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20/09/2026 08h39
Na “euforia da terra”, gaúchos migraram para MS com costelada e fandango
A cada mês de setembro, a tradição se intensifica com a Semana Farroupilha
Por Aline dos Santos
Em 1976, quando tinha 14 anos, o gaúcho Josceli Pereira migrou com a família do Rio Grande do Sul para o então Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul.
A jornada de Josceli, de 63 anos, secretário do CTG (Centro de Tradições Gaúchas) Tropeiros da Querência, em Campo Grande, revive o maior movimento migratório dos gaúchos para Mato Grosso do Sul, ocorrido na década de 1970. Neste domingo (dia 20), é comemorado o Dia do Gaúcho, data que encerra os festejos da Semana Farroupilha.
“Viemos naquela euforia da terra. Vim porque tinha 14 anos e foi uma decisão da família. Aqui, conheci uma gaúcha, casei e os meus dois filhos nasceram em MS, com muito orgulho. Sou sul-mato-grossense documentado, recebi o título de cidadão e ninguém mais me tira daqui. Adoro Mato Grosso do Sul, aqui encontrei a terra certa”, afirma Josceli.
Na bagagem dos gaúchos, vieram a costelada de fogo de chão e o fandango que se bailava nos galpões.
“A costela é o principal ponto de ligação dos gaúchos com os sul-mato-grossense. O gaúcho tem hábito de assar a costela no fogo de chão. São três, quatro horas fazendo o fogo em volta da costela, deixando saborosa e macia”.
Os gaúchos registraram várias ondas migratórias, como em 1940, mas a maior data de 1970. “As pessoas migraram por conta da lavoura. A gauchada veio porque as terras eram baratas. São Gabriel do Oeste foi fundada por gaúchos. Vieram em busca de terra boa e pela proximidade, MS está a 1.200 km da divisa do Rio Grande do Sul. A gauchada se casou por aqui, com a mistura bonita que tem hoje. Os filhos continuam cultivando a tradição de tomar chimarrão, do churrasco”, diz Josceli.

Baile na noite de sábado no CTG Tropeiros da Querência, em Campo Grande. (Foto: Reprodução)
A cada mês de setembro, a tradição se intensifica com a Semana Farroupilha, que rememora a Guerra dos Farrapos, também chamada de Revolução Farroupilha. A data é lembrada por gaúchos espalhados pelo mundo, com programação que se estende de 12 a 20 de setembro.
“Para o gaúcho, a data é marcante em razão da Guerra dos Farrapos, que aconteceu há quase 200 anos, quando o Rio Grande do Sul estava insatisfeito com a tributação do charque”.
O produto vindo da Argentina e do Uruguai tinha menor taxa, provocando a revolta dos gaúchos, que também produziam charque.
No conflito armado, registrado entre 1835 e 1845, o Rio Grande do Sul se separou do Brasil, que vivia a época do Império, e se tornou a República Rio-Grandense. Após quase dez anos a guerra terminou num tratado de paz.

A costelada de fogo de chão caiu no gosto do sul-mato-grossense. (Foto: Reprodução)
“O Rio Grande do Sul voltou a ter paz, foi incorporado novamente ao Brasil e cessou a guerra. Todo esse acontecimento acabou sendo transformado nisso que nós comemoramos como a Semana Farroupilha. Os gaúchos cultivam essa data como um marco histórico. Onde tem CTG, seja no Japão ou em Campo Grande, é comemorado. Acende a Chama Crioula e durante toda a semana faz a comemoração”.
A programação festiva contou com fandango, estilo musical que reviveu os bailes de galpão, e muito churrasco.
Campo Grande tem dois Centros de Tradição Gaúcha: o CTG Farroupilha, que é de 1962, e o Tropeiros da Querência, inaugurado em 1990.


