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No Dia do Profissional de Educação Física, professor Marcelo Miranda destaca trajetória na luta pela regulamentação da profissão


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01/09/2026 16h23

No Dia do Profissional de Educação Física, professor Marcelo Miranda destaca trajetória na luta pela regulamentação da profissão

assessoria


 

Professor, técnico, pesquisador e dirigente, Marcelo participou do processo de regulamentação da profissão nos anos 1990 e ajudou a estruturar o Sistema CONFEF/CREFs em Mato Grosso do Sul

 

O 1º de setembro marca, no Brasil, o Dia do Profissional de Educação Física. A data foi instituída pela Lei Federal nº 11.342/2006 e faz referência ao processo de regulamentação da profissão, que ganhou um marco decisivo em 1º de setembro de 1998, com a entrada em vigor da Lei nº 9.696/1998.

 

Para o professor Marcelo Miranda, a data tem um significado que vai além da homenagem à categoria. Sua própria trajetória profissional está ligada a alguns dos principais capítulos da história da Educação Física em Mato Grosso do Sul.

 

Graduado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), especialista em Treinamento Desportivo pela PUC Minas e mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo construiu uma carreira que passou pela escola, pela universidade, pelo esporte de alto rendimento, pela pesquisa e pela representação profissional.

 

“Eu escolhi a Educação Física porque acreditava que o esporte e a atividade física tinham um papel muito maior do que simplesmente ensinar uma modalidade ou melhorar o condicionamento físico. Eles têm uma função educativa, social e de promoção da saúde”, afirma.

 

Professor antes de ser gestor

 

A sala de aula foi uma das primeiras frentes dessa trajetória. Marcelo atuou como professor no Colégio Dom Bosco e também no ensino superior, passando pela UFMS e pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).

 

Na universidade, participou da implantação do primeiro curso de bacharelado em Educação Física do estado, na UCDB, e esteve ligado à criação do Laboratório de Avaliação Física (LAF), iniciativa que aproximou a formação acadêmica da avaliação e do acompanhamento de atletas e praticantes de atividade física.

 

O trabalho do laboratório envolvia avaliações físicas e produção de informações que poderiam ser utilizadas tanto no treinamento esportivo quanto na orientação para a prática de exercícios. Em 2011, por exemplo, o LAF realizou avaliações de atletas das equipes de vôlei, futsal, basquete e handebol da UCDB, com testes de postura, força, flexibilidade, composição corporal, agilidade, velocidade e resistência.

 

Para Marcelo, a experiência acadêmica foi fundamental para compreender que a Educação Física precisava estar apoiada em conhecimento científico.

 

“Quando você trabalha com pessoas, não pode trabalhar apenas com aquilo que acha. É preciso estudar, avaliar, pesquisar e buscar conhecimento. A Educação Física evoluiu muito justamente quando passou a ser tratada como uma profissão que exige formação e responsabilidade”, explica.

 

Na luta pela regulamentação

 

Foi também na década de 1990 que Marcelo passou a participar de uma das principais mobilizações da categoria: a regulamentação da profissão.

 

O movimento culminou na aprovação da Lei nº 9.696, em 1998, que regulamentou a profissão de Educação Física e criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Educação Física.

 

Marcelo integrou o grupo pioneiro que participou da estruturação do Sistema CONFEF/CREFs. No Mato Grosso do Sul, seu registro profissional é o CREF 000002-G/MS, um dos primeiros do estado.

 

Na estruturação do conselho regional, Marcelo integrou a primeira composição de conselheiros do CREF11/MS e ocupou o cargo de 2º vice-presidente da primeira diretoria da entidade. O CREF11/MS foi instalado como regional em 2002, depois da transformação da antiga seccional que atendia Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

 

A participação não terminou com a criação dos conselhos. Marcelo permaneceu por mais de duas décadas ligado ao Sistema CONFEF/CREFs, chegando a ocupar funções no Conselho Federal.

 

“Regulamentar a profissão foi uma luta por reconhecimento, mas principalmente por responsabilidade. Quando você estabelece quem pode exercer determinada atividade e quais são os deveres desse profissional, você está protegendo também a sociedade”, afirma.

 

Do handebol à gestão esportiva

 

Paralelamente à carreira acadêmica, Marcelo manteve uma relação direta com o esporte. Foi atleta e técnico de handebol e, em 1989, comandou a seleção sul-mato-grossense escolar que conquistou o vice-campeonato brasileiro da modalidade.

 

A experiência nas quadras acabaria influenciando também sua atuação na gestão pública. Entre 2015 e 2022, Marcelo foi diretor-presidente da Fundesporte, onde trabalhou na estruturação de políticas para o esporte de rendimento, formação esportiva e esporte escolar.

 

Foi nesse período que a experiência acumulada como professor e técnico ganhou uma nova dimensão: transformar conhecimento e vivências do cotidiano esportivo em políticas públicas.

 

Programas como o Bolsa Atleta e o Bolsa Técnico e a reestruturação dos Jogos Escolares da Juventude de Mato Grosso do Sul fizeram parte desse trabalho.

 

“Eu passei por quase todos os lados da Educação Física. Fui aluno, atleta, técnico, professor, pesquisador e gestor. Isso me deu uma visão muito ampla da profissão. Quando você conhece a realidade de quem está na quadra, de quem está na sala de aula e de quem está formando novos profissionais, você consegue entender melhor o que precisa ser feito na gestão”, afirma.

 

Uma profissão que mudou e continua mudando

 

Quase três décadas depois da regulamentação, Marcelo entende que a Educação Física avançou, mas ainda enfrenta desafios relacionados à valorização profissional, formação continuada e reconhecimento de sua importância em áreas como educação, saúde, esporte e qualidade de vida.