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Iniciativa privada financia projetos para destravar mais de R$ 1,1 bilhão em obras públicas no litoral de SC


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02/09/2026 13h49

Iniciativa privada financia projetos para destravar mais de R$ 1,1 bilhão em obras públicas no litoral de SC

Maikeli Alves


Empresários de Itajaí e Balneário Camboriú financiam estudos e projetos técnicos que serão doados ao poder público para acelerar intervenções em mobilidade, turismo e reurbanização. Estão inclusos novos acessos à BR-101, terminal de cruzeiros com padrão global e ligação entre importantes rodovias do litoral norte catarinense.

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Setembro, 2026 – Obras estruturantes de mais de R$ 1,1 bilhão para Itajaí e Balneário Camboriú estão no centro de uma mobilização da iniciativa privada no litoral norte de Santa Catarina. Empresários das duas cidades se uniram em organizações da sociedade civil que financiam estudos e projetos técnicos para doá-los ao poder público e antecipar etapas necessárias à execução das obras. No fim do mês de agosto, o Instituto Mais Itajaí e o Instituto +BC reuniram lideranças empresariais e políticas, incluindo o governador do estado, Jorginho Mello, para reforçar a importância de intervenções para a mobilidade, a logística, o turismo e o desenvolvimento da região.

Entre os projetos discutidos, já elaborados pelas entidades ou em fase de estudos, estão: a ligação entre as rodovias Antônio Heil e Jorge Lacerda, estimada em R$ 290 milhões; a readequação do trevo da BR-101 com a Jorge Lacerda, com custo aproximado de R$ 380 milhões para suprir o fluxo de mais de 120 mil veículos diários; o Acesso Sul, que pretende criar uma nova ligação entre a BR-101 e a Praia Brava, avaliado em R$ 150 milhões; e o futuro Terminal de Cruzeiros de Itajaí, projetado em cerca de R$ 300 milhões e que já está previsto na nova concessão do Porto de Itajaí. A agenda inclui ainda a ampliação das marginais da BR-101 no eixo entre Navegantes e Tijucas e a reurbanização da Avenida Brasil, em Balneário Camboriú, ainda sem valor definido.

Para Fábio Inthurn, presidente do Instituto Mais Itajaí, a participação empresarial busca enfrentar um dos principais gargalos que antecedem grandes obras: a existência de estudos e projetos técnicos qualificados. “A iniciativa privada se uniu porque percebeu que pode contribuir justamente nessa etapa, custeando projetos que depois são doados ao poder público e podem servir de base para a busca de recursos e para a execução das obras. Já temos avanços concretos nessa interlocução. O governador Jorginho sinalizou, neste encontro, R$ 50 milhões para o novo acesso entre a BR-101 e a Praia Brava e também disposição para buscar recursos para contribuir na viabilização do novo trevo da Jorge Lacerda com a BR-101. As prefeituras também são parceiras ativas nessas obras importantes”, afirma.

O modelo de parceria pública-privado começou em Balneário Camboriú. Criado em 2017, o Instituto +BC participou dos estudos de alto impacto para a cidade, como o projeto executivo para o alargamento da Praia Central, concluído em 2021, e posteriormente financiou projetos relacionados à reurbanização da nova orla. Quase 100 empresários de ambos os institutos devem aplicar mais de R$ 25 milhões nos projetos executivos para as obras pleiteadas. A proposta é reduzir o tempo entre a identificação de uma necessidade e a existência de documentação técnica capaz de permitir ao poder público avançar nas etapas seguintes.

