25/09/2026 05h06
Produção de DDG pode superar 15 milhões de toneladas até 2030 no Brasil
Expansão do etanol de milho fortalece a nutrição animal, amplia as exportações e cria novas oportunidades de investimento
A produção brasileira de DDG, sigla em inglês para Dried Distillers Grains, ou grãos secos de destilaria, pode superar 15 milhões de toneladas até 2030. A projeção da União Nacional do Etanol de Milho acompanha o crescimento das biorrefinarias e aponta uma nova frente de negócios na cadeia do grão.
Obtido durante a fabricação do etanol de milho, o DDG é utilizado principalmente na alimentação de bovinos, aves e suínos. Rico em proteína e energia, o ingrediente amplia as fontes de receita das usinas e abastece as indústrias de nutrição animal e de rações.
“A expansão do etanol de milho está criando uma cadeia que vai além do combustível. O grão também gera óleo e ingredientes para a alimentação animal, aumentando o aproveitamento da matéria-prima e a geração de valor”, afirma Ágata Turini, CEO da Fertron e diretora estadual do CIESP-SP.
China impulsiona exportações brasileiras
O crescimento da oferta começa a ganhar espaço no mercado internacional. A China iniciou as compras de DDG brasileiro em fevereiro de 2026 e importou 262,1 mil toneladas até junho, tornando-se o principal destino das exportações nacionais no período.
O Chile também autorizou a entrada do produto brasileiro em 2026. A abertura de novos mercados amplia a demanda pelo ingrediente e aumenta sua participação nos resultados das biorrefinarias.
“O DDG deixa de ocupar uma posição secundária e passa a contribuir diretamente para a rentabilidade das plantas. Esse mercado também movimenta armazenagem, logística, automação e controle de processos”, explica Ágata.
Eficiência alimentar pode reduzir custos
A industrialização do milho também avança com tecnologias que aumentam o aproveitamento nutricional do grão. Entre elas está a floculação, processo que utiliza vapor em alta temperatura e compressão por rolos para modificar a estrutura do amido e facilitar sua digestão pelos animais.
De acordo com o professor Luiz Gustavo Nussio, da Esalq/USP, a digestibilidade do amido pode alcançar entre 90% e 95% no milho floculado. No milho processado de forma convencional, esse índice fica próximo de 80%.
O desempenho depende da composição da dieta, do manejo, da genética dos animais e das condições de processamento. Ainda assim, um melhor aproveitamento do alimento pode reduzir o volume necessário para a produção de carne e melhorar os resultados econômicos dos confinamentos.
“Em operações de grande escala, pequenas variações na conversão alimentar têm impacto nos custos. A análise passa a considerar não apenas o preço da tonelada de milho, mas quanto resultado ela pode gerar”, destaca Ágata.
Nova cadeia atrai investimentos industriais
A expansão do setor pode estimular a instalação de unidades de processamento, fábricas de ração próximas às biorrefinarias e projetos integrados de produção agrícola, energia e proteína animal. O movimento também deve ampliar a demanda por automação, eficiência energética, controle de processos e infraestrutura logística.
Outra oportunidade está no desenvolvimento de ingredientes padronizados para diferentes segmentos da nutrição animal. O avanço exige investimentos em pesquisa, tecnologia, segurança e adequação às normas de cada mercado.
“O Brasil já possui escala agrícola e uma indústria de biocombustíveis consolidada. O próximo passo é agregar valor ao milho, transformando o grão em energia, ingredientes, proteína e produtos com maior potencial de mercado”, conclui Ágata.
Sobre Ágata Turini
Ágata Turini é CEO da Fertron e diretora estadual do CIESP-SP. Com mais de 15 anos de experiência nos setores industrial, agroindustrial e de bioenergia, é formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Mais informações estão disponíveis no site agataturini.com.br, no Instagram @agata.turini e no LinkedIn.
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