- mell280
12/09/2026 07h00
Livros de escritora sul-mato-grossense transformam uso de telas e preservação ambiental em aventuras infantis
Em duas obras, Cilene Queiroz aproxima crianças de temas atuais sem abrir mão da fantasia, do afeto e da diversão
O contato cada vez mais precoce das crianças com as telas e a necessidade de estimular, desde cedo, o cuidado com o meio ambiente inspirou a escritora sul-mato-grossense Cilene Queiroz a transformar esses desafios do cotidiano em histórias infantis. Os temas deram origem aos livros Cacau e o Sumiço do Videogame e A Águia Solidária e o Planeta Azul, que tratam dos assuntos de forma lúdica e acessível aos pequenos leitores.
Natural de Três Lagoas (MS), a autora transforma assuntos contemporâneos em histórias protagonizadas por crianças e animais. Em uma das obras, a narrativa propõe uma reflexão sobre o equilíbrio no uso da tecnologia e a importância das brincadeiras, da convivência e das experiências fora das telas. Na outra, apresenta aos pequenos leitores questões como queimadas, desmatamento, poluição e descarte de lixo na natureza.
A proposta é abordar esses assuntos sem transformar a leitura em uma aula ou em uma lista de regras. Por meio de aventuras, mistérios e personagens próximos do universo infantil, os livros estimulam as crianças a fazer perguntas, relacionar as histórias com o cotidiano e perceber que pequenas atitudes também podem fazer diferença.
“A literatura infantil permite conversar com a criança sobre assuntos importantes sem retirar dela a imaginação e o direito de brincar e se divertir. Quando uma história desperta uma reflexão, ela continua existindo na criança mesmo depois que o livro termina”, afirma Cilene.
Quando o videogame ocupa o lugar da brincadeira
Em Cacau e o Sumiço do Videogame, os irmãos Xico e Xaco passam cada vez mais tempo diante do aparelho, até que a cachorrinha Cacau decide interferir na situação.
Uma pinscher da cor do chocolate, esperta, brincalhona e muito ligada à família, Cacau usa seus latidos e travessuras para provocar uma verdadeira confusão. O misterioso desaparecimento do videogame leva os personagens a redescobrirem outras formas de diversão.
A narrativa parte de uma situação conhecida por muitas famílias para falar sobre o equilíbrio no uso da tecnologia durante a infância. Um levantamento realizado em 2025 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) mostra que 87% das crianças e dos adolescentes brasileiros com idades entre 9 e 17 anos acessam a internet. Entre os entrevistados, 28% afirmaram ter acessado a internet pela primeira vez até os 6 anos de idade.
“Nessa história, minha intenção é mostrar que é preciso encontrar equilíbrio. Nenhuma tela substitui o contato com outras crianças, a convivência com a família, as brincadeiras e a descoberta do mundo lá fora”, explica a escritora.
O livro mostra que os recursos digitais podem fazer parte da rotina, mas não devem substituir experiências importantes para o desenvolvimento infantil, como conversar, correr, criar, imaginar, brincar ao ar livre e conviver com outras pessoas.
Uma aventura em defesa do Planeta Azul
Em A Águia Solidária e o Planeta Azul, Cilene conduz os pequenos leitores por uma aventura entre céus, florestas, rios e mares.
A protagonista Sury é uma águia corajosa e solidária que parte em busca da origem de misteriosas gotas de água que caem sobre o planeta. Ao lado de Black, o pássaro-preto, e Pitoco, o porquinho, ela percorre diferentes paisagens e testemunha os impactos provocados pelas ações humanas.
Durante a jornada, os personagens encontram queimadas, desmatamento, poluição e lixo nos mares. No decorrer da história, descobrem que as gotas são, na verdade, lágrimas do Planeta Azul.
Na obra, os problemas ambientais são apresentados de maneira lúdica e afetiva. Além dos impactos causados à natureza, a narrativa trabalha valores como solidariedade, responsabilidade, cooperação e esperança.
“Quis mostrar às crianças que a natureza não é algo distante. Ela está ao nosso redor e precisa do nosso cuidado. Quando uma criança aprende a respeitar o meio ambiente, aumentam as possibilidades de que se torne um adulto mais consciente de suas responsabilidades”, destaca Cilene.
Em Mato Grosso do Sul, onde as crianças convivem com a biodiversidade do Cerrado, do Pantanal e da Mata Atlântica, a discussão ganha ainda mais proximidade. A preservação ambiental deixa de ser um assunto distante e passa a ser relacionada às paisagens, aos animais e às experiências que fazem parte da realidade local.
Leitura como ponto de partida para o diálogo
Os livros podem ser utilizados por famílias e escolas como ferramentas para iniciar conversas sobre tecnologia, brincadeiras, convivência, solidariedade, preservação ambiental e responsabilidade coletiva.
A leitura durante a infância contribui para ampliar o vocabulário, estimular a criatividade e desenvolver a capacidade de interpretar situações e sentimentos. Quando as narrativas dialogam com experiências vividas pelas crianças, também podem ajudá-las a compreender melhor o mundo ao redor.
Sobre a autora
Natural de Três Lagoas, Cilene Queiroz é formada em Biologia, mestre em Agronomia, artista plástica, membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Mato Grosso do Sul (AFLAMS) e associada correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS).
Antes de se dedicar à literatura infantil e infantojuvenil, publicou os romances Sala das Flores, Filhos do Destino e Lembranças. Após superar um acidente vascular cerebral (AVC), retomou a paixão pela escrita e ampliou sua produção literária.
Atualmente, seu trabalho é dedicado ao público infantil e infantojuvenil. Reconhecida pelo compromisso social e pelo incentivo à leitura, a autora destina parte dos recursos obtidos com seus livros a projetos educacionais, entre eles o “É Preciso Ler”, iniciativa voltada à formação de jovens leitores.
Onde encontrar
A Águia Solidária e o Planeta Azul está disponível para compra na Amazon ou na LC Books.
Cacau e o Sumiço do Videogame também pode ser adquirido pela Amazon ou na LC Books.


