12/02/2026 14h09 - Atualizado em 12/02/2026 17h16
Uso irregular de tirzepatida acende alerta: especialista reforça riscos da automedicação e defende tratamento individualizado da obesidade
Hosana de Lourdes
médico Dr. Anderson Miziara, especialista com atuação nas áreas de obesidade, lipedema, reposição hormonal e envelhecimento saudável.
O médico Dr. Anderson Miziara, especialista com atuação nas áreas de obesidade, lipedema, reposição hormonal e envelhecimento saudável, faz um alerta à população sobre os riscos da automedicação com tirzepatida, sobretudo quando o medicamento é adquirido de forma irregular, como produtos trazidos do Paraguai e sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em 2007, o profissional possui quatro pós-graduações: Nutrologia e Prevenção e Tratamento de Doenças Relacionadas à Idade, Ciência da Longevidade Humana, Ciências da Obesidade e Sarcopenia e Medicina Funcional Integrativa. Após mais de 10 anos como médico da família concursado pela Prefeitura de Maracaju, atualmente atende em sua clínica particular, o Instituto Miziara, com foco em prevenção e promoção da saúde.
Segundo ele, a tirzepatida é uma medicação moderna, com grande potencial no tratamento da obesidade, do diabetes e da apneia do sono, mas não deve ser vista como atalho para emagrecimento.
“É uma ferramenta excelente, mas precisa estar na mão certa, na hora certa, para o paciente certo, dentro de um planejamento de tratamento completo e individualizado”, destaca Dr Anderson.
Procedência e armazenamento são fatores de risco
Um dos principais alertas envolve a origem do medicamento. Produtos adquiridos fora de farmácias ou clínicas regulamentadas não oferecem garantia de segurança quanto à conservação, transporte e autenticidade. Falhas na cadeia de refrigeração, dúvidas sobre concentração, validade ou até contaminação podem resultar desde perda de eficácia até complicações clínicas graves.
Automedicação pode trazer complicações sérias
Sem acompanhamento profissional, o uso inadequado pode provocar:
Perda excessiva de massa muscular
Redução do metabolismo
Fraqueza e queda de performance
Queda de cabelo
Constipação
Deficiências nutricionais
Em quadros mais severos, podem ocorrer:
Desidratação
Desequilíbrios eletrolíticos
Intolerâncias gastrointestinais intensas
Quando não conduzidos corretamente, esses efeitos podem evoluir para internações e outras complicações de maior gravidade.
Avaliação médica identifica contraindicações
O acompanhamento também é essencial para investigar contraindicações.
Os agonistas de GLP-1 — classe da tirzepatida — são formalmente contraindicados para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, um tipo específico de câncer.
Dose exige titulação individualizada. Outro ponto pouco discutido é a necessidade de ajuste progressivo da dose.
A titulação deve ser feita de forma gradual, considerando:
Resposta clínica
Tolerância
Metas terapêuticas
Reavaliações periódicas programadas
Sem esse controle, é comum o paciente exagerar na dose, passar mal, desistir do tratamento ou permanecer sem resultados, acreditando que o medicamento não funciona. Obesidade é doença crônica, não falta de força de vontade O especialista também reforça um aspecto fundamental: a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante — e não resultado de preguiça ou falta de disciplina.
Entre os fatores envolvidos estão mecanismos neuro-hormonais que regulam fome e saciedade, por meio de hormônios como leptina, grelina, insulina e o próprio GLP-1, além dos circuitos cerebrais de recompensa ligados ao comer emocional.
Quando desregulados, esses sistemas fazem a pessoa sentir mais fome, menos saciedade e maior compulsão alimentar, dificultando o controle apenas com força de vontade.
Adaptação metabólica dificulta manutenção do peso. Outro fator é a chamada adaptação metabólica.
Ao perder peso, o corpo ativa mecanismos de defesa:
Reduz o gasto energético
Aumenta a eficiência em armazenar gordura
Eleva os níveis de fome
Por isso, manter o peso perdido costuma ser mais difícil do que emagrecer — um processo fisiológico, não comportamental.
Doença envolve múltiplos fatores
A obesidade também está associada a:
Inflamação crônica
Resistência insulínica
Alterações hormonais
Sono inadequado
Estresse
Uso de medicamentos
Fatores emocionais
Genética
Ambiente e cultura alimentar
Desequilíbrios da microbiota intestinal
Reduzir toda essa complexidade à “falta de vergonha na cara”, segundo o médico, apenas agrava o problema, gerando culpa, isolamento e busca por soluções rápidas e perigosas, como a automedicação.
Esse ciclo de emagrece e reganha aumenta o risco de diabetes, hipertensão, esteatose hepática e doenças cardiovasculares, além de dificultar futuros processos de perda de peso.
Tratamento exige abordagem multidisciplinar

Quando a obesidade é compreendida como doença, o tratamento passa a ser estruturado de forma ampla e individualizada, podendo envolver:
Acompanhamento médico
Orientação nutricional
Educador físico
Psicólogo
Estratégias comportamentais
O objetivo vai além de perder peso:
Reduzir gordura corporal
Preservar massa muscular
Reequilibrar hormônios
Corrigir micronutrientes
Ajustar a microbiota intestinal
Melhorar consciência alimentar

“Não é só emagrecer. É melhorar a saúde, sustentar resultados e direcionar o estilo de vida para viver mais e melhor”, conclui o médico ao portal tudodoms.
O especialista finaliza agradecendo o espaço para levar informação segura à população e reforça que permanece à disposição para esclarecimentos sobre o tema.

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