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Menino da Porteira: a história de um clássico que atravessou gerações


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27/09/2026 08h50

Menino da Porteira: a história de um clássico que atravessou gerações

Hosana de Lourdes


Canção de Teddy Vieira e Luizinho ganhou nova dimensão na voz de Sérgio Reis e se transformou em um dos maiores símbolos da música sertaneja

 

 

Poucas músicas conseguiram atravessar tantas gerações e permanecer tão presentes na cultura sertaneja quanto “O Menino da Porteira”. A canção, composta por Teddy Vieira e Luizinho, foi gravada pela primeira vez em 1955, mas ganhou projeção nacional e se tornou um clássico na voz de Sérgio Reis, em 1973. 

 

 

A história contada na música se passa pelas estradas de Ouro Fino, em Minas Gerais, e apresenta a figura de um menino que corria para abrir a porteira para os boiadeiros e pedia, em troca, que tocassem o berrante. A narrativa, marcada pela vida no campo, pela boiada e pela simplicidade do interior, termina de forma trágica e emocionante.

A composição já havia sido registrada por outros artistas, mas foi a interpretação de Sérgio Reis que mudou a trajetória da canção — e também a do próprio cantor.

Um baile de debutantes mudou a história

Sérgio Reis, que vinha da Jovem Guarda, contou em diferentes entrevistas que a decisão de gravar “O Menino da Porteira” nasceu depois de uma apresentação em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro.

Em um baile de debutantes, depois de sua apresentação, um conjunto local começou a tocar a música. O que chamou a atenção do cantor foi a reação da plateia, que cantou junto e demonstrou enorme entusiasmo.

A experiência fez Sérgio perceber a força que aquela música tinha junto ao público. Ele passou a incluí-la em seu repertório e, em 1973, gravou sua própria versão. A música se transformou em um enorme sucesso e marcou a mudança definitiva do artista para o universo sertanejo. (TV Cultura⁠)

“Menino da Porteira” acabou se tornando uma das canções mais importantes da carreira de Sérgio Reis. Décadas depois, o próprio cantor continua tratando a música como uma das mais marcantes de sua trajetória.

Um clássico que ganhou o Brasil

A força da interpretação de Sérgio Reis fez com que a música deixasse de ser apenas uma conhecida composição caipira para se transformar em um verdadeiro símbolo da música sertaneja.

Desde então, “O Menino da Porteira” passou por diferentes gerações de artistas. Tonico & Tinoco, Daniel, Michel Teló e muitos outros nomes já gravaram suas próprias versões. (Rede Globo⁠)

A história também chegou ao cinema. Em 1976, Sérgio Reis protagonizou o filme “O Menino da Porteira”, dirigido por Jeremias Moreira Filho. Mais de três décadas depois, em 2009, a história ganhou uma nova versão, dessa vez com o cantor Daniel no papel principal. (Dicionário Cravo Albin⁠)

Do interior de Minas para os palcos do Brasil

Mais de sete décadas depois de sua primeira gravação, “O Menino da Porteira” continua sendo reconhecida por músicos e pelo público como uma das grandes representantes da música sertaneja de raiz.

A música que nasceu contando uma história de boiadeiros, estrada, berrante e um menino que abria uma porteira ganhou vida própria. Hoje, é presença praticamente obrigatória em rodas de viola, festas sertanejas e shows de artistas do gênero.

E foi justamente isso que Sérgio Reis percebeu naquela noite em Tupaciguara: quando o público inteiro canta junto, uma música deixa de pertencer apenas ao seu autor ou ao seu intérprete e passa a pertencer à memória de um povo.

Cantor Sergio Reis que lembra o Menino da Porteira (Divulgação Cantor)
 
 




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