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- mell280
07/09/2026 10h30
Poucas lojas abrem e movimento de desfile não garante vendas no feriado
Comerciantes relatam poucos clientes e cancelamentos; restaurante aproveita procura por café e salgados
Por Guilherme Cavalcante e Bruna Melo
O desfile de 7 de Setembro leva mais gente ao Centro de Campo Grande nesta segunda-feira, mas o público nas ruas nem sempre se transforma em clientes nos estabelecimentos que apostam em abrir as portas.
Entre os comerciantes ouvidos pela reportagem, há quem trabalhe por hábito, quem enfrente cancelamentos e quem consiga aproveitar a passagem dos espectadores para vender café e salgados.
O movimento do feriado ocorre em uma área que perdeu moradores. Entre 2010 e 2022, a população do bairro Centro caiu de 11.509 para 9.007 pessoas, redução de 21,7%. Foram 2.502 habitantes a menos, segundo dados dos censos reunidos no Perfil Socioeconômico 2026, elaborado pela Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano). Os números foram apresentados em reportagem do Campo Grande News.
Nesta segunda-feira, mesmo com a presença de quem foi acompanhar o desfile, o retorno para os negócios varia conforme a atividade. Para Isabela Cacho, 31 anos, sócia-proprietária de um pet shop na Rua 13 de Maio, as interdições de trânsito prejudicaram os atendimentos previstos.
“Hoje infelizmente não está compensando ficar aberto”, afirma. Segundo ela, o estabelecimento tinha agendamentos que justificavam abrir no feriado, mas os clientes desmarcaram. Até o momento da entrevista, nenhum paciente havia sido atendido.
Dono de uma conveniência, Adriano Ávalo também costuma trabalhar nos feriados, embora avalie que o movimento não compense. “Sei que não compensa, mas venho por fidelidade”, diz.
Na avaliação dele, abrir só é viável porque o próprio dono fica à frente do atendimento. Para comerciantes que precisam pagar funcionários para trabalhar no feriado, o custo pesa mais. Adriano afirma que as interdições não atrapalham seu estabelecimento, mas tampouco percebe aumento nas vendas provocado pelo desfile.
Na selaria de Toninho Moreira, 64 anos, o cenário também é de poucos clientes. Ele abriu as portas, mas considera que não valeria a pena trazer um funcionário.

“Não compensa... A gente vem, sei lá, para não ficar à toa em casa. Eu vim, mas não compensa pagar o funcionário para vir. Não tem movimento”, relata. Assim como Adriano, ele diz manter o estabelecimento aberto “por fidelidade”.
Café, salgado e expectativa de almoço
Entre os entrevistados, o dono de restaurante Lucas Alves Silva, 26 anos, consegue aproveitar parte do fluxo do desfile. Mesmo com vendas abaixo das registradas em outros dias, ele considera vantajoso trabalhar no feriado.

Lucas abriu o restaurante e até faturou com vendas: "mas não se compara aos outros dias (Foto: Bruna Melo)
“Pra mim, compensa abrir no feriado, mas não é igual aos outros dias... Hoje o pessoal vem comprar café, salgado”, conta. A expectativa é que a passagem pelo Centro também renda clientes nas mesas depois da programação. “Espero que saiam do desfile e venham almoçar aqui.”
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