11/09/2026 05h00
IPCA tem deflação de 0,32% e inflação não justifica juros tão altos, diz APAS
Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS - Associação Paulista de Supermercados
O IBGE acaba de divulgar os dados de inflação referente ao mês de agosto e, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor amplo, o País registrou deflação de 0,32% nesse último mês. No mês de julho, nós havíamos observado um processo de alta e no mês de agosto, agora, uma deflação contribuindo tanto para a inflação acumulada no ano, que está em 3,11%, quanto em 12 meses, que está em 4,22%. Vale lembrar que esse resultado mostra que o processo de redução dos preços acelerou frente ao mesmo período do ano anterior, quando o índice havia apresentado deflação de 0,11%.
Esse é um resultado bastante positivo. Quais elementos mais contribuíram? Primeiro, a habitação, com queda de 1,87%, seguido por transportes. Ponto muito importante: os alimentos e as bebidas estão no processo de queda contínua e, por isso, a APAS - Associação Paulista de Supermercados já projetava uma inflação, uma deflação nesse mês de agosto na ordem de 0,30%.
Veio um pouco além do que esperávamos. Com esse resultado, vale lembrar, abre espaço para uma política monetária menos restritiva do que a atual. Hoje, nós temos uma taxa básica de juros que está altíssima e não há fatores macroeconômicos que justificam esse processo. Ou seja, a inflação está controlada, abaixo, inclusive, do que fora o centro da meta de inflação alguns poucos anos atrás.
Segundo ponto, nós temos um ritmo de atividade econômica que está fraco e a economia precisa ser estimulada. Além disso, não observamos nenhum descompasso inflacionário, nenhuma perda do controle monetário. O índice de inflação que temos não justifica uma taxa de juros neste patamar atual.
Esse é um ponto muito importante de ser salientado, porque com a taxa real de juros que temos atualmente, as indústrias estão sendo prejudicadas, o comércio está sendo prejudicado, os serviços estão sendo prejudicados e as famílias estão sendo prejudicadas também, porque o custo de rolagem da dívida tem onerado muito tanto as empresas quanto as famílias.
Segundo ponto muito importante: com a taxa de juros nesse nível, desestimula os investimentos, desestimula o consumo e, o ponto central, aleija o crescimento sustentável da economia no médio e longo prazo, porque uma economia só pode crescer de modo sólido se houver investimentos, mas com uma taxa de juros dessas, inegavelmente, o processo de investimentos tendem a diminuir e isso prejudica a nossa estrutura econômica como um todo.
Por isso, os dados de inflação corroboram a defesa da APAS de uma taxa de juros civilizada, ou seja, temos que acelerar o processo de redução de juros, porque a economia, até então, tem se mostrado minimamente resiliente, mas não por muito tempo. E, inflação, não é o nosso problema macroeconômico do momento.
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