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Efeitos do super-El Niño no Pantanal de MS preocupam o governo federal


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06/09/2026 07h27

Efeitos do super-El Niño no Pantanal de MS preocupam o governo federal

Bioma é uma das seis áreas apontadas como em maior risco pelo Ministério do Meio Ambiente em razão do fenômeno

FELIPE MACHADO


 O Pantanal de Mato Grosso do Sul, mais especificamente a região de Corumbá, é uma das seis áreas florestais que mais apresentam riscos de incêndios em razão dos efeitos do super-El Niño neste semestre. A previsão indica períodos longos sem chuva e baixa umidade, cenário que facilita o surgimento de focos de incêndio no Estado.

 
Conforme previsões de especialistas, o El Niño deve atingir patamares muito intensos e prejudicar diversos setores do País este ano, especialmente no último trimestre. Por isso, desde os primeiros meses deste ano, a União tem se encontrado com autoridades ambientais e representantes dos governos estaduais e municipais para debater soluções e ações diante da chegada do fenômeno.
 
Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o período crítico do El Niño na Região Centro-Oeste acontece entre julho e outubro, com atraso nas chuvas e fortes ondas de calor.
 
Diante disso, três cenários pessimistas podem ser favorecidos em Mato Grosso do Sul: possível escassez hídrica; elevação da demanda por irrigação e comprometimento de pastagem; e propagação de incêndios florestais. O último é o que mais preocupa as autoridades do governo federal.
 
 
Tanto que, das seis áreas que foram listadas como as que devem correr mais risco de serem afetadas pelo El Niño, o Pantanal sul-mato-grossense é uma delas. Em coletiva de imprensa na semana passada, o ministro João Paulo Capobianco, do MMA, disse que a situação atual ainda não preocupa, mas que o governo está preparado caso “algo saia do trilho”.
 
“Nós estamos monitorando e faremos todo o empenho caso algo aconteça. No momento, o quadro não é tão grave ainda como foi em 2024. Mas, estamos monitorando a situação e, apesar do El Niño ser mais grave, ele ainda está chegando. Vamos repetir o esforço do ano de 2024 no Pantanal, com certeza de acordo com a evolução do quadro”, disse.
 
Vale lembrar que 2024 foi um dos piores anos relacionados aos incêndios florestais no bioma. Para efeito de comparação, entre junho e outubro daquele ano, mais de 13,3 mil focos de incêndio foram registrados no Pantanal, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o que levou o governo federal a enviar um efetivo militar especial para ajudar a controlar a situação.
 
“Em 2024, nós tivemos um ano bastante rigoroso no Pantanal. Normalmente, os incêndios no Pantanal iniciam a partir de agosto, e nós tivemos uma antecipação naquele ano. Desenvolvemos ali uma estratégia, muito bem-sucedida na minha opinião, com a implantação de uma base operacional do Ibama em Corumbá, que teve um papel muito relevante”, relembra o ministro.
 
Atualmente, brigadas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), órgão especializado ligado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), já estão instaladas em Corumbá para prevenir e mitigar os incêndios na área.
 
SEIS MESES DE ATENÇÃO
Em junho, o governo de MS decretou estado de emergência ambiental diante da previsão do super-El Niño atingir Mato Grosso do Sul favorecendo a ocorrência de focos de incêndio. A previsão é de que o decreto dure por 180 dias, valendo para os 79 municípios sul-mato-grossenses.
 
Na própria publicação que garante o decreto, o governo estadual disse que a intensificação do El Niño “favorece a formação de material combustível altamente suscetível à ignição e à rápida propagação do fogo, ampliando o risco de incêndios florestais em diversas áreas do Estado, especialmente no Bioma Pantanal”.
 
BASE DO SUS
Também em razão o El Niño de alta intensidade que se aproxima, o governo federal anunciou que Campo Grande vai receber a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) a partir de novembro, programa que atua em eventos que demandam apoio especializado para responder a situações emergenciais que afetam a saúde da população.
 
 




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