- mell280
04/11/2026 17h43
O 13º mal chegou e já tem destino: quem fica com o dinheiro extra do trabalhador?
Com 81,7% das famílias endividadas e quase 30% da renda comprometida com dívidas, planejamento ajuda a equilibrar contas, gastos de fim de ano e despesas de janeiro
O 13º salário ainda nem caiu por completo na conta, mas já tem uma lista de compromissos à espera: dívidas, parcelas, presentes de Natal e contas que vencem em janeiro. Para quem está com o orçamento apertado, o dinheiro extra pode ser uma oportunidade de colocar as finanças em ordem, desde que não seja consumido antes mesmo de o ano terminar.
O cenário ajuda a explicar esse desafio. Em setembro de 2026, 81,7% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer, enquanto 29,6% estavam com contas em atraso, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No mesmo período, o comprometimento médio da renda com dívidas chegou a 29,6%. Entre as famílias endividadas, 19,4% comprometiam mais da metade da renda com essas obrigações.
Na prática, isso significa que uma parcela importante do dinheiro que entra todos os meses já tem destino definido. Quando chega uma renda extra, como o 13º, a decisão passa a ser como dividir o recurso entre compromissos pendentes, despesas de fim de ano e necessidades futuras.
O benefício também tem peso relevante na economia. Em 2025, o pagamento do 13º salário tinha potencial de injetar R$ 369,4 bilhões no país e beneficiar cerca de 95,3 milhões de brasileiros, com valor médio estimado em R$ 3.512, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
“O 13º costuma ser visto como uma oportunidade de colocar as contas em dia, mas o desafio é fazer esse dinheiro cobrir diferentes compromissos ao mesmo tempo. Quando o orçamento já está apertado, a tendência é priorizar o que parece mais urgente e deixar outras despesas para depois. Por isso, mais do que decidir o que pagar primeiro, é importante ter clareza sobre todas as contas que ainda vão vencer, incluindo as de janeiro. Sem essa visão, o dinheiro extra pode trazer um alívio momentâneo, mas não necessariamente resolver a pressão sobre o orçamento”, afirma Raphael Emerick, CEO da Toku no Brasil.
Como usar o 13º sem comprometer o orçamento de janeiro
Antes de gastar, é importante entender quanto do benefício está realmente disponível e definir prioridades. Emerick, destaca alguns cuidados que podem ajudar o consumidor a tomar decisões mais conscientes:
- Liste todas as despesas: coloque no papel as dívidas, as parcelas a vencer e os gastos previstos para os próximos meses. Inclua contas de início de ano, como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar.
- Priorize as dívidas mais caras: avalie os juros cobrados e dê atenção especial às dívidas que crescem mais rapidamente. Contas atrasadas também merecem atenção para evitar novos encargos.
- Avalie antes de antecipar parcelas: verifique se a antecipação oferece desconto e se a economia compensa. Não vale comprometer todo o dinheiro disponível sem considerar as outras obrigações.
- Reserve uma parte para janeiro: separe os recursos necessários para despesas essenciais e compromissos já previstos antes de decidir quanto poderá gastar com presentes, viagens e lazer.
- Evite transformar o dinheiro extra em novas dívidas: antes de parcelar compras de fim de ano, considere se as prestações caberão no orçamento dos próximos meses, sem depender de outra renda extraordinária.
- Defina o destino do dinheiro antes de gastá-lo: estabeleça quanto será usado para quitar dívidas, quanto ficará reservado para as contas futuras e quanto poderá ser destinado ao consumo. Essa divisão ajuda a reduzir decisões por impulso.
O 13º pode representar uma oportunidade de reorganizar as finanças, mas seu efeito depende das escolhas feitas com o recurso. Planejar os pagamentos e considerar as despesas futuras ajuda a aproveitar o benefício sem transferir o aperto financeiro de dezembro para os primeiros meses do ano seguinte.
Sobre a Toku
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