- mell280
14/10/2026 12h59
Startup brasileira aposta em inteligência meteorológica para tornar a previsão do tempo mais precisa para empresas e produtores rurais
Desenvolvida pela Cachola Tech, solução combina sensores próprios e informações climáticas para ampliar a precisão local e contribuir para o planejamento de diferentes setores da economia
Em setores nos quais as condições climáticas influenciam custos, produtividade e riscos operacionais, informações meteorológicas mais precisas podem fazer diferença nas decisões de negócio. É nesse cenário que a brasileira Cachola Tech desenvolveu o Astrus, uma plataforma de inteligência meteorológica que busca aproximar a previsão do tempo das necessidades de empresas, produtores rurais e gestores públicos.
A proposta é ampliar a granularidade das informações meteorológicas, avançando de previsões abrangentes por cidade ou região para dados cada vez mais próximos do local onde uma decisão precisa ser tomada. A tecnologia pode abrir possibilidades de aplicação em mercados que dependem das condições do tempo para planejar operações, administrar riscos e otimizar recursos.
Criado pelo engenheiro Jardhel Cachola, fundador da Cachola Tech, o Astrus já permite consultar gratuitamente previsões meteorológicas pelo navegador. O usuário pode pesquisar uma cidade ou utilizar sua localização para acompanhar informações como temperatura, umidade e probabilidade de chuva.
O próximo passo é ampliar a capacidade de monitoramento local por meio de uma rede própria de pequenas estações meteorológicas, chamadas MAJU. Com cerca de 10 centímetros e conexão Wi-Fi, os dispositivos foram projetados para coletar dados de temperatura, umidade, pressão atmosférica e chuva em diferentes pontos geográficos.
“A informação meteorológica tem impacto direto em decisões que envolvem produtividade, custos e gestão de riscos. Nosso objetivo é aproximar esses dados da realidade de cada local, para que possam ser mais úteis no planejamento das operações e na tomada de decisão”, afirma Cachola.
Dados climáticos como ativo estratégico para diferentes mercados
No agronegócio, informações meteorológicas mais localizadas podem contribuir para decisões relacionadas à irrigação, à pulverização e à prevenção de eventos climáticos adversos. Ao considerar as condições de áreas específicas de uma propriedade, produtores podem ter mais elementos para planejar atividades e administrar recursos.
O potencial de aplicação também se estende ao mercado de seguros, em que dados climáticos podem ajudar a compreender a exposição a determinados riscos, e à logística, setor no qual chuvas intensas e outras condições meteorológicas podem afetar rotas, prazos e custos operacionais. Nas cidades, o monitoramento local pode contribuir para a análise de chuvas fortes e de áreas suscetíveis a alagamentos.
Essas possibilidades colocam os dados meteorológicos hiperlocais no cruzamento entre tecnologia, inteligência de dados e gestão de riscos. Para empresas que dependem de condições ambientais, o desafio não é apenas saber qual será a previsão do tempo, mas entender como ela pode afetar uma operação específica.
A estratégia do Astrus é combinar as informações captadas pelas estações MAJU com dados meteorológicos públicos e outras fontes. A expectativa é que a ampliação da rede aumente a disponibilidade de informações sobre variações locais, permitindo identificar diferenças entre microclimas.
“Uma previsão para uma cidade inteira não significa que as condições serão iguais em todos os bairros ou propriedades. Uma estação permite observar um ponto específico; uma rede distribuída pode ajudar a construir uma visão mais detalhada do território. Isso cria novas possibilidades para transformar dados meteorológicos em informação relevante para diferentes atividades econômicas”, diz o fundador.
Expansão da infraestrutura e oportunidades de aplicação
A evolução do Astrus depende da ampliação da rede de sensores e da capacidade de integrar diferentes fontes de informação. A camada hiperlocal ainda está em desenvolvimento e deverá avançar conforme os equipamentos forem instalados e a cobertura de monitoramento crescer.
Neste estágio, a plataforma utiliza dados meteorológicos públicos. A proposta é complementar as informações disponíveis, e não substituir os serviços de previsão e os alertas oficiais emitidos pelos órgãos competentes.
O desenvolvimento também reflete uma estratégia de criação de tecnologia própria que possa ser aplicada a diferentes problemas. Fundada em 2025, a Cachola Tech trabalha com inteligência artificial, dados, automação e engenharia para desenvolver soluções tecnológicas. A empresa prepara sua expansão internacional a partir da Holanda.
Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Jardhel Cachola aposta na integração entre infraestrutura, software e análise de dados para ampliar as possibilidades de uso da tecnologia.
“O Astrus é um exemplo de como dados que já existem podem ganhar novas aplicações quando combinados com tecnologia e informações coletadas diretamente no território. Queremos reduzir a distância entre a previsão meteorológica e a realidade de cada local, criando uma base de informação que possa apoiar decisões mais bem fundamentadas”, conclui.




