- mell280
22/09/2026 07h45
Ensino superior não impede diferença salarial de mais de 2,5 vezes, aponta Sim Carreira
Análise com base no Novo CAGED mostra que, entre profissionais com ensino superior completo ou acima admitidos no mercado formal, os 25% com menores salários receberam até R$ 2.001, enquanto os 25% mais bem pagos partiram de R$ 5.008
Entre os profissionais com ensino superior completo ou acima admitidos no mercado formal em julho de 2026, a remuneração média foi de R$ 4.560, segundo análise da Sim Carreira sobre os dados do Novo CAGED. A média, no entanto, esconde uma dispersão relevante: considerando as 196.029 admissões com salário informado no período, os 25% com menores remunerações receberam até R$ 2.001, enquanto os 25% mais bem pagos partiram de R$ 5.008.
A diferença entre os dois grupos passa de 2,5 vezes e mostra que o diploma de ensino superior, isoladamente, não define o patamar salarial do profissional no mercado formal. Mesmo dentro do mesmo recorte de escolaridade, fatores como setor de atuação, região, função e senioridade ajudam a explicar parte relevante da diferença entre remunerações.
O ranking de remuneração média por setor do Novo CAGED reforça essa leitura. Setores como Indústrias Extrativas, com média de R$ 10.963, e Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais, com R$ 9.983, pagam mais do que o dobro da média geral do recorte. Na outra ponta, Artes, Cultura, Esporte e Recreação, com R$ 2.087, e Educação, com R$ 2.287, registram remunerações médias próximas ao piso da distribuição salarial entre profissionais com ensino superior completo ou acima.
Para a Sim Carreira, o dado reforça que a qualificação acadêmica funciona como fator importante de entrada no mercado formal, mas não garante, isoladamente, uma remuneração acima da média. A leitura por setor indica que a área de atuação segue sendo um dos principais fatores de diferenciação salarial entre profissionais com o mesmo nível de escolaridade.
“Ter ensino superior completo abre portas no mercado formal, mas não fecha, sozinho, a conta do salário. A diferença de mais de duas vezes entre quem está na base e quem está no topo da distribuição mostra que setor, região, função e senioridade continuam pesando tanto quanto o diploma na hora de definir a remuneração”, avalia Thiago Melo, CEO da Sim Carreira.
O resultado também reforça a importância de profissionais e empresas observarem remuneração por setor, função e senioridade, já que a variação entre áreas pode ser mais determinante do que o nível de escolaridade isolado. Para profissionais em início de carreira ou em transição, o dado ajuda a mostrar que a escolha de área e trajetória pode ter impacto relevante na remuneração. Para empresas, evidencia a importância de calibrar faixas salariais com base no mercado real de cada função.
Principais achados
- A remuneração média das admissões com ensino superior completo ou acima foi de R$ 4.560 em julho de 2026.
- A análise considera 196.029 admissões com salário informado no Novo CAGED.
- Os 25% com menores remunerações receberam até R$ 2.001.
- Os 25% mais bem pagos partiram de R$ 5.008.
- A diferença entre as duas pontas da distribuição passa de 2,5 vezes.
- Indústrias Extrativas registrou remuneração média de R$ 10.963, mais do que o dobro da média do recorte.
- Artes, Cultura, Esporte e Recreação registrou média de R$ 2.087, próxima ao piso da distribuição.
Sobre o Employment Pulse
O Employment Pulse é um relatório mensal da Sim Carreira que analisa dados públicos do Novo CAGED para acompanhar a dinâmica do emprego formal no Brasil. O estudo observa admissões, desligamentos, saldo de vagas, pressão de contratação, setores, regiões, salários e recortes de escolaridade, transformando dados públicos em inteligência de mercado de trabalho. Os dados desta edição consideram exclusivamente profissionais com ensino superior completo ou acima, referentes a julho de 2026.
Sobre a Sim Carreira
A Sim Carreira é uma consultoria de recrutamento estratégico, headhunting e inteligência de mercado de trabalho. A empresa produz análises sobre contratação, demanda por talentos e tendências do mercado brasileiro, apoiando organizações na tomada de decisão sobre pessoas e crescimento.


