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No dia do Pescador, profissionais do setor reclamam da falta de incentivos à atividade


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30/06/2011 11h10

No dia do Pescador, profissionais do setor reclamam da falta de incentivos à atividade

Érika Moreira, de Três Lagoas


 “Nunca fiz outra coisa a não ser pescar”, diz o pescador profissional, Argemiro Antonio da Silva, conhecido por Bila, na data em que se comemora o Dia do Pescador – 29 de junho – Dia de São Pedro (Apóstolo de Cristo, que também era um profissional da pesca).

 

Aos 60 anos, 44 dedicados à pesca no Rio Paraná, na região denominada Jupiá, em Três Lagoas, ele participou de muitas mudanças em sua profissão. “Sou do tempo em que o rio era cheio de peixes, no qual com facilidade garantíamos o sustento da família”, conta.

 

Pai de quatro filhos, um deles com a mesma profissão. “O mais velho de meus filhos, de 34 anos, resolveu ser pescador de tanto me acompanhar. Porém quando o de 11 anos cogita em seguir a profissão, eu vou logo dizendo que é um péssimo investimento, pois a novela do pescador profissional já chegou ao fim”.

 

Bila pertence à Colônia de Pescadores Z3, considerada modelo no Estado. Segundo o pescador, as obras compensatórias pela Barragem de Jupiá, no Município, ao invés de auxiliá-los, trouxeram os maiores problemas enfrentados hoje.

 

“Antes, quando era essa época de frio, o rio abaixava de nível porque quase não chovia. Dessa forma, os pescadores garantiam a produção de peixes apesar da baixa temperatura. Atualmente, o rio permanece cheio, mesmo em época seca, devido à
Barragem. Muita gente, que vivia da pesca, desistiu da atividade por causa desta nova realidade”, explica.

 

Antonio de Souza Farias é presidente da Z3. Ele relata que a Colônia também celebra 29 anos nesta quarta-feira (29), mas há pouca coisa para comemorar. “Com os recursos compensatórios da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), pudemos adquirir um caminhão frigorífico, um barco, construir nossa sede e o entreposto pesqueiro (local onde o pescado é tratado e armazenado para comercialização em qualidade compatível com as exigências legais). Contudo, esse espaço, que nos beneficiaria na atividade profissional, nunca foi concluído e os equipamentos raramente são utilizados”, esclarece.

 

De acordo com Antonio, a falta do selo de qualidade, garantido após a preparação da produção pesqueira dos 450 pescadores cadastrados da Colônia, impede a comercialização junto ao comércio local e nas cidades vizinhas.

 

“Hoje, o principal empecilho para que o entreposto funcione é a liberação da licença ambiental do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e de outros documentos que nos habilitariam à venda legalizada. Nossa produção ainda é vendida pelos próprios pescadores nas feiras livres, em suas residências e pelas ruas da Cidade”.

 

Baixa lucratividade

 

A espécie mais apreciada pelo três-lagoense, a piapara, é vendida pelos pescadores, com o preço médio de R$ 6,00. “Há períodos do ano em que esse valor cai para até R$ 3,50. O pescador passa a ter um lucro mínimo, ou em algumas situações, praticamente zero, pois a atividade tem se tornado cada vez mais onerosa. Se o entreposto estivesse funcionando, ele garantiria recursos ao profissional durante essa época de peixes fartos, em que o preço diminui, assim como poderíamos armazená-los até que se consiga venda mais vantajosa”, elucida Antonio.

 

Segundo o vereador Idevaldo Claudino da Silva (PT), a Administração Municipal não tem viabilizado programas disponibilizados pelo Governo Federal para a atividade pesqueira. “O Ministério da Pesca e Aquicultura oferece um leque de opções para o desenvolvimento da pesca com sustentabilidade. Entretanto, os setores da Prefeitura que deveriam estar mais atentos aos recursos disponíveis, parecem não ter interesse pela atividade. A aquicultura da Cidade, que também é conhecida como “Cidade das Águas”, poderia estar bem mais avançada”, contesta.

 

Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico

 

Segundo o secretário Marco Garcia, não há projetos em vista para o setor, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. “Na semana passada começamos a pensar nesse assunto, mas não decidimos nada. Talvez possamos fazer uma parceria com a Secretaria de Meio Ambiente”.

 

Secretaria Municipal de Meio Ambiente

 

A diretora do Departamento de Preservação e Licenciamento Ambiental, Ana Paula Mendes Lima, alega que a Secretaria da qual faz parte é responsável pela manutenção do Meio Ambiente daquela região, mas nada está sendo realizado devido à falta de recursos. “Temos um projeto de recuperação da orla do Rio Paraná, naquela região do Jupiá, mas não há verba para que possamos desenvolvê-lo”.

 

Departamento de Agronegócios

 

Renato Carrato, diretor do Departamento de Agronegócios, Ciências e Tecnologias, assegura que há um projeto sendo desenvolvido. “Temos um plano de ação que garantirá, aos pescadores da Colônia Z3, a conclusão do entreposto pesqueiro. Tempos atrás, solicitamos ao presidente Antonio que formulasse um ofício, com os valores dos custos para colocar o local funcionando. Esse documento foi enviado ao SEBRAE, nosso parceiro, que, em seguida, encaminhou à Petrobrás”, explica.

 

Conforme a declaração de Carrato, a liberação dos recursos para a obra de conclusão foi acordada com a Petrobrás, como verba compensatória pela instalação da Estatal no Município.

 
Para Bila, a atividade de pescador profissional é como uma novela que já teve seu final

“Estamos aguardando a resposta, mas já posso adiantar que a Petrobrás sinalizou que repassará mais dinheiro do que foi pedido para a conclusão do entreposto”, finalizou com o que os pescadores consideraram como um presente pelo seu Dia.





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