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Produção nacional responde por 40% do consumo de dispositivos médicos no Brasil


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09/09/2026 08h00

Produção nacional responde por 40% do consumo de dispositivos médicos no Brasil

Malu Bonetto


No mês em que o SUS completa 36 anos, ABIMO chama atenção para a infraestrutura necessária ao funcionamento do sistema e para os impactos da dependência externa de tecnologias para a Saúde

 

 

No mês em que o Sistema Único de Saúde (SUS) completa 36 anos, a infraestrutura necessária para manter o atendimento à população coloca em evidência um mercado que movimentou R$ 85,4 bilhões em 2025, crescimento de 13,9% em relação ao ano anterior. Apesar da dimensão do setor, a produção brasileira responde atualmente por cerca de 40% do consumo aparente de dispositivos médicos no País

O indicador considera a produção realizada no Brasil somada às importações e descontadas as exportações. Na prática, mostra que parcela relevante dos dispositivos médicos disponíveis no mercado brasileiro ainda é produzida no exterior.

Essa dependência ganha outra dimensão quando observada a partir do funcionamento do sistema de Saúde. Os dispositivos médicos incluem produtos, equipamentos, materiais e tecnologias utilizados na prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidado, desde agulhas, cateteres, reagentes e instrumentos cirúrgicos até implantes e equipamentos de diagnóstico. São itens presentes da atenção básica aos procedimentos de alta complexidade e que dependem de uma cadeia contínua de fornecimento.

Para a ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos, a questão não está em eliminar as importações, fundamentais em um Setor marcado por cadeias globais e constante inovação, mas em avaliar os riscos de uma dependência elevada em tecnologias estratégicas para a continuidade da assistência.

“Quando um equipamento, material ou insumo essencial não chega, o impacto pode alcançar diretamente a assistência, afetando exames, procedimentos e tratamentos. O SUS não depende apenas de financiamento. Ele depende de uma infraestrutura capaz de funcionar continuamente e, em um sistema dessa dimensão, segurança de abastecimento também precisa fazer parte do planejamento”, afirma Márcio Bósio, Diretor Institucional da ABIMO.

Embora a produção nacional represente atualmente cerca de 40% do consumo aparente, o Brasil possui conhecimento e capacidade tecnológica para produzir internamente grande parte das tecnologias utilizadas na Saúde.

Isso não significa que todos os produtos devam ser fabricados localmente. Em determinadas categorias, o volume de demanda e a escala necessária podem tornar a produção no Brasil economicamente menos competitiva. A discussão passa por identificar quais tecnologias são estratégicas, em quais delas o País já possui competência produtiva e onde ampliar a fabricação nacional pode reduzir vulnerabilidades.

“O Brasil tem indústria, conhecimento e capacidade tecnológica. Não se trata de produzir tudo aqui ou fechar o mercado às importações, mas de identificar onde a dependência externa pode representar um risco e onde temos condições de ampliar nossa própria capacidade de resposta. Para um sistema como o SUS, essa também é uma questão de segurança e planejamento de longo prazo”, afirma Bósio.

O potencial da indústria instalada no País também aparece nas aquisições destinadas ao sistema público. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 50% das compras realizadas no âmbito do PAC Saúde foram destinadas a empresas brasileiras.

Para a ABIMO, a escala das compras públicas pode contribuir para aproximar as necessidades do SUS da capacidade produtiva brasileira, estimulando investimentos, inovação e ganho de escala. A Associação defende que as aquisições considerem, além do preço inicial, fatores como qualidade, desempenho, assistência técnica, manutenção, vida útil e custo total da contratação.

“O poder de compra do SUS pode contribuir para desenvolver capacidade produtiva e inovação no País. Isso não significa privilegiar uma tecnologia apenas por ser nacional, mas criar condições para que qualidade, desempenho, segurança de abastecimento e custo ao longo de toda a vida útil também sejam considerados nas decisões de compra”, diz Bósio.

A discussão ocorre em um momento de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), que coloca a ampliação da capacidade nacional de produção e inovação entre as estratégias para reduzir vulnerabilidades do País na área da Saúde, e recentemente ganhou ainda mais importância com a Lei 15.47/26, que cria a estratégia nacional de saúde, com a criação das empresas estratégicas e os produtos estratégicos de saúde.

No mês em que o SUS completa 36 anos, a ABIMO defende que essa dimensão também faça parte do debate sobre o futuro do sistema. Além de financiamento, acesso e gestão, manter uma operação dessa magnitude exige garantir que equipamentos, materiais e tecnologias estejam disponíveis continuamente para transformar recursos em atendimento à população. O SUS forte e sustentável , passa necessariamente por um setor produtivo forte e inovador.

Sobre a ABIMO 

A ABIMO - Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos representa a indústria brasileira de produtos para a saúde que promove o crescimento sustentável no mercado nacional e internacional. Fundada em 1962, a instituição conta com mais de 300 associadas e surgiu a partir da ideia de 25 fabricantes de produtos médicos e odontológicos com o objetivo de fortalecer, organizar e regulamentar o segmento. Nesses anos de trabalho, a ABIMO expandiu suas operações de suporte à cadeia produtiva através de conselhos e grupos de trabalho, os quais respondem por todos os aspectos técnicos, operacionais e associativos do setor.