17/09/2026 18h46
Setembro Amarelo lança luz sobre suicídio por cegueira
Estudo implica que deficiência visual aumenta em 2,5 vezes mais as chances da cegueira levar a comportamentos suicidas
Em alerta para o Setembro Amarelo, mês de combate ao suícidio, pesquisa realizada pela revista JAMA Network, aponta que pessoas com deficiência visual têm cerca de 2,5 vezes mais chances (ou um aumento de 149% no risco) de apresentar comportamento suicida do que as pessoas sem a enfermidade. A pesquisa do periódico médico, considerado um dos mais importantes do mundo, foi feita com 5.692.769 indivíduos.
Estatísticas consolidadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) também revelam uma dinâmica alarmante: uma pessoa fica cega a cada 5 segundos no planeta. Existem cerca de 43 milhões de pessoas cegas, no mundo.
No cenário nacional, as estimativas da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) indicam que surgem cerca de 550 mil novos casos de cegueira e problemas graves de visão a cada ano no Brasil. Atualmente, o país contabiliza cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas e mais de 6 milhões convivendo com a baixa visão crônica
De acordo com o presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia, Leiser Franco, entre 60% e 80% de todos os casos de cegueira poderiam ser evitados se houvesse acesso a diagnóstico precoce, óculos ou tratamentos cirúrgicos simples (como a operação de catarata).
Ele aponta, ainda, que mesmo se não houver cegueira completa mas perda visual significativa, os cuidados com a saúde mental precisam ser reforçados. “ A visão é um sentido primordial para a vida emocional em equilíbrio. A falha desta, ou a inativação dessa natureza para o ser humano é vista com muita dor e desespero”, diz.
Isso porque quando a perda se consolida, o impacto psicológico reverbera profundamente. “O luto decorrente da cegueira mexe com a autonomia, a identidade e os laços sociais do indivíduo, gerando quadros severos de depressão que, se não acolhidos a tempo, podem evoluir para cenários extremos de isolamento e desesperança”, alerta Leiser Franco.
O suporte psiquiátrico e a reabilitação visual precisam caminhar de mãos dadas desde o primeiro diagnóstico de perda visual irreversível. "A cegueira isola o paciente em um quarto escuro que vai além dos olhos; afeta a alma", pontua Leiser Franco.
Segundo o médico, estruturar uma rede de apoio que valide a dor emocional do paciente cego é tão vital quanto buscar soluções clínicas, ajudando-o a ressignificar sua jornada diária.
Tratamento - Nos cenários em que o dano estrutural já está consolidado, as intervenções cirúrgicas de alta eficácia tornam-se indispensáveis para devolver ou preservar a autonomia dos pacientes.
“O exemplo mais emblemático é a cirurgia de catarata, procedimento rápido e seguro no qual o cristalino opaco é removido e substituído por uma lente intraocular artificial, restaurando a visão”, diz Leiser.
Ele explica, adicionalmente, que técnicas cirúrgicas modernas também abrangem as cirurgias refrativas a laser para eliminação de graus elevados, procedimentos de retinopexia para conter o descolamento da retina e microcirurgias filtrantes para casos graves de glaucoma resistentes a medicamentos, consolidando a medicina diagnóstica e corretiva como o pilar central para zerar a cegueira evitável.
![]() Presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), Leiser Franco, alerta sobre depressão e risco de suicídio com a perda da visão |




