03/08/2026 07h23
Agosto Branco: as 5 perguntas que todo paciente deveria fazer depois do diagnóstico de câncer de pulmão
No Agosto Branco, o paliativista Dr. Rodolfo Moraes, de Franca (SP), explica por que a consulta pós-diagnóstico é decisiva e quais perguntas ninguém deveria deixar de fazer nela.
Luciana Faro
O câncer de pulmão é hoje a principal causa de casos e mortes por câncer no mundo. Foram 2,5 milhões de novos casos e 1,8 milhão de mortes em 2022, segundo a IARC/OMS. Boa parte disso causada pelo tabagismo (60% a 70% dos casos), seguido por poluição do ar e exposição ocupacional.
Segundo o médico paliativista Dr. Rodolfo Moraes, o Agosto Branco não pode se resumir à prevenção. É preciso também ensinar a população a reconhecer os sinais da doença, buscar o diagnóstico precoce e entender que o cuidado ao paciente começa muito antes da fase avançada.
Para o especialista, a primeira consulta após o diagnóstico é o momento mais importante do tratamento. É nela que o paciente começa a entender o que está acontecendo e quais caminhos tem pela frente.
Receber o diagnóstico de um câncer de pulmão costuma provocar um choque. Medo, ansiedade e dúvidas aparecem ao mesmo tempo, e não é raro o paciente sair do consultório sem conseguir absorver todas as informações.
Segundo o Dr. Rodolfo Moraes, autor do livro O Erro é Chamar de Fim, informação também faz parte do tratamento. "É natural que o paciente fique emocionalmente abalado. Por isso sempre orientamos que vá acompanhado de um familiar ou alguém de confiança, e que leve as dúvidas anotadas antes da consulta. Quanto mais informação ele tiver, mais preparado estará para participar das decisões sobre o próprio tratamento", explica.
O médico também chama atenção para um dos maiores equívocos sobre cuidados paliativos: a ideia de que eles só entram quando não há mais tratamento possível. Na prática, podem começar desde o diagnóstico, ajudando no controle dos sintomas, no suporte emocional e na qualidade de vida ao longo de toda a jornada. Os desejos do paciente devem ser respeitados pela equipe médica e conversados com clareza junto à família.
As 5 perguntas que fazem diferença na consulta
1. Qual é exatamente o meu diagnóstico e em que estágio está a doença?
Entender o estágio ajuda o paciente a compreender quais tratamentos são indicados e o que esperar dali para frente. Se algum termo parecer complicado, vale pedir uma explicação mais simples.
2. Quais são as opções de tratamento, e quais os benefícios e riscos de cada uma?
Cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo podem entrar no plano, dependendo do caso. É importante entender como cada uma funciona, os efeitos colaterais possíveis e os resultados esperados.
3. O que posso fazer para manter minha qualidade de vida durante o tratamento?
O tratamento não se resume a combater o tumor. Controlar dor, falta de ar, cansaço, ansiedade e alterações no sono também faz parte do cuidado. Alimentação adequada, atividade física quando liberada, apoio psicológico e acompanhamento multiprofissional fazem diferença.
4. Quando os cuidados paliativos podem entrar no meu tratamento?
Uma das dúvidas mais comuns. Segundo o especialista, cuidados paliativos não substituem o tratamento contra o câncer — eles caminham junto com as terapias oncológicas para aliviar sintomas e dar suporte ao paciente e à família desde as fases iniciais da doença.
5. Quais sinais indicam que preciso procurar ajuda imediatamente?
Falta de ar intensa, febre, tosse persistente ou com sangue, dor no peito, rouquidão, perda de peso ou piora importante do estado geral. Reconhecer esses sinais cedo pode evitar complicações e garantir atendimento no momento certo.
Informação também é cuidado
Para o Dr. Rodolfo Moraes, campanhas como o Agosto Branco vão além de falar sobre prevenção, elas mostram que ninguém precisa enfrentar um diagnóstico de câncer sem orientação.
"Receber um diagnóstico de câncer muda a vida de qualquer pessoa. O paciente precisa saber que não está sozinho. Hoje existem recursos para aliviar sintomas e desconfortos. É preciso apoiar a família e, acima de tudo, preservar a qualidade de vida durante todo o tratamento. Cuidar vai muito além de combater a doença", afirma.
Sobre o Dr. Rodolfo Moraes
Médico paliativista, atua no Hospital São Joaquim, na Santa Casa e no Hospital do Câncer de Franca (SP). É autor do livro O Erro é Chamar de Fim, mentor de médicos na área de cuidados paliativos e desenvolve iniciativas de divulgação científica e conscientização sobre cuidados paliativos no Brasil.
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