PUBLICIDADE

O sonho que já não precisa ir embora: apoio ao esporte muda trajetórias em MS


PUBLICIDADE
  • mell280

17/09/2026 06h24

O sonho que já não precisa ir embora: apoio ao esporte muda trajetórias em MS

Leonardo Rocha


 Yeltsin Jacques lembra que precisou deixar o Estado para seguir a carreira; hoje, Bolsa Atleta, Jogos Escolares e expansão do paradesporto procuram permitir que uma nova geração permaneça perto da família enquanto busca espaço no alto rendimento.

 

 

 

 

A experiência de Yeltsin Jacques, que precisou deixar Mato Grosso do Sul no início da carreira por falta de apoio, ajuda a mostrar a expansão da política esportiva estadual. Sob a gestão de Eduardo Riedel, o Bolsa Atleta ampliou investimentos, os Jogos Escolares chegaram a 9,9 mil participantes e ações de formação e paradesporto ganharam espaço. Para atletas como Yeltsin e Fernando Rufino, o incentivo representa condições para treinar, competir e permanecer perto da família.
 
Quando começou a se destacar no esporte, em 2012, Yeltsin Jacques percebeu que seu sonho tinha um preço que ia além dos treinos e das competições: para continuar avançando, precisaria deixar Mato Grosso do Sul. Cego e hoje um dos principais nomes do atletismo paralímpico brasileiro, ele recorda um tempo em que permanecer perto da família e, ao mesmo tempo, construir uma carreira de alto rendimento pareciam caminhos incompatíveis.
 
“Na minha época, em 2012, quando comecei a me destacar, tive que ir embora porque não tinha apoio. Hoje a gente tem apoio, pode ficar perto da família”, afirma. Para Yeltsin, essa é uma das mudanças mais significativas produzidas pela ampliação das políticas estaduais de incentivo ao esporte.
 
A experiência do paratleta ajuda a traduzir uma das apostas da política esportiva desenvolvida pelo Governo de Mato Grosso do Sul na gestão de Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição: criar uma trajetória que comece na iniciação esportiva e nos Jogos Escolares e possa chegar ao alto rendimento, oferecendo condições para que talentos formados no Estado tenham menos necessidade de buscar estrutura em outros centros.
 
Yeltsin é um dos beneficiários do Bolsa Atleta MS, coordenado pela Fundesporte. Multicampeão internacional, ele vê no crescimento do programa não apenas um mecanismo para financiar quem já chegou ao topo, mas uma possibilidade para que atletas mais jovens façam um percurso diferente daquele que ele próprio precisou fazer.
 
“O Bolsa Atleta é um programa disruptivo e histórico. Temos atletas olímpicos e paralímpicos, como eu e o Fernando, bicampeões mundiais. É a única bolsa do país que atende também o atleta-guia”, afirma.
 
Do apoio financeiro à estabilidade para competir
 
Para quem vive do esporte de alto rendimento, o impacto da bolsa aparece em despesas muito concretas: viagens, equipamentos, preparação e continuidade dos treinamentos. É assim que Fernando Rufino, referência mundial da paracanoagem e também contemplado na categoria de elite, descreve o benefício.
 
“Não é só receber dinheiro. É a oportunidade de fazer um treinamento de alta intensidade, de alto rendimento, e ter estabilidade financeira para viajar e trabalhar. É a confiança de manter meu alto rendimento”, resume.
 
Rufino atribui parte da continuidade de sua trajetória esportiva a essa estrutura. “Eu sou fruto desse trabalho. Minhas medalhas, minhas conquistas são fruto disso. A bolsa me deu oportunidade”, afirma.
 
O Bolsa Atleta ajuda a revelar como a política esportiva estadual avançou do apoio pontual para uma estrutura com diferentes etapas e categorias. O investimento no programa, que era de R$ 534 mil em 2013/2014, chegou a cerca de R$ 4,3 milhões anuais em 2024/2025.
 
Os valores também foram ampliados e novas faixas foram incorporadas. A bolsa estudantil chegou a R$ 523,10; a nacional, a R$ 993,89; e a destinada a medalhistas olímpicos e paralímpicos alcançou R$ 7.323,40. Foi criada ainda a categoria Pré-Olímpico, com benefício de R$ 3 mil.
 
Mais do que comparar valores separados por uma década, os depoimentos dos atletas mostram onde o dinheiro público encontra a vida cotidiana. Para Yeltsin, significa a possibilidade de a “gurizada”, como ele chama os jovens atletas, não precisar repetir sua partida de 2012. Para Rufino, significa manter rotina de treinamento e condições para competir.
 
A base que começa na escola
 
A política esportiva, porém, não se limita aos atletas que já alcançaram competições nacionais ou internacionais. Uma das principais frentes de expansão ocorreu justamente na base.
 
