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Segurança cibernética começa antes de um login: 71% dos ciberataques começam com identidades comprometidas, revela estudo da SEK


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14/09/2026 05h00

Segurança cibernética começa antes de um login: 71% dos ciberataques começam com identidades comprometidas, revela estudo da SEK

Rui Nascimento


Think Ahead Report 2026, da SEK, mostra como identidade, inteligência artificial e automação estão redefinindo a agenda da cibersegurança corporativa

 

 

A identidade digital deixou de ser apenas um componente da infraestrutura de tecnologia para se tornar o elemento central da estratégia de defesa das organizações. Com os investimentos robustos em proteção do perímetro, usuários legítimos vêm se tornando grandes vetores para ataques cibernéticos, que ao longo do tempo passaram a explorar com mais frequência credenciais legítimas do que vulnerabilidades técnicas.

É o que revela o Think Ahead Report 2026, estudo produzido pela SEK, líder em serviços de cibersegurança na América Latina. Segundo o levantamento, em 2025, 71% dos acessos iniciais registrados em incidentes reais tiveram como origem identidades comprometidas, superando a exploração direta de vulnerabilidades técnicas como principal vetor de entrada para ataques cibernéticos.

O estudo identifica cinco prioridades estratégicas que devem orientar a agenda de cibersegurança das empresas em 2026: colocar a identidade no centro da arquitetura de segurança; enfrentar a amplificação do risco humano causada pela inteligência artificial; adotar automação defensiva para responder a ataques em velocidade compatível com as novas ameaças; ampliar a gestão do risco para todo o ecossistema digital; e estabelecer uma governança consistente para o uso corporativo da IA.

"Tudo começa a partir de um login, e o que antes era humano agora é agêntico, tornando o desafio exponencialmente mais complexo. Quando uma identidade é comprometida, o atacante entra pela porta da frente utilizando acessos e autorizações válidas, causando alto impacto operacional, financeiro e reputacional. Estabelecer um programa sólido de governança de identidades, passa a ser um ativo estratégico de alto valor para o negócio”, afirma André Facciolli, presidente da Netbr by SEK.

Os dados mostram que essa mudança vai além do acesso inicial. Segundo o Unit 42 Global Incident Response Report 2026, em 2025, ataques baseados em engenharia social e phishing resistente a MFA responderam por 33% dos casos analisados, enquanto o abuso de credenciais comprometidas e ataques de força bruta representaram outros 21%. Além disso, segundo o Palo Alto Networks 2026 Identity Security Landscape Report, em muitos ambientes corporativos, as identidades de máquina já superam os usuários humanos na proporção de 109:1 (sendo 79 destas referentes a agentes de IA), como contas de serviço, APIs e automações, o que amplia significativamente a superfície de exposição a riscos das organizações.

A inteligência artificial acelera o desenvolvimento de novas estratégias de ataque cada vez mais sofisticadas, capazes de produzir e-mails, chamadas de voz e vídeo e interações altamente convincentes, o que amplia a eficácia da engenharia social, tornando mais difícil distinguir comportamentos legítimos de ações maliciosas e aumentando a capacidade dos criminosos de explorar vulnerabilidades humanas e suas identidades.

"A inteligência artificial industrializou a capacidade de gerar confiança falsa em escala. O desafio deixou de ser apenas conscientizar usuários e passou a exigir processos capazes de reduzir a dependência do julgamento humano (HITL – Human in the loop) diante de solicitações aparentemente legítimas”, reforça Facciolli.

Outro fator que redefine a estratégia de defesa é a velocidade. Dados do CrowdStrike 2026 Global Threat Report mostram que o tempo médio entre o acesso inicial e a movimentação lateral caiu para apenas 29 minutos em 2025, uma redução de 65% em relação ao ano anterior.

Nos exercícios ofensivos simulados (Red Team/BTS) conduzidos pela SEK na América Latina ao longo de 2025, os adversários permaneceram por até 42 dias em ambientes críticos sem acionar um único mecanismo interno de detecção. Como comparação, o relatório M-Trends 2026, da Mandiant, aponta permanência média global de 14 dias em incidentes reais, enquanto 57% das organizações ainda descobrem comprometimentos por meio de notificações externas.

“A combinação de identidades e inteligência artificial vem criando forças de trabalho não humanas em uma escala sem precedentes. Segundo o Palo Alto Networks 2026 Identity Security Landscape Report, já são 109 identidades de máquina para cada identidade humana, sendo 79 delas agentes de IA. Somando-se à velocidade cada vez maior dos ataques, o diferencial passa a ser a capacidade de governar identidades e acessos e responder rapidamente às ameaças”, afirma João Stohler, Country Manager Brasil da SEK. 

Para a companhia, esse cenário consolida a automação defensiva como um novo modelo operacional de segurança. A combinação entre inteligência artificial, automação e especialistas reduz o intervalo entre detecção, investigação e contenção de incidentes, permitindo responder ao ritmo das ameaças atuais, aumentando a resiliência cibernética, protegendo a reputação das organizações.

O relatório também chama a atenção para a necessidade de ampliar a gestão do risco além dos limites da organização. Cadeias de fornecedores, parceiros, serviços em nuvem, APIs, aplicações SaaS e identidades não humanas expandem a superfície de ataque e exigem uma nova abordagem sistêmica para fortalecer a resiliência cibernética e, em última instância, a reputação das organizações.

Outra transformação destacada pelo estudo é a entrada definitiva destes temas na agenda dos conselhos de administração que buscam cada vez mais a capacidade de resistir em vez de somente a visão tradicional de conformidade, ainda relevante, mas que não vem se mostrando suficientemente eficaz. À medida que agentes inteligentes passam a executar processos críticos de negócio, decisões sobre governança, responsabilidade, autorizações e controles deixam de ser temas exclusivamente técnicos e tornam-se parte crítica da estratégia corporativa.

Entre as principais recomendações do Think Ahead Report para 2026 estão a adoção de autenticação resistente a phishing, a redução de privilégios permanentes, o monitoramento contínuo de identidades humanas e não humanas, a automação da resposta a incidentes e o fortalecimento da governança sobre terceiros e aplicações de inteligência artificial.

Metodologia

O Think Ahead Report 2026 foi desenvolvido pela SEK com base em dados coletados ao longo de 2025 por seus Centros de Defesa Cibernética, exercícios de Red Team e Breach & Attack Simulation realizados em ambientes críticos da América Latina, além da análise de pesquisas e relatórios internacionais sobre segurança digital.

 

 

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