PUBLICIDADE
- mell280
07/03/2026 11h09
Jovem morre após passar mal na casa do namorado e amigos contestam suicídio
Rapaz de 21 anos alegou que a vítima ingeriu água com cocaína após discussão por ciúmes entre os dois
Por Ana Paula Chuva
Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, morreu após passar mal dentro de uma residência no Bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande. O caso aconteceu na tarde de sexta-feira (6), durante uma discussão com o namorado, que alegou à polícia que a jovem teria atentado contra a própria vida. Os amigos contestam a versão.
Segundo o boletim de ocorrência, equipes da PM (Polícia Militar) e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionadas após a jovem sofrer convulsões dentro da casa do namorado, localizada na Rua Delegado Alfredo Hardman.
Quando os socorristas chegaram ao local, Ludmila estava desacordada e em estado grave, apresentando convulsões. Ela também tinha uma lesão abaixo do olho direito e cortes no pé esquerdo, que podem ter sido provocados durante as crises.
À polícia, o namorado relatou que os dois haviam discutido mais cedo, por ciúmes. Depois do desentendimento, ele disse ter visto a jovem misturar um pó branco em um copo com água e ingerir a substância, que ela teria afirmado ser cocaína. Pouco tempo depois, Ludmila começou a passar mal.
Ainda na versão do rapaz, a jovem teria tomado banho e, ao sair do banheiro, sofreu uma convulsão e bateu o rosto na porta do quarto. Em seguida, voltou a passar mal e chegou a expelir sangue pela boca enquanto aguardava a chegada do socorro. Ela foi levada para a Santa Casa onde acabou morrendo na manhã deste sábado (7).
Amigos contestam - A ocorrência foi inicialmente registrada como tentativa de suicídio, com base no relato apresentado à polícia. No entanto, amigos da jovem contestam essa versão e pedem que o caso seja investigado com mais profundidade. Eles afirmam que a jovem tinha medida protetiva e chegou a registrar boletim de ocorrência contra o rapaz.
"Ele chegou a ficar preso por causa de violência contra ela. Ela tinha medida protetiva. Era muito agressivo com ela", alegaram.
Ao Campo Grande News, pessoas próximas a Ludmila relataram que ela não apresentava comportamento que indicasse intenção de tirar a própria vida, levantando dúvidas sobre as circunstâncias da morte. Eles ainda afirmaram, pelo canal Direto das Ruas, que a jovem estava com um corte grande na cabeça.
“Ele falou que ela tomou água com cocaína. Tenho certeza que ela não faria isso, um amigo dele ligou e falou que ela tava passando mal. Ele disse que ela tava muito doida e que depois caiu da cama porque deu convulsão, mas eu tenho certeza que ela não fez isso. A cabeça dela estava aberta”, disse uma das amigas da vítima.
“Ela morava só com a avó e a filha. A avó já é bem de idade, não sabemos se vai conseguir fazer algo por ela. Tinha uma energia tão boa, ajudava todo mundo, era uma ótima mãe e trabalhadora”, afirmou outra amiga que prefere não se identificar.
Investigação - O caso foi encaminhado à Deam(Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que deve ouvir testemunhas e analisar os detalhes do ocorrido para esclarecer o que aconteceu dentro da residência. A polícia também apura se houve algum tipo de violência antes da jovem passar mal.
Caso a versão de feminicídio se confirme, este será o primeiro caso registrado na Capital este ano e o 6º em Mato Grosso do Sul.
Momento em que vítima foi socorrida pelo Samu (Foto: Direto das Ruas)

Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.
Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.
veja também
Feminicídios em Mato Grosso do Sul
Feminicídios em Mato Grosso do Sul: Maracaju aparece entre os municípios com mais casos na última década
Nota de posicionamento -


