- mell280
01/09/2026 13h00
Expansão das Instituições Financeiras Digitais aumentou o PIB brasileiro em R$ 1,6 trilhão entre 2016 e 2026
Estudo do Reglab encomendado pela Zetta mostra que os bancos digitais impulsionaram a economia do país por meio da maior concorrência bancária e da redução de custos, o que elevou o consumo das famílias
São Paulo, agosto de 2026 – A ascensão das Instituições Financeiras Digitais (IFDs) transformou a estrutura do setor bancário e se consolidou como um vetor de crescimento macroeconômico no Brasil. Um estudo produzido pelo Reglab, centro de pesquisa especializado no setor de mídia e tecnologia, encomendado pela Zetta, revela que a expansão dessas instituições foi responsável por um diferencial acumulado de aproximadamente R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro (a preços de 2026) entre os anos de 2016 e o primeiro trimestre de 2026. O montante gerado equivale ao PIB anual de países como o Chile ou a Colômbia.
Para mensurar o real impacto da digitalização financeira à economia, o Reglab utilizou um Modelo Dinâmico Estocástico de Equilíbrio Geral (DSGE na sigla em inglês), ferramenta amplamente utilizada por Bancos Centrais. A análise foi alimentada com dados históricos brasileiros para projetar um cenário contrafactual – ou seja, simulou um cenário no qual os bancos digitais não existiam. A comparação do Brasil com bancos digitais com o Brasil contrafactual (sem os bancos digitais) revela o efeito dessas instituições.
"Os avanços dos últimos dez anos são resultado de escolhas regulatórias que apostaram na inovação e competição, como o Pix, o Open Finance e portabilidades.O estudo mostra que o ganho desta agenda não ficou restrito a quem migrou para instituições digitais. A concorrência gerou efeito direto em tarifas e juros no sistema inteiro. São evidências relevantes ao olharmos para o futuro do setor”, destaca Eduardo Lopes, presidente da Zetta e um dos moderadores do Zetta Summit, evento em Brasília (DF) que lançou o estudo.
A análise apontou que, sem a atuação das instituições digitais no Brasil, o PIB do primeiro trimestre de 2026 seria cerca de 2,2% menor em termos reais. Os dados do estudo mostram ainda que os ganhos de eficiência da economia impactaram diretamente o orçamento das famílias e a atividade produtiva:
- Consumo das famílias: gerou um diferencial acumulado de R$ 982 bilhões no período;
- Investimento agregado: seria cerca de R$ 371 bilhões menor em um cenário sem a presença das IFDs;
- Economia com juros: cidadãos e empresas economizaram R$ 102 bilhões acumulados no crédito livre;
- Economia com tarifas bancárias: totalizou R$ 47 bilhões acumulados.
Pressão competitiva e benefício amplo
A pesquisa do Reglab identificou que o principal motor desses ganhos macroeconômicos foi o aumento da concorrência no setor, historicamente muito concentrado em poucos grandes bancos. A pressão exercida pela entrada das IFDs forçou as instituições tradicionais a reduzirem suas margens e custos transacionais.
"Um ponto relevante do estudo é a percepção de que o efeito positivo sobre o PIB gerado pelas (IFDs) não se explica somente pela migração de clientes para o digital. Ele se explica pela reação competitiva no segmento bancário tradicional, com revisão de tarifas, margens e taxas de juros, com benefício na ponta, para as famílias e para as empresas. Isso significa que políticas pró-competição no setor financeiro não são apenas uma pauta setorial, mas algo com importantes implicações macroeconômicas”, destaca Ricardo Barboza, economista-chefe da Zetta.
“Não é coincidência”, complementa Ricardo Barboza, “que o período pós-2020, marcado pela forte expansão das IFDs, também tenha sido de crescimento do PIB acima das expectativas do consenso de mercado em todos os anos entre 2021 e 2026. A maior competição no sistema financeiro contribuiu para o crescimento da economia, um efeito que, até aqui, estava fora do radar de grande parte dos analistas.”
O diretor-executivo do Reglab, Pedro Henrique Ramos, reforça que a digitalização financeira tem um efeito estrutural. “É uma transformação que não aparece apenas como substituição de agências por aplicativos nem como simples conveniência para consumidores. Ao aumentar a eficiência do sistema financeiro, ampliar alternativas de crédito a pessoas e empresas, e pressionar margens bancárias, as IFDs influenciaram o consumo das famílias e o investimento por parte das empresas”, explica.
Evidência para políticas públicas
O resultado da pesquisa desloca o debate sobre a digitalização financeira do campo puramente tecnológico para o de política econômica.
Os resultados indicam que agendas de estímulo à competitividade — tais como o estímulo à entrada de instituições no sistema financeiro, o avanço do Open Finance, a criação e o desenvolvimento do Pix, e as portabilidades de crédito, dados e salários — atuam como potentes instrumentos de bem-estar social e crescimento econômico.
Os dados do estudo revelam uma mudança estrutural no sistema financeiro brasileiro. A concentração de mercado passou a cair de forma consistente a partir de 2017, período em que começou a expansão das instituições financeiras digitais. E a desconcentração não ficou restrita aos ativos. O mesmo movimento aparece em praticamente todas as principais dimensões do sistema bancário: carteira de crédito, captações, passivos e patrimônio líquido. Ou seja, novos competidores não apenas conquistaram clientes, mas passaram a disputar efetivamente crédito, depósitos, funding e capital com as instituições tradicionais. A abrangência e a persistência desse movimento mostram que a ascensão das instituições financeiras digitais coincidiu com uma transformação profunda da estrutura competitiva do sistema financeiro brasileiro.
O cenário atual também inaugurou uma nova fase no ambiente regulatório do país. “Novos competidores digitais puderam se desenvolver com espaço para contestação, inovação e redução de custo. O desafio daqui para frente é desenhar regras capazes de preservar os ganhos econômicos e sociais da competição digital, sem ignorar os riscos que surgem quando crédito, pagamentos, dados e decisões automatizadas passam a operar em escala e velocidade maiores”, explica Pedro Henrique Ramos.
Sobre a Zetta
A Zetta é uma associação sem fins lucrativos, fundada por empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros digitais. A Zetta tem hoje 35 associadas que trabalham com o objetivo de garantir um ambiente econômico competitivo que resulte em maior inclusão financeira, inovação e satisfação dos consumidores nacionais de serviços financeiros e de pagamentos, por meio de propostas regulatórias, políticas públicas e desenvolvimento de pesquisa. Para mais informações, acesse: https://somoszetta.org.br/
Sobre o Reglab
Lançado em setembro de 2024, o Reglab é um centro de pesquisas que tem como objetivo apontar tendências e ajudar o desenvolvimento dos setores de tecnologia e mídia. É o primeiro centro de pesquisas privado do Brasil a usar uma tabela de transparência de dados para outros pesquisadores poderem confirmar a credibilidade dos estudos.


