10/09/2026 10h47
Setembro Vermelho: Humap-UFMS alerta para cuidados que vão além do coração
Sobreviver a um infarto é apenas o início de uma nova etapa: muitos pacientes precisam lidar com o medo de voltar a viver normalmente
As doenças cardiovasculares (DCV) permanecem como a principal causa de mortes no Brasil. Dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam para aproximadamente 400 mil mortes cardiovasculares por ano, correspondendo a cerca de 31% dos óbitos por todas as causas do país.
Os números alarmantes reforçam ainda mais a campanha nacional de conscientização sobre a prevenção e o combate às doenças cardiovasculares, o Setembro Vermelho.
A SBC estima ainda que aproximadamente 14 milhões de brasileiros convivam com algum tipo de doença cardiovascular. A maioria dos óbitos nessa população se dá por infarto. Ainda assim, o médico Délcio Gonçalves da Silva Junior, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), integrante da HU Brasil, alerta que o problema não pode ser medido apenas pelo número de pessoas que morrem: “Para cada paciente que morre, existe um contingente muito maior de pessoas que sobrevivem ao evento cardiovascular e passam a conviver com suas consequências físicas, emocionais, sociais e econômicas”, pontua.
Efeitos emocionais
O médico ainda reforça que, normalmente, após uma doença com alto risco de mortalidade, as pessoas ficam emocionalmente abaladas e passam a se preocupar mais com a chance de um outro evento que possa ser fatal. “Isso, se bem trabalhado pela equipe de assistência, ajuda na aderência ao tratamento e na mudança de hábitos e estilo de vida”, considera.
É importante destacar que, geralmente, o infarto ocorre de forma abruta e aguda. Rotinas profissionais, alimentação, lazer, atividades sociais e sexuais, nível de capacidade física, são interrompidos, levando a pessoa a dúvidas, ansiedade e angústia sobre voltar a ser a mesma depois do Infarto.
É comum que, após um infarto, surjam receios de fazer esforço físico, subir escadas, viajar, dormir sozinho, trabalhar ou até mesmo ter relações sexuais, por medo de provocar um novo episódio. A experiência pode fazer com que a pessoa passe a enxergar atividades cotidianas como ameaças.
O retorno à vida normal
A depender do grau de comprometimento cardíaco decorrente do infarto, o retorno à vida normal é o principal foco do cardiologista. Nesse cenário, além dos tratamentos da fase hospitalar, com medicações e procedimentos de revascularização e angioplastia, já se iniciam as abordagens psicológicas e fisioterapia, que visam a recuperação da autoestima e da segurança do paciente. “É muito importante uma boa relação médico-paciente, em que a transparência, franqueza e empatia, além do tratamento adequado, são a chave da confiança no que o paciente deve fazer e passar após o evento e a alta”, adverte o médico.
“Um paciente adequadamente tratado na fase hospitalar e bem orientado nas suas tarefas de prevenção tem grande segurança e baixos índices de recorrências, na maioria das vezes. Se isso for passado ao paciente, ele volta a sua vida rapidamente, e se cuidando melhor que antes do evento”, salienta o profissional.
Sobre a HU Brasil
O Humap-UFMS integra a HU Brasil desde dezembro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.