Um dos empresários que participou da criação do +BC, Nivaldo Pinheiro, presidente da Procave, incorporadora pioneira no segmento de alto padrão no litoral norte de SC, defende esse tipo de modelo, raro no Brasil, porque a expansão das demandas públicas tornou mais difícil concentrar estrutura administrativa na elaboração de grandes projetos. “O poder público passou a atender uma estrutura social cada vez maior, especialmente em áreas como saúde e educação, e o setor privado precisa se aproximar de forma séria e dedicada para colaborar. Na construção civil sabemos que nenhuma grande obra começa sem um bom projeto. O alargamento da Praia Central era discutido há décadas e não avançava. O Instituto +BC ajudou a estruturar essa etapa, a obra saiu do papel e o modelo mostrou que funciona. Depois vieram a reurbanização da orla e novos projetos em andamento”, ressalta.

Rede subterrânea entra na pauta para reduzir burocracia

Outra frente discutida pelos institutos no encontro realizado no Hotel Sandri em Itajaí é a criação de regras mais claras pela Celesc para projetos de redes elétricas subterrâneas. A avaliação dos empresários é que a ausência de um procedimento padronizado torna a aprovação desse tipo de intervenção mais complexa e dificulta iniciativas de reurbanização que pretendem retirar postes e cabos das vias, mais uma pauta apoiada na ocasião pelo Governo do Estado. Em Balneário Camboriú, o Instituto +BC iniciou, em parceria com o município, os estudos para a requalificação da Avenida Brasil, uma das principais vias comerciais da cidade, com a previsão de incorporar a rede subterrânea ao planejamento. Segundo os especialistas, padronização dos processos e agilidade da Celesc são fundamentais para atender aos cronogramas previstos.

“Os institutos mostram como a iniciativa privada pode contribuir de forma concreta com projetos estruturantes para as cidades. Em Balneário Camboriú, já trouxemos o projeto de Índio da Costa para a reurbanização da orla e agora avançamos em uma intervenção de grande porte na Avenida Brasil, que prevê uma transformação urbana ampla, com nova infraestrutura e rede subterrânea, além de projetos de saneamento. São obras complexas, exigem planejamento técnico, envolvimento de grandes especialistas e integração com o poder público, inclusive passando por diferentes gestões, para saírem do papel”, comenta Marcos Gracher, presidente do Instituto +BC.

Gracher também defendeu no debate que a infraestrutura seja planejada regionalmente, especialmente no entorno da BR-101. Uma das prioridades apresentadas pelos empresários é a ampliação e continuidade das marginais para criar alternativas ao fluxo concentrado na rodovia. “Hoje não dá mais para olhar as cidades do litoral norte catarinense de forma isolada quando o assunto é mobilidade. Precisamos dar continuidade às marginais e criar capacidade para distribuir o trânsito desde a região de Navegantes, passando por Itajaí e Balneário Camboriú, até o eixo de Tijucas. São projetos que ultrapassam os limites municipais e exigem planejamento conjunto de municípios, estado e governo federal. Os Institutos entram nesse processo para contribuir e tirar projetos da esfera da discussão para, de fato, realizar obras de maneira rápida e eficiente para toda a sociedade”, conclui.

Sobre o Instituto +BC

Criado em 2017, o Instituto +BC é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, mantida por mais de 40 empresas de diferentes setores de Balneário Camboriú (SC). A entidade atua em um modelo de articulação entre iniciativa privada, poder público e instituições especializadas para viabilizar projetos estruturantes de interesse coletivo e foi pioneira no estado. Entre as iniciativas desenvolvidas estão os estudos que embasaram o alargamento da Praia Central, a reurbanização da orla, o diagnóstico de saneamento e drenagem e o Parque Inundável Multiuso do Rio Camboriú. Os projetos e estudos coordenados pelo Instituto são posteriormente doados ao município para implementação.
Mais informações: https://maisbc.com/

Sobre o Instituto Mais Itajaí

O Instituto Mais Itajaí é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos, formada por mais de 65 empresas locais com interesse no desenvolvimento urbano, econômico, turístico e social de Itajaí de forma planejada. O órgão foi criado com o intuito de realizar a doação de projetos técnicos executivos de alta qualidade para o Município de Itajaí, os quais serão determinantes para acelerar obras públicas fundamentais para o crescimento da cidade.

 



 


 

 




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