29/09/2026 05h45
WWW da Ipsos: Preocupação com crime e violência chega a 52% - alta de 5 pontos percentuais em relação a agosto
A edição de setembro do Ipsos What Worries the World mostra um aumento expressivo da preocupação dos brasileiros com crime e violência. A apreensão com o tema amplia sua liderança no ranking e chega a 52%, alta de 5 pontos percentuais em relação a agosto e de 9 p.p. na comparação com setembro de 2025. O avanço ocorre em um contexto no qual os feminicídios, os crimes digitais e outros episódios relacionados à segurança pública mantêm a pauta em evidência no cotidiano e nos noticiários.
No fim de agosto, organizações de 16 estados apresentaram uma agenda nacional com 27 propostas para a segurança pública, com foco em prevenção, redução da letalidade e articulação entre as políticas de segurança e as políticas sociais. Em um ano eleitoral, o tema também ganhou destaque nos programas de governo apresentados pelos candidatos.
A principal mudança na composição das preocupações brasileiras é a ascensão da saúde à segunda posição, com 36%, avanço de 3 p.p. tanto no mês quanto na comparação anual. O movimento ocorre em um momento de maior visibilidade para questões relacionadas ao sistema público de saúde. A campanha de vacinação contra o sarampo e as discussões sobre saúde mental impulsionadas pelo “Setembro Amarelo” também contribuíram para manter o tema em evidência.
Corrupção política e financeira recua para 35%, queda de 3 pontos percentuais nas comparações mensal e anual. 'É importante considerar, no entanto, que o período da coleta de dados foi entre 21 de agosto e 4 de setembro, antes, portanto, dos novos desdobramentos do caso Master", destaca Diego Pagura, CEO da Ipsos.
Pobreza e desigualdade social chegam a 33%, retração de 2 pontos no mês e de 1 ponto percentual em 12 meses. Impostos completam o ranking das cinco maiores preocupações, com 26%, também 2 pontos abaixo do registrado em agosto e no ano anterior.
Na percepção sobre o rumo do país, o movimento permanece instável. Após uma melhora em agosto, o indicador volta a oscilar negativamente. A parcela de brasileiros que acredita que o Brasil está na direção certa cai para 36%, retração de 4 pontos percentuais em relação a agosto e de 5 pontos na comparação anual. Em contrapartida, 64% avaliam que o país está no rumo errado. Com esse resultado, o Brasil fica ligeiramente abaixo da média global de 38% de percepção de direção certa.
A avaliação econômica acompanha essa deterioração. Apenas 30% dos brasileiros descrevem a situação econômica como boa, queda de 5 p.p. no mês e de 7 pontos em 12 meses. Para 70%, a situação é ruim. Essa percepção contrasta parcialmente com o crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre, divulgado no início de setembro. O resultado, no entanto, representou uma desaceleração em relação à alta de 1,1% registrada no primeiro trimestre e foi acompanhado por uma queda de 0,4% no consumo das famílias. A indústria cresceu apenas 0,1%, e os serviços avançaram 0,2%, indicando que o crescimento agregado ainda não se traduziu necessariamente em uma percepção mais favorável no cotidiano da população.
Entre os países do continente americano, nos Estados Unidos, a inflação permanece como principal preocupação e sobe para 45%, alta de 2 pontos no mês e de 3 pontos no ano. O destaque negativo fica com a percepção sobre o rumo do país: apenas 27% dos norte-americanos acreditam que os Estados Unidos estão na direção certa, queda de 13 pontos em 12 meses. Trata-se do pior resultado do continente e de um dos cinco mais baixos entre os 30 países pesquisados. Outro ponto de atenção é que apenas 29% avaliam positivamente a economia, recuo anual de 14 pontos.
Na Argentina, o desemprego reforça sua liderança e alcança 61%, alta de 6 pontos no mês e de 15 pontos na comparação anual. Crime e violência também registram uma subida expressiva, de 8 pontos percentuais em apenas um mês, chegando a 41%. A percepção de direção certa permanece em 39%, mesmo percentual do mês anterior, mas 8 p.p. abaixo do resultado de setembro de 2025.
Na Europa, o pessimismo permanece forte. Na França, onde a inflação é apontada como a principal preocupação, a percepção sobre o rumo do país é a mais negativa entre todos os países analisados: apenas 11% acreditam que a França está na direção certa, enquanto somente 10% avaliam positivamente a situação econômica.
A Alemanha segue trajetória semelhante, com apenas 14% da população acreditando que o país está no rumo certo. O dado foi coletado antes das eleições regionais realizadas em setembro, cujos resultados ampliaram a pressão política sobre o governo. Por isso, seus possíveis efeitos sobre a percepção dos alemães poderão aparecer melhor na próxima edição da pesquisa.



