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Estudo inédito alerta para ação de neurobots com IA nos ecossistemas digitais de Lula e Flávio Bolsonaro


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  • mell280

25/07/2026 07h30

Estudo inédito alerta para ação de neurobots com IA nos ecossistemas digitais de Lula e Flávio Bolsonaro

MARCELO FONSECA SENISE


Relatório Nacional do IRIA identifica incidência relevante de neurobots nos dois maiores ecossistemas políticos do país e alerta para uma nova fronteira de risco às eleições brasileiras

 

 

 

Uma tecnologia capaz de conversar como seres humanos, adaptar argumentos em tempo real, participar de debates políticos, construir relações de confiança e criar falsas percepções de consenso já está presente nos maiores ecossistemas políticos digitais do Brasil.

O alerta é uma das principais conclusões do Relatório Nacional sobre a Integridade Cognitiva das Eleições Brasileiras, estudo desenvolvido pelo Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA), que investigou a presença de agentes artificiais inteligentes — denominados neurobots — em dois dos mais relevantes ambientes de debate político do país.

Utilizando uma metodologia inédita de análise ecossistêmica, o estudo estimou que 7,6% das contas classificadas nas categorias de maior probabilidade de comportamento artificial estavam presentes no ecossistema digital associado ao senador Flávio Bolsonaro, enquanto 5,5% foram identificadas no ecossistema associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os resultados representam um dos primeiros levantamentos nacionais a medir, de forma sistemática, a incidência desse tipo de comportamento em ambientes políticos brasileiros.

Embora esses percentuais representem uma parcela minoritária do universo analisado, os pesquisadores alertam que o impacto dessas estruturas não está na quantidade de perfis, mas na capacidade de influenciar a percepção coletiva.

Ao contrário dos antigos robôs programados para repetir mensagens, os neurobots utilizam Inteligência Artificial generativa para compreender contexto, adaptar linguagem, responder objeções, estabelecer vínculos de confiança e participar de discussões públicas de maneira extremamente semelhante à interação humana.

Segundo o estudo, essas estruturas conseguem alterar aquilo que a psicologia social denomina sinais sociais — comentários, reações, demonstrações aparentes de apoio e padrões de interação que orientam, muitas vezes de forma inconsciente, a interpretação que cada indivíduo faz do comportamento coletivo.

Na prática, isso significa que um cidadão pode passar a acreditar que determinada opinião representa espontaneamente o pensamento predominante da sociedade quando parte dessa percepção pode estar sendo produzida artificialmente.

"A maior ameaça dos neurobots não é convencer diretamente um eleitor. É fazê-lo acreditar que toda a sociedade já pensa daquela maneira. Poucas forças influenciam tanto o comportamento humano quanto a percepção de consenso.", afirma Marcelo Senise, presidente do IRIA.

Muito além das fake news

O relatório sustenta que limitar o debate sobre Inteligência Artificial ao combate às fake news tornou-se insuficiente.

O verdadeiro desafio passou a ser a manipulação do ambiente cognitivo.

Em vez de convencer diretamente um cidadão, agentes artificiais podem reforçar narrativas, amplificar determinados conteúdos, simular apoio popular, alterar sinais sociais e modificar silenciosamente o ambiente onde milhões de brasileiros constroem diariamente suas convicções políticas.

É justamente a partir dessa constatação que o estudo apresenta um novo conceito ao debate público brasileiro: Integridade Cognitiva.

Segundo o IRIA, proteger eleições já não significa apenas garantir urnas seguras ou combater conteúdos fraudulentos. Significa preservar a autenticidade do ambiente informacional onde cidadãos formam livremente suas opiniões.

"A urna protege o voto. A Integridade Cognitiva protege o processo pelo qual esse voto é construído."

Como o estudo foi realizado

A pesquisa analisou 10.294 comentaristas únicos, distribuídos entre dois dos maiores ecossistemas políticos digitais brasileiros: 5.292 associados ao ecossistema de Flávio Bolsonaro e 5.002 ao ecossistema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A metodologia adotada foi desenvolvida pelo IRIA e baseia-se em análise ecossistêmica, observando padrões coletivos de comportamento digital, sincronização, recorrência, estrutura relacional e características compatíveis com atuação artificial, em vez da análise isolada de perfis individuais.

Toda a infraestrutura tecnológica utilizada na pesquisa foi operada pelas plataformas Sentinela Eleitoral e Polijetro, especializadas em monitoramento de ecossistemas digitais, processamento massivo de dados públicos, organização de interações, análise comportamental e consolidação de indicadores.

As plataformas permitiram processar milhões de registros públicos, eliminar duplicidades, padronizar critérios metodológicos e realizar análises comparativas em larga escala, oferecendo robustez técnica ao estudo. O próprio relatório apresenta o Sentinela Eleitoral como o núcleo tecnológico responsável pela coleta, organização, consolidação e interpretação dos indicadores utilizados durante a pesquisa.

O estudo não aponta responsáveis

O IRIA ressalta que o levantamento não identifica autores, financiadores ou operadores dessas estruturas e não permite atribuir qualquer responsabilidade aos titulares das páginas analisadas, seus partidos, campanhas ou apoiadores.

