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Faturar mais não significa aumentar a margem, aponta estudo


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22/10/2026 09h57

Faturar mais não significa aumentar a margem, aponta estudo

Gabrielle Pepato


Índice Quanto Sobra 2026, da Conta Azul, compara seis tipos de operação e mostra que custos de mercadoria, folha e estrutura pesam mais na rentabilidade do que o Simples Nacional

Faturar R$ 35 mil por mês não significa terminar o mês com o mesmo resultado. Dependendo do modelo de negócio, a parcela que efetivamente sobra na empresa pode ser 2,5 vezes maior ou menor. É o que mostra o Índice Quanto Sobra 2026, da Conta Azul, que compara seis tipos de operação a partir de dados públicos do IBGE e da legislação do Simples Nacional.

Entre as operações analisadas, o serviço recorrente (escritório de contabilidade, software house, consultoria em gestão e escola de idiomas) é o que apresenta a maior sobra proporcional: 33,8% do faturamento. Na outra ponta está o comércio B2C (mercadinho, padaria, farmácia, loja de roupas, restaurante, bar e lanchonete), com 13,4%. 

Entre os dois estão serviço avulso de obra (construtora, empreiteira de infraestrutura, instalações elétricas e hidráulicas e acabamento), com 21,7%, indústria (fábrica de móveis, confecção, metalúrgica pequena, fábrica de alimentos e gráfica), com 21%, serviço avulso de conserto (oficina mecânica, assistência técnica de celular e informática e conserto de eletrodomésticos), com 18,4%, e comércio B2B/atacado (distribuidora de bebidas, atacadista de alimentos e distribuidora de autopeças), com 18,2%.

Em valores, considerando uma empresa com faturamento mensal de R$35 mil, a diferença é significativa. No modelo de serviço recorrente, a sobra estimada é de R$11.831 por mês, enquanto no varejo chega a R$4.682. O índice considera “sobra” o resultado que permanece na empresa depois do pagamento de fornecedores, funcionários, impostos, custos operacionais e retirada do dono.

A experiência de Jonnis Biazon, sócio da HTS Tecnologia Industrial, ajuda a traduzir esse cenário na prática. Em um dos meses de maior faturamento da empresa, que atua há 28 anos na manutenção de máquinas CNC, a receita chegou a R$ 800 mil, mas apenas R$ 5 mil permaneceram no caixa depois de todos os custos. Hoje, com faturamento médio de cerca de R$ 200 mil por mês, a empresa tem sete funcionários e custos fixos de aproximadamente R$ 140 mil mensais, além de outras despesas. “O custo fixo nunca abaixa, sempre aumenta. Você pode aumentar a receita, mas, em contrapartida, aumenta o custo”, afirma Jonnis.

É essa diferença entre faturamento e resultado que está no centro da campanha “Quanto Sobra?”, primeira ação de marca massiva da Conta Azul, que leva essa discussão para as ruas de São Paulo e Joinville. Em peças de mídia exterior que reproduzem extratos e demonstrativos em escala monumental, a empresa mostra o que acontece com o dinheiro que entra antes de chegar ao saldo final.

A pesquisa mostra que a estrutura da operação é determinante para explicar essa diferença. No serviço recorrente, por exemplo, não há custo de mercadoria, enquanto no varejo a mercadoria e os custos operacionais consomem 69,9% da receita. No atacado, essa parcela chega a 72,2%. Na indústria, a matéria-prima representa cerca de 43% da receita.

“O faturamento é um indicador importante, mas sozinho não mostra a saúde financeira de um negócio. O que realmente importa para o empreendedor é entender quanto permanece na empresa depois de pagar todos os custos da operação, os impostos e a retirada dos sócios. O Índice Quanto Sobra mostra justamente essa diferença e evidencia que empresas com o mesmo faturamento podem ter resultados muito diferentes dependendo da estrutura e do modelo de negócio”, explica Vinicius Roved, CEO da Conta Azul.

