- mell280
16/09/2026 10h21
Consultas de frete no interior crescem quase 50%, enquanto capitais recuam 7%
Levantamento do Transvias mostra avanço de cidades médias e novos polos industriais no mapa da logística brasileira
O interior está ganhando espaço no transporte rodoviário de cargas brasileiro. Levantamento realizado pelo Transvias mostra que o volume de buscas de frete originadas em cidades do interior cresceu quase 50% no último ano. No mesmo período, as consultas com origem nas capitais recuaram 7%.
Os números apontam para uma mudança na circulação de mercadorias pelo país. Embora as grandes capitais continuem concentrando parte expressiva das operações, cidades médias e pólos industriais localizados fora desses centros passaram a gerar uma parcela crescente da demanda por transporte.
Entre os municípios que mais avançaram no levantamento estão Suzano, com crescimento de 161%; Americana, com 117%; São Carlos, com 76%; Anápolis, com 53%; e Limeira, com 43%.
Goiânia também se destaca nesse novo mapa. A cidade se consolidou como a segunda maior origem de buscas de frete na plataforma, superando capitais importantes do Sul e do Sudeste. Atualmente, as cinco cidades com maior número de usuários ativos são São Paulo, Goiânia, Guarulhos, Curitiba e Belo Horizonte.
Para o Transvias, o movimento reflete uma logística cada vez mais descentralizada, com mercadorias partindo de novos polos produtivos e chegando a um número maior de cidades.
“Durante muito tempo, o transporte brasileiro foi analisado principalmente pelos fluxos entre as grandes capitais. Os dados mostram que esse mapa está mudando. Cidades médias e polos industriais do interior passaram a produzir, consumir e distribuir mercadorias em uma escala maior”, afirma Célio, porta-voz do Transvias.
Novos fluxos entre as regiões
Além do crescimento das cidades do interior, o levantamento identificou rotas fora dos principais eixos tradicionais ganhando relevância.
Entre os trajetos que apresentaram maior avanço estão:
- Belo Horizonte, em Minas Gerais, para Salvador, na Bahia: crescimento de 61%;
- São Paulo, em São Paulo, para Serra, no Espírito Santo: crescimento de 59%;
- Foz do Iguaçu, no Paraná, para São Paulo: crescimento de 57%.
O surgimento desses fluxos indica que a demanda por transporte está se tornando mais diversificada. Para embarcadores, isso amplia a necessidade de encontrar transportadoras que atendam destinos específicos. Para as empresas de transporte, o movimento exige maior capilaridade e a formação de redes regionais.
“A expansão para cidades menores cria oportunidades, mas também aumenta a complexidade da operação. Nem sempre uma única transportadora consegue atender todo o percurso. Por isso, parcerias regionais e operações de redespacho estão se tornando mais importantes”, explica Célio.
O redespacho acontece quando mais de uma transportadora participa da movimentação da mesma carga. Uma empresa pode realizar o trecho entre dois grandes centros, enquanto uma parceira regional assume a distribuição para cidades menores.
Segundo o Transvias, esse modelo é particularmente relevante nas entregas destinadas ao Norte, ao Nordeste e a municípios mais distantes dos grandes centros de distribuição.
São Paulo ainda lidera
Apesar da interiorização, o estado de São Paulo continua ocupando uma posição central na logística nacional. Atualmente, concentra 46,5% dos usuários ativos do Transvias.
Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul completam o grupo dos cinco estados com maior presença. Juntos, os dez primeiros estados do ranking representam 86,9% da base nacional de usuários ativos da plataforma.
As rotas com maior volume de consultas também demonstram a força de São Paulo como ponto de origem:
- São Paulo para Rio de Janeiro;
- São Paulo para Fortaleza;
- São Paulo para Manaus;
- São Paulo para Recife;
- São Paulo para Salvador.
O cenário, portanto, não indica perda de importância dos grandes centros. A transformação está na ampliação da quantidade de cidades que participam ativamente da produção, da distribuição e do consumo.
“O que estamos vendo não é o desaparecimento dos grandes eixos, mas a formação de um mapa mais complexo. São Paulo continua exercendo um papel central, enquanto novos polos passam a alimentar e complementar essa rede”, observa o porta-voz.
Consultas funcionam como termômetro de intenção
O Transvias processa entre 95 mil e 100 mil consultas de frete por mês. Nos últimos 12 meses, foram registradas 1.213.107 consultas na plataforma.
Como as empresas normalmente precisam pesquisar e planejar o transporte antes de movimentar a mercadoria, a evolução das buscas pode ajudar a identificar tendências do mercado.
Quando uma cidade ou rota começa a receber mais consultas, isso pode sinalizar uma intenção futura de movimentação, relacionada à produção industrial, ao abastecimento do varejo ou à chegada de mercadorias a novos mercados consumidores.
“Uma consulta acontece antes do transporte e, muitas vezes, antes do faturamento da mercadoria. Por isso, sua evolução ajuda a mostrar para onde a atividade logística está caminhando”, conclui Célio.
Sobre o Transvias
O Transvias é uma plataforma especializada na conexão entre embarcadores e transportadoras. Unindo a credibilidade de uma empresa tradicional à inovação e inteligência de dados com alma de startup, a empresa processa entre 95 mil e 100 mil consultas de frete por mês, ultrapassando a marca de 1,2 milhão de buscas nos últimos 12 meses.
Sua base tecnológica permite localizar transportadoras por rotas, regiões e características da operação, antecipando tendências e facilitando o encontro entre quem precisa movimentar mercadorias e os melhores prestadores de serviços do país.
Metodologia
O levantamento foi elaborado pelo Transvias a partir da análise do comportamento de sua base de usuários e das buscas de frete registradas na plataforma durante o período de 01/08/2025 a 26/08/2026. Os percentuais comparam os resultados desse intervalo com o período imediatamente anterior, de 01/08/2024 a 26/08/2025. Os dados refletem o universo de utilização da plataforma e não representam a totalidade do mercado brasileiro de transporte rodoviário de cargas.


