16/09/2026 08h23
S&P, Fitch e Moody's são as novas armas dos FIDCs na disputa por investidores
Com R$ 30,6 bilhões em captação no semestre, FIDCs passam a disputar investidores também por
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios encerraram o primeiro semestre de 2026 com captação líquida de R$ 30,6 bilhões, volume equivalente a aproximadamente 1 em cada 6 reais recebidos por toda a indústria brasileira de fundos no período. Ao lado dos Fundos de Investimento em Participações, os FIDCs movimentaram R$ 62,7 bilhões, pouco mais de um terço das entradas líquidas registradas entre janeiro e junho. Quando os Fiagros são incluídos, os três veículos ligados ao financiamento da economia real alcançam R$ 67,8 bilhões, diante de uma captação total de R$ 184,7 bilhões da indústria. O resultado mostra que o avanço dos FIDCs não está restrito ao aumento do número de operações, mas começa a mudar os critérios usados pelos investidores para comparar os fundos. Com mais estruturas disputando recursos, rentabilidade e remuneração acima do CDI deixam de ser suficientes para explicar a qualidade de uma operação. Cresce, assim, a busca por ratings de crédito, avaliações independentes que analisam a capacidade de uma cota ou série cumprir seus pagamentos de acordo com as condições previstas.
Na prática, o rating funciona como uma camada adicional de informação para fundos institucionais, gestoras, family offices e investidores profissionais que precisam comparar operações com carteiras, garantias e níveis de risco diferentes. As agências observam fatores como qualidade dos recebíveis, histórico de inadimplência, concentração entre cedentes e devedores, subordinação das cotas, mecanismos de proteção, capacidade de cobrança e experiência dos prestadores de serviços. A nota normalmente não pertence ao FIDC inteiro, mas a uma cota ou série específica, que pode ter proteção e prioridade de pagamento diferentes das demais. A Intra Asset já começou a participar desse movimento com o FIDC Intra Solidez, que recebeu o rating preliminar brAA- (sf) da S&P Global Ratings na 7ª série de cotas seniores. A faixa AA está posicionada logo abaixo da AAA nas escalas nacionais e indica uma avaliação elevada de qualidade de crédito, embora não represente garantia contra perdas. “O investidor precisa entender não apenas quanto uma operação pode render, mas quais mecanismos sustentam esse retorno. O rating contribui para organizar essa leitura, porque transforma informações sobre carteira, garantias, governança e capacidade de pagamento em uma referência que pode ser comparada com outras estruturas do mercado”, afirma Valdir Piran Junior, CEO e Diretor Executivo da Intra.
A movimentação recente das agências também mostra que a avaliação e o monitoramento de FIDCs vêm ganhando espaço, com relatórios publicados para diferentes fundos e segmentos de crédito ao longo de junho e julho. O avanço das classificações tende a deslocar parte da concorrência entre os FIDCs. Em vez de uma disputa concentrada apenas na maior remuneração, os fundos passam a competir também pela capacidade de demonstrar solidez operacional, diversificação, governança e proteção para as cotas mais seniores. Esse processo pode ampliar o universo de investidores de uma estrutura, sobretudo entre instituições cujas políticas internas estabelecem níveis mínimos de rating para determinadas aplicações. Ao mesmo tempo, a nota precisa ser interpretada em conjunto com prazo, liquidez, remuneração, senioridade e composição da carteira. Dois fundos classificados na mesma faixa podem apresentar exposições e mecanismos de proteção diferentes. “Uma classificação elevada é consequência de uma estrutura capaz de suportar cenários adversos, e não apenas de um bom desempenho em períodos favoráveis. Para o gestor, o desafio é demonstrar que seleção de crédito, monitoramento e governança permanecem consistentes durante toda a vida do fundo”, afirma Valdir. Com os FIDCs respondendo por 16,6% da captação líquida da indústria no semestre, a adoção de ratings tende a se tornar parte do amadurecimento desse mercado, reduzindo a assimetria de informações e dando ao investidor mais instrumentos para equilibrar risco e retorno.
Sobre a Intra Asset
A Intra Asset é uma gestora de crédito estruturado, gestão de recursos e tecnologia.
Fundada em 2020 como Intrabank, iniciou suas atividades com foco em consultoria e estruturação de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Ao longo dos anos, expandiu sua atuação para gestão de fundos estruturados, incluindo crédito privado, fundos imobiliários e multimercados.
A evolução para Intra reflete o amadurecimento da companhia como uma gestora integrada, combinando originação, gestão, dados e tecnologia proprietária para atuar com eficiência, escala e disciplina no mercado de capitais.




