- mell280
06/10/2026 12h32
Último Tango
Há jogadores que passam pelo futebol. Há jogadores que fazem história. E há aqueles que se transformam em parte da identidade de uma seleção, de um país e de uma geração.
Hoje, a Argentina se despede de Lionel Messi.
No Monumental de Buenos Aires, diante de sua gente, o camisa 10 fará nesta terça-feira, 6 de outubro, contra Benín, seu último jogo com a camisa da seleção argentina. Depois de mais de duas décadas, chega ao fim uma história que começou ainda nas categorias de base e que levou Messi ao topo do futebol mundial.
E é impossível falar dessa despedida sem lembrar de outro gigante.
A Argentina teve sua era Maradona. Teve em Diego Armando Maradona o símbolo de uma geração, o homem que carregou a camisa 10 e colocou o país no topo do mundo em 1986.
Depois, a Argentina teve sua era Lionel Messi.
E talvez essa seja a maior dimensão do legado que Messi deixa: ele não veio para apagar Maradona. Veio para escrever sua própria história.
Foram 207 partidas, 125 gols e 66 assistências pela seleção, números que o colocam como o jogador com mais presenças e o maior goleador da história da Argentina. Mas números, por maiores que sejam, ainda parecem pequenos diante do que Messi representou.
Vieram as lágrimas das derrotas, as críticas, as finais perdidas e a cobrança de um país apaixonado por futebol. Vieram também a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024.
Messi finalmente levantou as taças que durante tantos anos pareceram escapar de suas mãos.
E foi justamente aí que sua história ganhou outra dimensão.
O menino que deixou Rosário para construir uma carreira extraordinária na Europa voltou a ser, definitivamente, patrimônio da Argentina. O craque que durante anos foi comparado a Maradona passou a ser comparado apenas consigo mesmo.
Hoje, porém, não importa comparar.
Maradona foi Maradona.
Messi foi Messi.
Dois gênios, duas épocas, duas maneiras de interpretar o futebol argentino. Dois camisas 10 que ultrapassaram as quatro linhas e se transformaram em símbolos nacionais.
O último tango de Messi será em casa. No Monumental. Com a camisa que ele vestiu por mais de 20 anos e diante de uma torcida que aprendeu a amá-lo, a cobrá-lo, a sofrer com ele e, finalmente, a celebrar com ele.
Talvez seja por isso que a noite desta terça-feira não seja apenas sobre futebol.
Será sobre memória.
Sobre gratidão.
Sobre o fim de uma era.
Messi vai embora da seleção argentina deixando um legado que faria inveja a qualquer atleta: títulos, recordes, gols, assistências, momentos inesquecíveis e, acima de tudo, a sensação de que uma geração teve o privilégio de assistir a um dos maiores jogadores de todos os tempos.
O placar de Argentina x Benín pouco importa diante de tudo o que será vivido no Monumental.
Porque hoje não é apenas o último jogo de Messi.
É o último tango.
E depois que a música parar, ficará a lembrança de um camisa 10 que fez a Argentina voltar a sorrir, acreditar e levantar a taça do mundo.
Obrigado, Messi.
O futebol argentino nunca mais será exatamente o mesmo.



