07/03/2026 10h36
Mapa da morte: nenhuma cidade de MS escapou do feminicídio na última década
Segundo dados do monitor da violência contra a mulher, 379 mulheres perderam suas vidas pelo simples fato de serem mulheres
Em Mato Grosso do Sul um avião caiu na última década. Claro, no sentido figurado e sem comoção geral. O número de mulheres mortas pelo feminicídio de 2016 a 2026 é suficiente para encher os bancos de um Boeing 777-300, uma das maiores aeronaves de passageiros do mundo.
Ao todo, segundo dados do monitor da violência contra a mulher, 379 mulheres perderam suas vidas pelo simples fato de serem mulheres. Liderando o pódio vem Campo Grande com 83 casos, seguido de Três Lagoas e Dourados, empatadas com 28 feminicídios, além de Ponta Porã com 13 e Corumbá com 10 — confira o ranking completo ao fim desta matéria.
Infelizmente, neste período, nenhum dos 79 municípios passou ileso. Revezando entre os anos, pelo menos 15 cidades viram o crime ocorrer em algum momento. Alimento ao triste painel que “zera” no monitor da violência contra mulher a cada novo feminicídio no estado, feito aquelas placas enormes vistas em construções “estamos a tantos dias sem acidentes de trabalho”.
Como uma gigante e interminável obra, Mato Grosso do Sul não passa muito tempo sem retornar à estaca zero.
Nos primeiros três meses o estado já alcançou a marca de cinco feminicídios, sendo o último contabilizado nesta sexta-feira (6), após a morte da enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos. Vítima do marido, o subtenente do Corpo de Bombeiros Elianderson Duarte, ela foi alvo de marteladas na cabeça. Ficou internada em estado grave e não resistiu aos ferimentos.
O caso chocou pelo requinte de crueldade. O companheiro chegou em casa, trancou portas e janelas, retirou os celulares dela e dos filhos e iniciou o ataque. Pais de três adolescentes, foram os menores que conseguiram fugir para buscar ajuda que, infelizmente, não foi suficiente para poupar Liliane de ser o mais novo dado deste ranking que não para de crescer.
Apesar da palavra “companheiro” ser usada para descrever a ligação entre assassino e vítima, os algozes geralmente estão debaixo do mesmo teto das mulheres. Ainda conforme dados do monitor da violência, alimentado pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), das 379 mortes, 99 ocorreram pelas mãos de cônjuges e conviventes.
Namorados, avôs, sogros, irmãos, cunhados, pais e até filhos completam a lista. O local dos crimes reforça a teoria: 272 tiveram como cenário residências e similares, além de propriedades rurais.
O perfil das vítimas, ao contrário do que mora no imaginário popular, não é composto somente por mulheres adultas com histórico de vulnerabilidade.
Neste período, oito crianças de zero a 11 anos foram mortas pelo feminicídio. Além de outras 10 adolescentes de 12 a 17 anos, 95 jovens de 18 a 29 anos, 210 mulheres de 30 a 59 anos e 28 idosas acima de 60 anos. Oito não tiveram a idade identificada pelo monitor.
Os anos mais letais foram:
- 2025: 52 casos
- 2024: 50 casos
- 2022: 44 casos
- 2017: 41 casos
Homem de verdade respeita!
Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), a programação da TV Morena tem espaço reservado à campanha “Homem de verdade respeita, ponto final!”. Muito além de homenagem, diante do número absurdo de feminicídios e de um índice altíssimo de casos de violência contra a mulher no nosso estado, a rede matogrossense de comunicação te convida a mudar o discurso.
É hora de falarmos sobre respeito. A realidade que nós, jornalistas, levamos até você, é a de mulheres que precisam lutar para sobreviver, dentro de casa. E essa escalada de violência que começa com uma ameaça, termina com uma mulher assassinada por alguém que um dia a amou. É por isso que precisamos nos unir, em uma só voz, para lutarmos juntos pelo fim da violência contra a mulher.
A partir de hoje, você vai ver na nossa programação uma série de vídeos como esse, te convidando à reflexão. A nossa torre também estará com as cores dessa campanha: o preto, simbolizando o luto pelas mulheres que perdemos, e o branco pela nossa esperança de que um dia nenhuma família conheça essa dor. Combater a violência não é uma luta das mulheres, é uma luta de todos nós. Homem de verdade, respeita. Ponto final.
Ranking Geral de Feminicídios em MS (2016-2026)
- Campo Grande: 83
- Três Lagoas: 28
- Dourados: 28
- Ponta Porã: 13
- Corumbá: 10
- Naviraí: 9
- Nova Andradina: 8
- Rio Brilhante: 8
- Sidrolândia: 8
- Amambai: 7
- Aquidauana: 7
- Jardim: 7
- Maracaju: 7
- Ribas do Rio Pardo: 7
- Chapadão do Sul: 6
- Paranaíba: 6
- Rio Verde de MT: 6
- Bela Vista: 5
- Coxim: 5
- Nova Alvorada do Sul: 5
- Anastácio: 4
- Bonito: 4
- Costa Rica: 4
- Itaquiraí: 4
- Ivinhema: 4
- Jaraguari: 4
- Miranda: 4
- Paranhos: 4
- Sete Quedas: 4
- Sonora: 4
- Água Clara: 3
- Aparecida do Taboado: 3
- Bandeirantes: 3
- Bataguassu: 3
- Bodoquena: 3
- Brasilândia: 3
- Caarapó: 3
- Cassilândia: 3
- Fátima do Sul: 3
- Guia Lopes da Laguna: 3
- Iguatemi: 3
- Inocência: 3
- Rochedo: 3
- São Gabriel do Oeste: 3
- Terenos: 3
- Alcinópolis: 2
- Batayporã: 2
- Caracol: 2
- Corguinho: 2
- Eldorado: 2
- Glória de Dourados: 2
- Japorã: 2
- Jateí: 2
- Juti: 2
- Nioaque: 2
- Paraíso das Águas: 2
- Pedro Gomes: 2
- Rio Negro: 2
- Selvíria: 2
- Tacuru: 2
- Taquarussu: 2
- Vicentina: 2
- Anaurilândia: 1
- Angélica: 1
- Aral Moreira: 1
- Camapuã: 1
- Deodópolis: 1
- Dois Irmãos do Buriti: 1
- Douradina: 1
- Figueirão: 1
- Itaporã: 1
- Ladário: 1
- Laguna Carapã: 1
- Mundo Novo: 1
- Novo Horizonte do Sul: 1
- Porto Murtinho: 1
- Santa Rita do Pardo: 1
- Japorã: 1
- Juti: 1






