11/08/2026 12h00
Esportes de quadra ganham espaço no lazer e aproximam pais e filhos
Crescimento de modalidades como beach tennis, padel e tênis amplia o uso de quadras para além da competição e reforça espaços esportivos como ambientes de convivência, lazer e prática compartilhada entre diferentes gerações
O esporte praticado em quadras começa a ocupar uma função que vai além do treinamento ou da competição. Modalidades como tênis, beach tennis, futebol society, basquete e padel vêm encontrando espaço na rotina de famílias que enxergam a atividade física também como oportunidade de convivência entre pais e filhos.
O movimento ocorre paralelamente à expansão de algumas dessas modalidades no Brasil. Levantamento publicado pelo Globo, por exemplo, aponta que o beach tennis já reúne mais de 1 milhão de praticantes no país. A Confederação Brasileira de Tênis também relata crescimento consistente do tênis em indicadores como quantidade de praticantes, atletas federados, clubes e torneios.
No padel, a expansão também chama atenção. O FIP World Padel Report 2025, da Federação Internacional de Padel, aponta mais de 35 milhões de praticantes da modalidade em todo o mundo e 77,3 mil quadras distribuídas por cerca de 150 países e 20 territórios.
Quadras passam a cumprir papel de espaço de convivência
Parte do apelo dessas modalidades está na possibilidade de adaptar a prática a diferentes níveis de experiência. Em vez de exigir que todos os participantes tenham o mesmo desempenho esportivo, partidas recreativas permitem ajustar ritmo, duração e regras à idade e à habilidade de cada pessoa.
Esse formato abre espaço para encontros entre gerações. Pais podem iniciar os filhos em uma modalidade que já praticam, enquanto crianças e adolescentes também podem apresentar aos adultos esportes que ganharam popularidade recentemente.
“Quando diferentes gerações começam a dividir a mesma quadra, o espaço esportivo deixa de ter apenas uma função competitiva. Ele passa a fazer parte do lazer da família e e cria uma forte conexão entre as pessoas, fazendo-as estarem juntas e fugindo da rotina muitas vezes marcada por atividades individuais”, afirma Charles Costa, Projetista Sênior da Novvalight.
A valorização do esporte como ambiente de socialização também aparece nas políticas públicas. Em 2025, o Ministério do Esporte anunciou uma nova etapa de investimentos em Centros Esportivos Comunitários, descrevendo essas estruturas como espaços destinados tanto à prática esportiva quanto à convivência da população.
Crescimento das modalidades muda demanda por estruturas esportivas
A diversificação da prática também influencia a configuração de clubes, condomínios, academias, escolas e centros recreativos. Quadras que antes eram associadas principalmente a treinamentos, campeonatos ou horários específicos passaram a receber usuários com diferentes objetivos, incluindo partidas recreativas e encontros familiares.
Esse aumento da utilização traz atenção para aspectos de infraestrutura, como pisos, redes, proteção lateral e iluminação quadra esportiva, especialmente quando o espaço é utilizado no período noturno. A distribuição adequada da luz interfere na visibilidade da bola, na percepção dos movimentos e no conforto visual de quem está em quadra.
“Um espaço esportivo utilizado por públicos diferentes precisa ser pensado também pela perspectiva de quem pratica por lazer. Não estamos falando somente de atletas de alto rendimento. Há crianças, adultos, pessoas iniciantes e famílias utilizando a mesma estrutura, muitas vezes em horários distintos”, diz Charles Costa.
Formatos de jogo facilitam a participação de diferentes gerações
Modalidades praticadas em quadras têm uma característica que favorece o uso recreativo: muitas delas permitem adaptações de ritmo, duração e formato de partida. No tênis e padel, por exemplo, jogos em duplas reduzem a exigência individual e tornam a atividade mais acessível para participantes com diferentes níveis de preparo e experiência.
A flexibilidade ajuda a explicar por que esses esportes conseguem ocupar também momentos de lazer, e não apenas treinos e competições. Em uma mesma quadra, adultos, crianças e adolescentes podem participar de partidas recreativas com ajustes simples nas regras, no tempo de jogo ou na intensidade.



