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Antes de acelerar a inovação, empresas precisam resolver o passado


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03/11/2026 10h35

Antes de acelerar a inovação, empresas precisam resolver o passado

Bárbara Ferreira - Sing Comunicação de Resultados


 

*Ricardo Ferreira

Segundo o estudo nacional HR Strategy, realizado em 2025 pela LG em parceria com a Mercer, 53% das companhias no Brasil pretendem manter os mesmos programas, com alguns ajustes. Embora o levantamento trate de programas de gestão de pessoas, o dado revela algo maior: a resistência estrutural à mudança permeia toda a organização, inclusive a tecnologia.

No ambiente empresarial, a urgência é monotemática: como implementar a Inteligência Artificial, adotar a plataforma de dados do momento ou digitalizar a jornada do cliente na velocidade exigida pelo mercado. Essa corrida do ouro pela inovação desenfreada, contudo, ignora um sintoma crônico dos negócios: a fragilidade das bases sobre as quais essa inovação será construída.

Inovar sobre uma base tecnológica obsoleta é o equivalente a construir uma cobertura de luxo em um prédio com fundações rachadas. A estrutura pode parecer impressionante no curto prazo, mas o colapso é inevitável, pois a verdadeira transformação digital não começa necessariamente na fronteira do futuro. Ela começa com a decisão corajosa de resolver o passado.

No cenário brasileiro, essa miopia estratégica causa a ilusão de que a transformação digital se resume a adquirir ferramentas de ponta e colide frontalmente com a infraestrutura que sustenta a operação real. Manter estruturas do passado intocadas cobra um preço tanto em agilidade quanto em capital, representando um desperdício de recursos que deveriam estar financiando, justamente, a inovação. O peso invisível dos sistemas antigos funciona como uma âncora para a estratégia de negócios. Eles podem limitar a circulação de informações e reduzir a capacidade de resposta da empresa, quando o mercado exige respostas ágeis. A liderança cobra insights preditivos e análises rápidas, mas a operação depende de sistemas que mal conseguem dialogar entre si.

Acima de tudo, toda tecnologia disruptiva exige "dados limpos", fluidos e integrados para gerar valor real. Quando o passado operacional está desorganizado, as novas soluções falham em entregar o retorno sobre o investimento prometido ou, pior, transformam-se em "puxadinhos digitais", isto é, remendos caros que mascaram a obsolescência de fundo sem nunca resolvê-la.

A solução, no entanto, não está no extremo oposto, pois descartar sumariamente toda a infraestrutura legada para recomeçar do zero é uma abordagem financeiramente inviável e operacionalmente irresponsável. O caminho sustentável exige sofisticação e pragmatismo por meio de abordagens inteligentes de modernização, sendo elas automação, migração gradual para a nuvem e integração de sistemas. Na prática, acompanhamos organizações que transformaram centros de serviço inteiros em questão de meses, redesenhando fluxos, integrando plataformas e simplificando o que antes era desnecessariamente complexo.

O caminho mais eficaz que temos observado combina entregas rápidas e uma visão de expansão progressiva: começar pequeno, provar valor e ampliar com inteligência. Esse modelo reduz os riscos políticos e financeiros da modernização e permite que a liderança tome decisões baseadas em resultados reais, e não em promessas de planos de execução.

Modernizar o legado precisa ocupar o centro da agenda do C-level como uma decisão crítica de eficiência, resiliência e sobrevivência de mercado.

A maturidade digital de uma liderança se mede pela sua capacidade de equilibrar o entusiasmo pelo amanhã com a responsabilidade de consertar o ontem. Antes que CEOs, CIOs e CTOs aprovem o próximo orçamento para adquirir a tecnologia mais comentada do mercado, a pergunta fundamental a ser feita nos comitês executivos deve mudar para: “nossa infraestrutura atual realmente suporta o futuro que queremos construir?”

*Ricardo Ferreira é VP & General Manager Latam da DXC Technology 

Sobre a DXC Technology

A DXC Technology é uma parceira líder em tecnologia empresarial e inovação, fornecendo software, serviços e soluções para empresas globais e organizações do setor público. A empresa ajuda seus clientes a aproveitar a IA para impulsionar resultados em um momento de mudanças exponenciais. Com vasta experiência em serviços de infraestrutura gerenciada, modernização de aplicações e soluções de software específicas para o setor, a DXC moderniza, protege e opera alguns dos parques tecnológicos mais complexos do mundo. Saiba mais em dxc.com.

 

 

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