24/08/2026 09h42
Treinamento corporativo no Brasil chega a 26 horas por funcionário, mas aplicação é medida em 11% dos projetos
Treinamento corporativo no Brasil chega a 26 horas por funcionário, mas aplicação é medida em 11% dos projetos
Pesquisa com 443 organizações mostra concentração em avaliações de reação e aprendizagem; relatório da McKinsey aponta diferença entre as respostas de profissionais de RH e trabalhadores
Entre as 443 organizações participantes do Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026, a média registrada foi de 26 horas de treinamento por funcionário ao ano. A aplicação do conteúdo no trabalho, porém, foi avaliada em apenas 11% dos projetos.
O levantamento da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) reuniu empresas de diferentes portes e setores. O investimento médio em Treinamento e Desenvolvimento (T&D) foi de R$ 1.199 por funcionário ao ano.
A pesquisa mostra que 71% dos projetos verificam a reação dos participantes e 38% avaliam o aprendizado. O impacto no negócio é medido em 3% das iniciativas, enquanto o retorno sobre o investimento aparece em 1%.
Aplicação prática permanece pouco acompanhada
Os resultados mostram que as avaliações se concentram na recepção imediata e na assimilação do conteúdo. A carga horária, a presença e a conclusão ajudam a dimensionar a operação, mas não demonstram isoladamente se o profissional incorporou o conhecimento à rotina.
“Disponibilizar um curso não significa que o aprendizado aconteceu. A empresa precisa acompanhar não só a reação imediata, mas se o colaborador conseguiu aplicar o conteúdo na rotina. Sem esse segundo olhar, o RH mede presença e conclusão, mas não necessariamente desenvolvimento”, afirma Jackson Rovina, CEO da Twygo, empresa de tecnologia para aprendizagem corporativa.
A dificuldade também aparece no Benchmarking do T&D no Brasil 2026, realizado pela empresa com mais de 270 profissionais da área. Entre os participantes, 29% colocaram a mensuração de resultados entre os principais obstáculos da aprendizagem corporativa.
O baixo engajamento foi o desafio mais citado, com 57% das respostas. No levantamento, cada participante podia selecionar até três dificuldades.
Segundo Rovina, a avaliação precisa ser planejada antes da realização do treinamento. A empresa deve definir qual resultado pretende alcançar e o que o profissional precisa conseguir fazer após a capacitação.
A reação imediata mostra como o conteúdo foi recebido. A avaliação posterior verifica se o conhecimento teve utilidade prática e provocou alguma mudança na execução do trabalho.
RH e trabalhadores relatam volumes diferentes
Uma diferença entre as respostas de profissionais de RH e trabalhadores aparece no HR Monitor 2026, da McKinsey.
Os funcionários entrevistados relataram média de 3,4 dias de treinamento no período de um ano. Os profissionais de RH estimaram 6,2 dias, quase o dobro do volume informado pelos trabalhadores.
A pesquisa também identificou que 24% dos funcionários não participaram de nenhum treinamento nos 12 meses anteriores. Para o cálculo, o estudo considerou oito horas como um dia completo de capacitação.
O levantamento foi realizado em janeiro de 2026 com 5.501 funcionários e 1.303 profissionais de RH. A amostra incluiu Bélgica, China, França, Alemanha, Itália, Holanda, Polônia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. O Brasil não participou da pesquisa.
Os dados da McKinsey e da ABTD não permitem uma comparação estatística direta. O estudo internacional reúne respostas de dois grupos distintos, enquanto a pesquisa brasileira utiliza informações fornecidas pelas organizações participantes.
Os levantamentos revelam dimensões complementares do problema. Na amostra internacional, profissionais de RH e trabalhadores relatam volumes diferentes de capacitação. No Brasil, as empresas registram horas e investimentos, mas acompanham a aplicação prática do conteúdo em uma parcela reduzida dos projetos.
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