O imposto não é o principal vilão

Outro resultado do índice contraria uma percepção comum entre pequenos empresários. Em um negócio de R$ 35 mil mensais, o Simples Nacional representa entre 6,2% e 9,3% do faturamento nas seis operações analisadas. Já o custo de operar - que inclui mercadorias, folha, encargos e estrutura - varia de 56,9% a 80,4%.

Isso não significa que os tributos sejam irrelevantes, mas mostra que a rentabilidade está fortemente relacionada à própria estrutura da operação. O preço de compra, o peso da folha, o aluguel, a energia, a maquininha e as perdas podem ter impacto maior sobre o resultado do que a guia do Simples.

O estudo também chama atenção para o Fator R nos serviços. A operação de serviço recorrente utilizada no índice apresenta relação de folha, pró-labore e encargos equivalente a 28,16% da receita, praticamente sobre a linha de 28% que influencia o enquadramento tributário entre os Anexos III e V.

Faturar mais não garante uma sobra maior

O índice também mostra que aumentar o faturamento não significa, automaticamente, elevar a proporção que fica na empresa. Na metodologia utilizada, o percentual de sobra diminui gradualmente conforme a receita aumenta, em razão principalmente da progressividade do Simples Nacional.

No serviço recorrente, a sobra estimada passa de 35% nas menores faixas de faturamento para 30,9% na faixa de R$250 mil a R$300 mil mensais. No varejo, varia de 13,7% para 12,6%.

A Conta Azul ressalta que essa leitura descreve o comportamento típico de cada modelo de operação e não o desempenho de uma empresa específica. O índice utiliza a estrutura de custos baseada em pesquisas do IBGE e tributação vigente em 2026.

O estudo foi construído exclusivamente com dados públicos e verificáveis.

Sobre o Índice Quanto Sobra 2026

O Índice Quanto Sobra 2026 analisa seis modelos de operação: serviço recorrente, serviço avulso de obra, indústria, serviço avulso de conserto, comércio B2B/atacado e comércio B2C/varejo. O cálculo utiliza dados das pesquisas anuais do IBGE e a legislação do Simples Nacional vigente em 2026.

O material é de distribuição gratuita e tem caráter informativo. Os percentuais representam o comportamento típico das operações analisadas e não substituem a avaliação individual de uma empresa por profissional de contabilidade.

TABELA MODELOS DE OPERAÇÃO


OPERAÇÃO


ANEXO

EXEMPLO DE EMPRESA

DIVISÕES CNAE

SOBRA DE FATURAMENTO


Serviço recorrente


III

Escritório de contabilidade, software house, consultoria em gestão e escola de idiomas

62,63, 69,70, 82 e 85

33,8%


Serviço avulso de obra


IV

Construtora, empreiteira de infraestrutura, instalações elétricas e hidráulicas e acabamento

41, 42 e 43

21,7%


Indústria


II

Fábrica de móveis, confecção, metalúrgica pequena, fábrica de alimentos, gráfica

10 a 32

21%

Serviço avulso de conserto

III

Oficina mecânica, assistência técnica de celular e informática, conserto de eletrodomésticos

95, 45 (parcial) e 33

18,4%

Comércio B2B/atacado

I

Distribuidora de bebidas, atacadista de alimentos e distribuidora de autopeças

46

18,2%

Comércio B2C/varejo

I

Mercadinho, padaria, farmácia, loja de roupas, restaurante, bar e lanchonete

47 e 56

13,4%

Sobre a Conta Azul

A Conta Azul é uma plataforma brasileira de gestão financeira e fiscal voltada para pequenas e médias empresas e seus contadores. Fundada por Vinicius Roveda, a empresa oferece soluções integradas que conectam, em tempo real, empresários e contadores, simplificando a rotina financeira, automatizando processos e ampliando a capacidade de gestão. Entre suas principais funcionalidades estão o controle financeiro, a emissão de notas fiscais, a conciliação bancária e o suporte à operação de BPO financeiro, permitindo mais eficiência, organização e previsibilidade para empresas e escritórios contábeis.

Saiba mais em: contaazul.com

 

 




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