Da mesma forma, os resultados não indicam que esses agentes artificiais atuem em favor ou contra qualquer ator político específico.

A escolha dos dois ecossistemas ocorreu exclusivamente por critérios científicos, considerando sua elevada relevância pública, alcance e representatividade para validar a metodologia em ambientes distintos e comparáveis.

Um novo desafio para a democracia

Para o IRIA, a Inteligência Artificial inaugura uma nova etapa na proteção da democracia.

Durante décadas, os esforços concentraram-se em garantir a segurança das urnas, combater fraudes eleitorais e assegurar a lisura da votação.

Agora surge um desafio igualmente estratégico: preservar a autenticidade do ambiente informacional onde a vontade popular começa a ser construída.

Segundo o instituto, a principal ameaça já não está apenas na produção de conteúdos falsos, mas na possibilidade de estruturas artificiais influenciarem silenciosamente o contexto em que milhões de pessoas interpretam fatos, formam opiniões e tomam decisões políticas.

Como resume o relatório:

"A maior ameaça dos neurobots não é fazer um cidadão mudar de opinião. É fazê-lo acreditar que a opinião da sociedade mudou."

Um alerta para o futuro

Para os pesquisadores, o estudo representa o início de uma nova agenda de pesquisa sobre democracia e Inteligência Artificial no Brasil.

A recomendação é que universidades, plataformas digitais, Justiça Eleitoral, órgãos reguladores, empresas de tecnologia e sociedade civil passem a tratar a Integridade Cognitiva como um patrimônio democrático a ser protegido.

Afinal, a confiança nas eleições não depende apenas da segurança das urnas.

Depende também da confiança de que cada cidadão construiu sua própria convicção em um ambiente livre de manipulações artificiais invisíveis.

Como conclui Marcelo Senise:

"Pela primeira vez, a democracia brasileira não enfrenta apenas a disputa entre ideias, partidos ou candidatos. Enfrenta também a possibilidade de que parte dessa disputa esteja sendo travada por inteligências artificiais capazes de influenciar, silenciosamente, a percepção coletiva de milhões de cidadãos. O grande desafio das eleições do século XXI talvez não seja apenas proteger as urnas, mas proteger o ambiente onde cada voto começa a ser construído: a mente humana."

SOBRE O ESTUDO

O Relatório Nacional sobre a Integridade Cognitiva das Eleições Brasileiras é uma pesquisa inédita desenvolvida pelo IRIA – Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial, dedicada à análise dos impactos da Inteligência Artificial sobre a formação da opinião pública e sobre a integridade dos ecossistemas digitais utilizados durante o processo eleitoral brasileiro.

O estudo empregou metodologia própria de análise ecossistêmica, combinando inteligência competitiva, análise comportamental, social listening, mineração de dados e modelos avançados de Inteligência Artificial para identificar padrões compatíveis com a atuação de agentes artificiais em ambientes digitais de grande relevância política.

Toda a infraestrutura tecnológica da pesquisa foi operada por meio das plataformas Sentinela Eleitoral e Polijetro, desenvolvidas para monitoramento de ecossistemas digitais, processamento massivo de dados públicos, organização de interações e consolidação de indicadores estratégicos. Essa infraestrutura permitiu analisar milhares de perfis e milhões de registros públicos, conferindo robustez técnica e metodológica aos resultados apresentados.

Além de apresentar evidências inéditas sobre a presença de agentes artificiais em importantes ecossistemas políticos brasileiros, o relatório introduz o conceito de Integridade Cognitiva, propondo uma nova abordagem para a proteção da democracia na era da Inteligência Artificial.


ATENDIMENTO À IMPRENSA

O IRIA coloca sua equipe técnica à disposição dos veículos de comunicação para entrevistas, esclarecimentos sobre a metodologia empregada, detalhamento dos resultados da pesquisa e debates sobre os impactos da Inteligência Artificial na comunicação política e no processo democrático.

O Relatório Nacional sobre a Integridade Cognitiva das Eleições Brasileiras poderá ser encaminhado integralmente a jornalistas, redações, universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e demais instituições interessadas, mediante solicitação.

Porta-vozes disponíveis para entrevistas:

Marcelo Senise
Presidente do IRIA, sociólogo, estrategista político, pesquisador em Inteligência Artificial aplicada à comunicação política e coordenador-geral do estudo.

Filipe Wesley
Coordenador técnico da pesquisa, especialista em análise de dados, monitoramento digital e inteligência computacional.

Gisele Meter

Pisicologa Comportamental, estrategista politica e autora da obra Voto Inconsiente

Outros integrantes da equipe técnica poderão participar das entrevistas conforme a natureza da pauta.


CONTATO PARA IMPRENSA

Os resultados apresentados não atribuem responsabilidade a candidatos, partidos, campanhas, plataformas ou quaisquer pessoas físicas ou jurídicas, tampouco identificam autores, financiadores ou operadores das estruturas analisadas. O objetivo da pesquisa é contribuir para o avanço do conhecimento sobre os impactos da Inteligência Artificial na formação da opinião pública e estimular um debate qualificado sobre a proteção da Integridade Cognitiva como um dos pilares da democracia contemporânea.