- mell280
14/09/2026 10h23
MS registra 114 processos de violência doméstica por dia
Estado recebeu 24.136 novas ações até julho, média de 114 por dia; volume anual chegou a 37 mil em 2025
O número de novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher cresceu 20,57% em um ano em Mato Grosso do Sul. Foram 31.006 ações em 2024 e 37.385 em 2025, segundo levantamento baseado no Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Entre janeiro e julho de 2026, a Justiça sul-mato-grossense recebeu outros 24.136 processos, média de 113,85 por dia. Na comparação com 2020, quando o estado contabilizou 24.110 ações, o crescimento acumulado até 2025 chegou a 55,06%.
Em todo o Brasil, a Justiça recebeu 742.279 novos processos até julho de 2026, média de 3.501 por dia. O total anual passou de 599.472, em 2020, para 1.133.556, em 2025, aumento de 89,09%.
Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, o crescimento pode indicar que mais mulheres estão conseguindo reconhecer a violência e buscar ajuda.
“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”, explica.
O avanço de 21% em um ano, portanto, não permite concluir que os episódios de violência tenham crescido na mesma proporção.
“Esse crescimento não significa, necessariamente, que a violência tenha aumentado na mesma proporção. Ele também pode refletir uma redução do silêncio em torno do problema. Ao mesmo tempo, o volume de processos mostra que a violência doméstica continua presente e que muitas mulheres ainda precisam recorrer ao Estado para conseguir proteção”, afirma Tavolassi.
As estatísticas judiciais também não incluem os episódios que não foram denunciados. Medo, ameaças e dependência financeira ou emocional podem impedir ou adiar a procura por ajuda.
“Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”, acrescenta.
Violência pode assumir diferentes formas
A ausência de agressões físicas não significa que a mulher não esteja vivendo uma situação de violência doméstica.
“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”, alerta o advogado.
Em caso de risco imediato, a orientação é buscar um local seguro e ligar para a Polícia Militar pelo número 190. O Ligue 180 oferece atendimento durante 24 horas e informa sobre os serviços disponíveis.
“Se for possível, é importante guardar mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas. Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”, orienta Tavolassi.


