11/08/2026 16h13
PM rodoviário e jovem são presos com droga avaliada em R$ 101 mil
Luiz Rhuan Horiguchi estaria fazendo corrida por aplicativo e skunk estava com passageira
Por Ana Paula Chuva
Um soldado da PMR (Polícia Militar Rodoviária de Mato Grosso do Sul), de 27 anos, e uma estudante, de 19 anos, foram presos em flagrante por tráfico de drogas na tarde de segunda-feira (10), na rodovia MS-164, próximo ao distrito de Vista Alegre, em Maracaju, a 159 quilômetros de Campo Grande. A ação foi realizada por equipes do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) durante a Operação Protetor.
De acordo com o boletim de ocorrência, a abordagem aconteceu por volta das 17h30, quando os policiais pararam o veículo Honda CR-V prata. O carro era conduzido pelo policial militar, Luiz Rhuan Horiguchi que alegou estar retornando de Ponta Porã para Campo Grande, onde reside. À equipe, ele afirmou ter ido à fronteira apenas para comprar uma bicicleta elétrica.
No veículo também viajavam dois passageiros. O condutor disse que não os conhecia e que realizava uma corrida combinada por aplicativo. Durante a entrevista, os policiais notaram nervosismo de Ingra Laylla Machado de Medeiros, 19 anos, moradora de Belo Horizonte (MG), que não soube detalhar quanto tempo havia permanecido na região de fronteira.
Em vistoria no automóvel, os agentes encontraram 14 pacotes de skunk, totalizando 4,1 kg da droga, guardados na mochila da passageira. O prejuízo ao crime foi estimado em R$ 101,3 mil.
À polícia, Layla admitiu que sabia da existência do entorpecente e relatou ter aceitado transportar a droga de Ponta Porã até Belo Horizonte por R$ 3 mil, após ter sido convidada por uma amiga para viajar e ficar sem dinheiro para retornar. Ela afirmou que o motorista não sabia do conteúdo ilícito.
No entanto, os policiais do DOF relataram que, antes do achado da droga, o condutor havia afirmado ter vistoriado as bagagens de todos os passageiros antes do embarque. Questionado novamente após a apreensão, o PM optou por permanecer em silêncio.
Em depoimento na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira), em Dourados, o policial militar mudou a versão e negou ter feito uma revista completa, alegando ter apenas "apertado" a mala. Ele reiterou que usava uma plataforma para oferecer caronas e que não tinha conhecimento da droga.
O outro passageiro do veículo, um estudante de 23 anos, teve os pertences vistoriados, nada de ilícito foi encontrado e ele foi ouvido como testemunha.
A Polícia Civil ratificou a prisão em flagrante de ambos. O delegado responsável representou pela conversão da prisão em flagrante de Ingra em preventiva, citando a logística interestadual e a quantidade de droga. Mas deixou de pedir a do PM, deixando a decisão por conta do Poder Judiciário.
O despacho levou em consideração a ausência de elementos concretos de risco à ordem pública ou de tentativa de obstrução da Justiça, destacando que ele possui endereço fixo, vínculo funcional ativo e entregou voluntariamente o celular pessoal com a senha para perícia.
Por se tratar de um integrante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, a corporação comunicou o escalão superior, e um oficial da Polícia Militar Rodoviária acompanhou os procedimentos na delegacia. O caso segue sob investigação para identificar outros envolvidos na remessa do entorpecente.
Em nota ao Campo Grande News, a PM reafirmou que a corporação não tolera desvios de conduta e atua de forma intransigente na fiscalização, preservando a honra dos homens e mulheres que dedicam suas vidas à proteção da sociedade.
"Após as providências necessárias, o envolvido foi imediatamente encaminhado ao Presídio Militar Estadual. Medidas disciplinares estão em andamento para a apuração integral dos fatos e responsabilização do investigado, assegurando o devido processo legal", diz a nota.
Reafirmamos a premissa de que nenhum comportamento individual atinge a honra do efetivo que atua diariamente nas ruas para proteger a população.




