- mell280
25/08/2026 09h00
Walkability e uso misto ganham peso na decisão de compra de imóveis urbanos
Pesquisa da Brain mostra que 49% dos brasileiros pretendem comprar imóvel, mas só 9% efetivaram a compra nos últimos 12 meses
A decisão de compra de imóveis nas grandes cidades está cada vez mais ligada à praticidade da rotina. É o que indicam os dados mais recentes da BRAIN | Intenção de compra 1T26: 49% dos brasileiros declaram intenção de adquirir um imóvel nos próximos meses, mas apenas 9% efetivamente compraram nos últimos 12 meses. O descompasso revela um mercado mais seletivo, em que localização, mobilidade e acesso a serviços no entorno passaram a ter peso maior no funil de conversão.
Na prática, isso significa que projetos inseridos em áreas urbanas com boa oferta de comércio, trabalho, lazer e conveniência tendem a dialogar melhor com o comportamento do comprador contemporâneo. O conceito se aproxima do debate sobre “cidades de 15 minutos”, que defende deslocamentos mais curtos e bairros de uso misto, com moradia e serviços mais próximos da vida cotidiana.
A pesquisa da Brain também mostra que a intenção de compra segue alta mesmo em um cenário econômico desafiador. Ao mesmo tempo, 35% dos interessados ainda não iniciaram a jornada, 9% pesquisam imóveis online e 5% visitam unidades presencialmente. Para o setor, isso reforça que a conversão depende não apenas de crédito e capacidade de pagamento, mas também da aderência do produto ao momento de vida e às expectativas de quem compra.
Em Porto Alegre, o Trend Downtown, desenvolvido em parceria entre Vanguard, Maiojama e o fundo Phorbis, é um exemplo de empreendimento alinhado a essa lógica de centralidade urbana. O projeto reúne mall, espaços residenciais e torre office em uma proposta multiuso voltada a conveniência e mobilidade na região central da capital gaúcha. A proposta aparece associada à integração entre moradia, trabalho e serviços, com ênfase em praticidade e rotina mais eficiente.
No debate urbanístico brasileiro, esse movimento vem sendo associado à valorização de bairros mais completos e à busca por cotidianos menos fragmentados — uma tendência que aproxima mobilidade, qualidade de vida e mercado imobiliário. Em um mercado com intenção de compra elevada, mas conversão mais difícil, empreendimentos que conseguem unir localização, serviços e rotina prática tendem a sair na frente na percepção do público.



