11/08/2026 06h50
Clima nos EUA mantém soja em alerta e milho segue pressionado pela oferta no Brasil
O mercado de grãos inicia a semana sob influência do clima nos Estados Unidos e do comportamento das exportações brasileiras. A expectativa em torno do próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mantém investidores atentos, especialmente no mercado de soja, enquanto o milho ainda sente os efeitos da entrada da segunda safra no Brasil.
De acordo com a Biond Agro, cerca de 62% das lavouras americanas de soja já estão em formação de vagens, fase em que temperatura e disponibilidade de água passam a ter impacto direto sobre a produtividade. Embora não haja confirmação de quebra de safra, qualquer mudança nos mapas climáticos tende a provocar reação imediata nas cotações em Chicago.
Soja continua sensível ao clima
A soja devolveu parte dos ganhos registrados nas últimas semanas após previsões de melhora das chuvas no cinturão produtor dos Estados Unidos. O movimento reduziu o prêmio climático incorporado às cotações, mas o mercado permanece cauteloso.
“Hoje o mercado trabalha muito mais com risco climático do que com perda produtiva confirmada. Enquanto as previsões indicarem boas chuvas, Chicago tende a encontrar dificuldade para sustentar altas mais fortes”, afirma a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Isabella Pliego.
Segundo ela, a demanda continua sendo um fator relevante de sustentação, especialmente com a retomada das compras chinesas de soja nova americana. “A China voltou ao mercado e isso ajuda a manter um piso para os preços, mesmo em um ambiente de maior oferta global”, acrescenta.
Exportações limitam reação do milho
No Brasil, o milho segue pressionado pela grande oferta da segunda safra. A colheita mais atrasada em algumas regiões distribui a entrada do produto ao longo de mais semanas, mas ainda não foi suficiente para alterar o quadro de preços.
De acordo com a Biond, o principal limitador para uma recuperação mais consistente continua sendo o desempenho das exportações, já que Argentina e Estados Unidos aparecem mais competitivos no mercado internacional.
“A demanda interna ajuda a absorver parte da oferta, principalmente pelo crescimento do consumo de milho para etanol no Centro-Oeste, mas isso ainda não é suficiente para provocar uma recuperação mais firme dos preços”, diz Isabella.
Câmbio ganha importância nas decisões do produtor
Além do mercado internacional, o câmbio voltou a ganhar peso na formação de preços no Brasil. A Biond avalia que o dólar segue sustentado pelo ambiente fiscal doméstico e pela proximidade do calendário eleitoral, enquanto juros elevados e fluxo de exportações ainda oferecem suporte ao real.
“Um dólar mais firme pode compensar parte de uma queda internacional e sustentar o preço em reais. Por isso, o produtor precisa acompanhar o câmbio com a mesma atenção dedicada a Chicago”, conclui a analista.
Na avaliação da assessoria, o cenário para as próximas semanas continua marcado por volatilidade, com o clima nos Estados Unidos, o ritmo das exportações brasileiras e o comportamento do dólar permanecendo como os principais fatores de influência sobre soja e milho.
Sobre a Biond Agro
Empresa especializada em gestão e comercialização de grãos para o produtor brasileiro, originária de um grupo de companhias com 25 anos de experiência (Fyo, CRESUD e Brasil Agro). Compreendendo os números e especificidades do negócio e como interagir com os mercados. A Biond Agro desenha estratégias de comercialização e execução de negócios, profissionalizando a gestão de riscos para tornar o agronegócio sustentável no longo prazo. Saiba mais em https://www.biondagro.com/




