17/09/2026 04h56
Morta atropelada ao sair de festa passa a integrar lista de feminicídios
Caso de agosto foi reclassificado após começar como homicídio culposo no trânsito
Por Gustavo Bonotto e Helio de Freitas, de Dourados
A morte de Wandete Góis da Silva, de 58 anos, atropelada pelo próprio marido em 2 de agosto na BR-463, passou a ser contabilizada como feminicídio pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A mudança elevou para oito o número de casos registrados naquele mês e para 27 o total no Estado em 2026.
A alteração aparece no painel da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), que agora registra uma morte a mais em agosto. Wandete passa a ocupar a 20ª posição na ordem cronológica dos casos.
Com a atualização, os 27 feminicídios de 2026 estão distribuídos entre janeiro (2), fevereiro (2), março (4), abril (3), maio (1), junho (1), julho (5), agosto (8) e setembro (1).
O registro inicial, porém, tratava a morte como homicídio culposo na direção de veículo automotor. O suspeito, de 49 anos, era marido de Wandete e foi preso em flagrante no dia seguinte ao atropelamento, sendo posteriormente colocado em liberdade pela Justiça enquanto a investigação prosseguia.
Wandete morreu no km 102 da BR-463, na região de Sanga Puitã, distante 313 quilômetros de Campo Grande. Ela e o então companheiro haviam participado de uma confraternização de caminhoneiros antes do atropelamento. A perícia encontrou ao lado do corpo um fragmento de plástico que depois foi relacionado ao caminhão conduzido pelo marido.
O veículo foi localizado estacionado em frente à residência do casal, com o para-lamas de uma das rodas do lado esquerdo quebrado. Conforme os documentos da investigação, o exame comparativo apontou que o fragmento recolhido na rodovia pertencia ao caminhão usado pelo rapaz.
Na ocasião, a Polícia Civil considerou inicialmente que o suspeito havia provocado a morte sem intenção e formalizou a prisão com base no crime de trânsito.
O outro lado - O Campo Grande News procurou o advogado do suspeito para comentar a nova classificação, mas ele não respondeu à tentativa de contato telefônico. A reportagem também questionou a Polícia Civil sobre os motivos da mudança, o estágio atual da investigação e a situação do suspeito, mas não obteve resposta no prazo de uma hora.
Veja a lista atualizada:
Nº Nome Idade Data da morte Município
1 Josefa dos Santos 44 anos 16/01 Bela Vista
2 Rosana Candia Ohara 62 anos 25/01 Corumbá
3 Nilza de Almeida Lima 50 anos 22/02 Coxim
4 Beatriz Benevides da Silva 18 anos 25/02 Três Lagoas
5 Liliane de Souza Bonfim Duarte 52 anos 03/03 Ponta Porã
6 Leise Aparecida Cruz 40 anos 06/03 Anastácio
7 Ereni Benites 44 anos 08/03 Paranhos
8 Fátima Aparecida da Silva 58 anos 23/03 Selvíria
9 Marlene de Brito Rodrigues 59 anos 06/04 Campo Grande
10 Vera Lucia da Silva 42 anos 12/04 Eldorado
11 Zelita Rodrigues de Souza 74 anos 26/04 Mundo Novo
12 Fabíola Marcotti 51 anos 18/05 Campo Grande
13 Maria do Carmo de Souza 66 anos 28/06 Naviraí
14 Paula de Souza Conceição 29 anos 11/07 Fátima do Sul
15 Rosenilda de Oliveira Candelário 48 anos 17/07 Nioaque
16 Therezinha Nantes de Arruda 54 anos 27/07 Campo Grande
17 Ana Carolina Goes 45 anos 30/07 Água Clara
18 Adrielle Encarnação Rodrigues 26 anos 31/07 Corumbá
19 Rose Batista Cabreira 41 anos 02/08 Dourados
20 Wandete Góis da Silva 58 anos 02/08 Ponta Porã
21 Adriana Barrios 22 anos 05/08 Paranhos
22 Nathália Rodrigues Nogueira 26 anos 06/08 Rio Verde de Mato Grosso
23 Joseane Oliveira Nunes 33 anos 19/08 Campo Grande
24 Fátima Alves de Matos 54 anos 20/08 Costa Rica
25 Marta Florentino Godoi 40 anos 23/08 Aquidauana
26 Adriele dos Santos 34 anos 29/08 Campo Grande
27 Vera Lúcia Rossate da Cunha 59 anos 16/09 Campo Grande
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