, requer acompanhamento médico e monitoramento de exames, especialmente em relação ao potássio. ¹¹
O medicamento atua bloqueando a aldosterona, um hormônio que, em excesso, pode agravar a retenção de líquidos e a sobrecarga do coração. Esse perfil mais seletivo, com menor interferência em outros hormônios, tende a reduzir efeitos indesejados e contribuir para a continuidade do tratamento quando comparada a opções menos seletivas⁹.
“Na Viatris, acreditamos que ampliar o acesso a terapias baseadas em evidências é essencial para reduzir internações evitáveis e melhorar a qualidade de vida de quem convive com insuficiência cardíaca. A possível incorporação da eplerenona no SUS representa um passo importante para oferecer uma alternativa com melhor tolerabilidade, favorecendo a continuidade do tratamento para os pacientes que enfrentam barreiras com a terapia disponível”, afirma Ana Luiza Petry, Diretora de Assuntos Corporativos e Acesso ao Mercado da Viatris Brasil.
Estudos acompanharam pacientes com insuficiência cardíaca em situações de maior risco, como após infarto e em quadros crônicos com sintomas, avaliando o uso da eplerenona associada ao tratamento padrão. Nesses estudos, como EPHESUS e EMPHASIS-HF, o medicamento foi associado à redução de desfechos relevantes, incluindo mortalidade e hospitalizações por insuficiência cardíaca, indicando benefício clínico consistente¹²,¹³.
A eplerenona é um antagonista seletivo dos receptores de mineralocorticoides, seu uso requer acompanhamento clínico adequado e monitoramento laboratorial de rotina. Para informações completas sobre segurança, posologia, contraindicações e recomendações de monitoramento, consulte a bula. ¹⁴
Referências:
- Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS Tecnologia da Informação a Serviço do SUS. Informações hospitalares do SUS por local de internação
- Brasil. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Consulta pública – orientações gerais. Brasília: MS; 2025.
- McDonagh TA, Metra M, Adamo M, Gardner RS, Baumbach A, Böhm M, et al. 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. Eur Heart J. 2021;
- World Health Organization. Cardiovascular diseases (CVDs). Geneva: WHO; 2025.
- Organização Pan-Americana da Saúde. Carga global de câncer aumenta em meio à crescente necessidade de serviços. OPAS/OMS; 2024.
- Arruda VL de, Machado LMG, Lima JC, Silva PR de S. Tendência da mortalidade por insuficiência cardíaca no Brasil: 1998 a 2019. Rev bras epidemiol. 2022;25:E220021.
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e e Tecnologia. s. d. “Diretrizes metodológicas: análise de impacto orçamentário: manual para o Sistema de Saúde do Brasil.” Acesso em 6 de outubro de 2025.
- DE Albuquerque DC, DE Barros E Silva PGM, Lopes RD, et al. In-hospital management and long-term clinical outcomes and adherence in patients with acute decompensated heart failure: primary results of the first Brazilian registry of heart failure (BREATHE). J Card Fail. 2024;
- DE Albuquerque et al. 2024. Registro brasileiro multicêntrico BREATHE
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Bula do medicamento eplerenona (Inspra®). Brasília: Anvisa; 2025.
- Pitt B, Zannad F. Mineralocorticoid receptor antagonists in heart failure: mechanisms and clinical outcomes. Eur Heart J. 2012;33(22):2782–95.
- Pitt B, Remme W, Zannad F, et al. Eplerenone, a selective aldosterone blocker, in patients with left ventricular dysfunction after myocardial infarction. N Engl J Med. 2003;348(14):1309–21.
- Zannad F, McMurray JJV, Krum H, et al. Eplerenone in patients with systolic heart failure and mild symptoms. N Engl J Med. 2011;364(1):11–21.
- Viatris Farmacêutica do Brasil Ltda. Inspra (eplerenona): bula profissional [Internet]. [local desconhecido]: Viatris; [citado 2026 mar 23]. Disponível em: https://www.viatris.com.br/-/media/project/common/viatriscombr/pdf/leaflets_legacy_myl_brazil/inspra_inscor_04_bula-profissional.pdf
Sobre a Viatris
A Viatris Inc. (Nasdaq: VTRS) é uma empresa global de saúde cuja missão é capacitar pessoas em todo o mundo a viverem de forma mais saudável em todas as fases da vida. Atendemos às necessidades de pacientes ao redor do mundo ao agir de forma decisiva, com engenhosidade e determinação. Seja desenvolvendo novos medicamentos, trabalhando para manter um fornecimento resiliente de terapias essenciais ou buscando inovações ousadas, nos dedicamos a entregar soluções eficazes em escala e construídas para durar.
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