- mell280
05/10/2026 06h23
O que define o retorno do fertilizante depois da compra
Com boa parte dos insumos já contratada, produtor entra na fase de transformar nutrição em resultado por hectare
Com boa parte dos fertilizantes já adquirida para a próxima safra, o foco do produtor começa a mudar. Agora, o desafio é garantir que esse investimento se traduza em produtividade no campo. O tema ganha relevância em um momento em que o planejamento das principais culturas brasileiras avança em ritmos diferentes. Cerca de 90% dos fertilizantes necessários para a soja 2026/27 já foram comprados, segundo estimativa da Agrinvest, enquanto as aquisições para o milho 2027 estão em aproximadamente 45%. Juntas, soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% do consumo nacional de fertilizantes, de acordo com o Ministério da Agricultura. Nesse cenário, mais do que acompanhar o preço dos insumos, o desafio passa a ser maximizar o retorno de cada hectare cultivado.
"Depois da compra dos fertilizantes, começa uma etapa tão importante quanto a negociação dos insumos: garantir que eles sejam utilizados da forma mais eficiente possível. Isso exige conhecer as características do solo, as necessidades da cultura e as condições de manejo da área. Quando a nutrição é planejada de forma estratégica, aumenta-se o potencial de produtividade e o retorno sobre o investimento realizado" , afirma Luis Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, empresa especializada em produtos biológicos, nutrição e tecnologia de aplicação para lavouras.
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou 7,4% menos fertilizantes em volume do que no mesmo período de 2025, enquanto os gastos com as compras externas cresceram 7,3%, chegando a US$ 8,8 bilhões. O movimento mostra como preço, oferta internacional e câmbio continuam influenciando a formação dos custos no campo.
Nesse contexto, o custo por tonelada é apenas uma parte da conta. A análise passa também pela quantidade de nutrientes necessária para cada área, pelas características do solo e pela capacidade da planta de aproveitá-los. “Uma mesma quantidade de fertilizante pode ter resultados diferentes dependendo do histórico do talhão, do manejo adotado e das condições encontradas durante o desenvolvimento da cultura”, avalia Schiavo.
Outro ponto é que a estratégia não termina com a aplicação. O acompanhamento da lavoura permite identificar se o planejamento nutricional está respondendo às condições reais do campo e, quando necessário, ajustar o manejo. “Nutrição não deve ser tratada como uma etapa isolada. Ela precisa estar conectada ao manejo da propriedade e ao acompanhamento da lavoura, porque o potencial produtivo depende de uma combinação de fatores”, explica o executivo.
A diferença entre culturas também mostra que o cronograma de cada uma segue em momentos distintos. Enquanto a soja 2026/27 já entra no plantio com grande parte das necessidades de fertilizantes contratada, a segunda safra de milho de 2027 ainda tem cerca de 55% das compras em aberto, segundo a Agrinvest. Para quem já garantiu os insumos, a atenção agora se volta para a execução, com diagnóstico do solo, equilíbrio nutricional, estratégia de aplicação e acompanhamento do desenvolvimento da cultura, enquanto crédito, clima, janela de plantio e expectativa de área ainda podem influenciar as decisões para o milho nos próximos meses.
"Em um cenário em que cada investimento precisa ser bem aproveitado, o mais importante não é apenas quanto o produtor pagou pelo fertilizante, mas qual retorno esse insumo pode gerar na lavoura. O manejo adequado é o que transforma esse investimento em produtividade", conclui o CEO da Naval Fertilizantes.
Sobre a Naval Fertilizantes
Criada em 2014, em Campo Novo do Parecis (MT), a Naval Fertilizantes é uma empresa especializada em produtos biológicos, nutrição e tecnologia de aplicação para as lavouras de soja, milho, milho pipoca, arroz, feijão, algodão, girassol, cana de açúcar e pastagens. Em junho/2024, a marca entra para o franchising com o objetivo de expandir o negócio. Em cinco anos, a meta é chegar a mais de mil unidades, em todas as regiões agrícolas do país e faturar acima de R$ 2 bilhões.
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