Os Jogos Escolares de Mato Grosso do Sul passaram de 2,1 mil para 9,9 mil participantes e ampliaram sua presença de 29 para 64 municípios. O avanço também apareceu nos resultados dos Jogos Escolares Brasileiros: entre as meninas, o número de medalhas passou de 12 para 41; entre os meninos, de 11 para 36.
 
É nessa conexão entre escola, identificação de talentos e possibilidade de continuidade que o Governo estadual sustenta o desenho de sua política esportiva. A proposta é evitar que o incentivo apareça apenas quando o atleta já se tornou campeão, criando condições para acompanhá-lo desde as primeiras competições.
 
Riedel afirma que essa mudança de perspectiva também passou pela própria estrutura dos Jogos Escolares.
 
“Desde o início, pensamos o projeto da base até a oportunidade, desde a iniciação até a classificação das escolas e o esporte profissional. As meninas e os meninos viajavam de maneira desgastada e perigosa e hoje chegaram a hotéis, com os Jogos Escolares sendo um evento do Estado inteiro”, disse o governador.
 
A expansão alcançou ainda outros públicos. Programas destinados à Melhor Idade foram reestruturados, com semana intensiva de treinamento, hospedagem e alimentação, enquanto o paradesporto ampliou sua presença nos municípios e passou a reunir iniciativas como Paralimpíadas Escolares de Mato Grosso do Sul, Festival Paralímpico, Festival Surdolímpico e Jogos Abertos Paralímpicos.
 
Atletas sul-mato-grossenses conquistaram três medalhas de ouro e uma de bronze nos Jogos Paralímpicos, resultados que deram maior visibilidade a uma estrutura de formação e incentivo que também procura alcançar quem está distante do alto rendimento.
 
Entre o pódio e a inclusão
 
O esporte estadual também passou a incorporar competições universitárias, eventos regionais e modalidades que ficam fora do circuito de maior exposição pública. Os Jogos Universitários da UEMS foram realizados em Campo Grande, Cassilândia e Mundo Novo. Já os Jogos Abertos de Mato Grosso do Sul reuniram 19 municípios e 777 participantes na fase final de 2025, em Três Lagoas.
 
A política inclui ainda a Copa Quilombola de Futebol e ações de qualificação gratuita de profissionais de Educação Física em diferentes municípios. Esses profissionais integram uma rede que pode ajudar a identificar novos talentos e encaminhá-los para competições e programas de incentivo.
 
Para Riedel, essa estrutura deve ser entendida também como política social.
 
“Tudo o que o esporte tem feito pelo Mato Grosso do Sul é uma âncora de apoio social e uma forma de transformação de vidas, a começar pelas escolas”, afirmou.
 
No futebol, um dos desafios continua sendo recuperar estruturas tradicionais. O governador destacou as obras no Estádio Morenão e afirmou que a intenção é devolvê-lo à operação. “Quando falamos de futebol, não tem como não falar do Morenão. As obras começaram com o auxílio da Federação de Futebol e nós vamos ter o Morenão de volta. Ele precisa estar operacional”, disse.
 
Federações enxergam reflexos do incentivo
 
Para as entidades que organizam modalidades no Estado, a continuidade dos programas de apoio também teve reflexos na formação de atletas.
 
Presidente da Federação Sul-Mato-Grossense de Jiu-Jitsu há 12 anos, Fábio Rocha afirma que acompanhou a expansão da modalidade ao longo desse período e atribui parte desse avanço às políticas iniciadas ainda na administração anterior e mantidas pela atual gestão.
 
“O Bolsa Atleta e o Bolsa Técnico foram pioneiros aqui no Mato Grosso do Sul. Já tive dezenas de atletas contemplados, atletas que não tinham perspectiva para sair de Campo Grande”, afirma.
 
Segundo ele, alguns desses competidores construíram posteriormente carreiras fora do Brasil, em países dos Estados Unidos, Europa e Emirados Árabes. Para Rocha, o incentivo público serviu como impulso inicial para que atletas locais pudessem participar de competições e ampliar suas perspectivas profissionais.
 
O presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, Estevão Petralas, também destaca a importância dos incentivos e bolsas para a sustentação das modalidades e aponta o futebol como instrumento de inclusão social.
 
Os depoimentos das entidades mostram, ao mesmo tempo, um dos desafios para os próximos anos: transformar programas de incentivo em uma estrutura capaz de atravessar gerações, municípios e modalidades, da escola ao alto rendimento, sem depender apenas do surgimento ocasional de grandes campeões.
 
Para Yeltsin Jacques, essa transformação pode ser medida de uma maneira muito mais simples. Antes das medalhas, dos recordes e dos números de participantes, existe a possibilidade de um jovem atleta olhar para o futuro sem considerar a partida como condição inevitável para continuar sonhando.
 
Foi uma escolha que ele não teve quando começou.
 
“É um orgulho muito grande ver a gurizada não precisando sair de Campo Grande, não precisando deixar Mato Grosso do Sul para representar o Estado”, resume.
 
 




PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
  • academia374
  • Nelson Dias12
PUBLICIDADE