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Com confiança em queda nas instituições, reputação da marca pessoal vira moeda de decisão nos negócios


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  • mell280

24/07/2026 15h49

Com confiança em queda nas instituições, reputação da marca pessoal vira moeda de decisão nos negócios

Nathália Heidorn Jornalista


Pesquisa global aponta retração de confiança em governos, mídia e grandes empresas; especialistas associam o movimento à ascensão de lideranças individuais como fonte de credibilidade no mercado.

O Edelman Trust Barometer 2026, uma das pesquisas mais abrangentes sobre confiança institucional no mundo, mostra que a confiança das pessoas em governos, mídia e grandes corporações segue em queda, dando lugar a um movimento de retração para círculos menores e mais próximos, como família, colegas de trabalho e figuras que as pessoas reconhecem e acompanham diretamente.

Para Renata Genari, especialista em marketing estratégico e marca pessoal na era da IA e fundadora da Affix Comunicação Integrada, o dado confirma algo que já se observa no comportamento de consumo e de decisão de compra: a confiança migrou das instituições para as pessoas. "Vivemos um momento em que as pessoas não confiam mais em instituições, elas confiam em pessoas. Isso vale para política, para religião e vale exatamente da mesma forma para negócios. Quem trata marca pessoal como vaidade está, na prática, abrindo mão de receita", afirma Renata, que acompanhou recentemente um painel “Thought Leadership e Influência: da construção de autoridade à conversão”, durante o CMO Summit 2026.

IA passa a decidir quem é citado como autoridade

Um dos pontos discutidos no painel foi a conexão entre reputação e ferramentas de inteligência artificial. Conteúdos percebidos como referência têm mais chance de serem citados por sistemas como ChatGPT, Perplexity e Gemini, hoje parte da forma como as pessoas pesquisam e validam empresas e profissionais antes de fechar negócio.

Segundo o LinkedIn e Edelman's B2B Thought Leadership Impact Report (2024), 65% dos compradores B2B afirmam que conteúdo de thought leadership melhora significativamente a percepção de marca, e mais da metade dos decisores e executivos C-level consome esse tipo de conteúdo por ao menos uma hora semanal. "O que mudou é que a reputação deixou de ser um ativo intangível para virar vantagem competitiva que aparece no caixa da empresa. Quando um executivo constrói autoridade antes de vender, ele reduz resistência à compra porque a confiança já foi estabelecida antes da primeira conversa comercial", afirma a especialista. 

De acordo com Renata, esse efeito já aparece em pesquisa: 95% dos hidden decision-makers afirmam que, quando uma empresa produz thought leadership de alta qualidade, ficam mais propensos a aceitar abordagens de vendas ou marketing. 

O risco da produção em massa via IA

A especialista chama atenção para um efeito colateral do uso indiscriminado de inteligência artificial na produção de conteúdo: o volume aumenta, mas a diferenciação não acompanha, o que pode enfraquecer justamente a credibilidade que se busca construir. "O mercado está saturado de conteúdo que parece escrito pela mesma pessoa porque foi escrito pela mesma máquina. IA amplia volume, mas não substitui aquilo que realmente gera diferenciação, que é ponto de vista, consistência e voz autêntica", pontua. 

Uma janela que não deve durar muito

Para a especialista, o cenário atual configura uma janela de oportunidade que tende a se estreitar nos próximos anos. Segundo a especialista, executivos e founders que começarem agora a estruturar presença e autoridade de forma consistente estarão mais bem posicionados à medida que ferramentas de IA se tornam intermediárias cada vez mais relevantes entre marcas e consumidores. "Estamos numa fase em que confiança virou o novo diferencial competitivo, tanto para pessoas quanto para máquinas que decidem o que recomendar. Quem entender isso primeiro vai colher a fatia desproporcional do mercado nos próximos anos", conclui Renata Genari.

 



 


 

 




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