29/01/2026 10h02
Laudo pericial aponta lesão contundente na cabeça como causa da morte do cão Orelha
O laudo pericial que apura a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, confirmou que o animal sofreu uma lesão contundente na cabeça após ser agredido. As conclusões foram apresentadas pela Polícia Civil de Santa Catarina durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (27), detalhando os resultados iniciais da investigação sobre o caso que gerou forte comoção na cidade, informa o ND Mais.
De acordo com a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal, a lesão que provocou a morte do cão pode ter sido causada por diferentes tipos de objetos. “Ele teve uma lesão contundente, que pode ter sido causada por um pedaço de pau, garrafa ou outro objeto. Foram lesões na cabeça”, afirmou a delegada durante a coletiva.
As agressões contra Orelha teriam sido cometidas por quatro adolescentes. Segundo a Polícia Civil, mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança da região foram analisadas ao longo da investigação, mas nenhuma gravação registrou diretamente o momento dos maus-tratos.
O cão ainda foi encontrado com vida por moradores da Praia Brava e encaminhado para atendimento veterinário, porém não resistiu. “O cão foi socorrido com vida por moradores e levado ao atendimento veterinário. Ele morreu durante as manobras de salvamento”, explicou a delegada. As agressões ocorreram no início do mês, e Orelha morreu no dia 5 de janeiro.
Além do caso envolvendo o cão Orelha, a investigação revelou outros episódios de maus-tratos praticados pelo mesmo grupo de adolescentes. Conforme relatado por Mardjoli Valcareggi, um outro cão comunitário, conhecido como Caramelo, também teria sido alvo de violência. Segundo a delegada, os jovens costumavam pegar o animal na praia e lançá-lo repetidas vezes ao mar. Imagens de câmeras de segurança mostram um dos adolescentes carregando o cão no colo em direção à água, embora o restante da ação não apareça nas gravações.
Após a repercussão dos episódios, o cão Caramelo foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
No desdobramento do caso, a Polícia Civil indiciou três homens adultos por coação de testemunha. Eles são familiares dos adolescentes investigados pela morte de Orelha. De acordo com Ulisses Gabriel, o inquérito que apura a coação já foi concluído. Entre os indiciados estão um advogado e dois empresários. Dois deles são pais dos adolescentes, e o terceiro é tio de um dos jovens. As apurações sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes seguem em andamento.
O cão Orelha era uma figura conhecida e querida na Praia Brava. Considerado um cão comunitário, ele recebia cuidados constantes de moradores e comerciantes da região, tornando-se parte do cotidiano local. Segundo relatos, os cães da área circulavam livremente, interagiam com moradores e visitantes e acompanhavam pessoas em caminhadas pela praia.
A moradora Carolina Bechelli Zylan descreveu o animal com carinho. “O sol da Praia Brava mesmo em dias nublados”, disse, ao lembrar de Orelha e dos outros cães comunitários. Ela também destacou o impacto emocional da perda. “A dor de perdê-los é muito grande. Entre tantos relatos que escutamos, de pessoas que nem moram aqui, chega a doer. É uma brutalidade sem explicação”, afirmou em entrevista ao ND Mais.
Conhecidos como “Pretinhos da Brava”, os cães comunitários eram considerados dóceis e faziam parte da paisagem da praia, simbolizando a convivência entre moradores, visitantes e os animais que ali encontraram abrigo e afeto.
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