25/04/2026 08h14
Papa: cristão na política deve defender liberdade ancorada na verdade
Parlamentares do Partido Popular Europeu foram recebidos em audiência pelo Pontífice, que pediu um contato “analógico” com a população como antídoto contra o populismo
Papa Leão XIV /Foto: ALESSIA GIULIANIIPA/Sipa USA via Reuters
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, na manhã deste sábado, 25, os membros do Partido Popular Europeu (PPE), legenda cuja inspiração política remonta aos chamados “pais fundadores” da Europa contemporânea, como Konrad Adenauer, Alcide De Gasperi e Robert Schuman.
Ao recordar as origens do projeto europeu, o Santo Padre destacou que ele nasceu após a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de impedir novos conflitos no continente e promover uma colaboração duradoura entre os povos europeus.
Segundo o Pontífice, tratava-se também de redescobrir o patrimônio humano, cultural e religioso comum às nações europeias, reconhecendo a herança cristã como elemento de unidade.
Política a serviço do bem comum
Em seu discurso, o Papa afirmou que a principal missão de toda ação política é oferecer um horizonte ideal à sociedade. Segundo Leão XIV, a política exige visão ampla de futuro e coragem para tomar decisões difíceis, inclusive impopulares, quando estas forem necessárias para o bem comum.
Ao mesmo tempo, advertiu que buscar um ideal não significa aderir a ideologias. “Qualquer ideologia distorce as ideias e subjuga o homem ao seu próprio projeto, reprimindo suas verdadeiras aspirações, seu anseio por liberdade, felicidade e bem-estar pessoal e social”, afirmou.
O Pontífice recordou ainda que a própria Europa contemporânea surgiu da constatação do fracasso de projetos ideológicos que destruíram e dividiram o continente.
Povo no centro da vida pública
Evocando o pensamento de De Gasperi, Leão XIV ressaltou que toda ação política deve colocar a pessoa humana no centro. Ele observou que o próprio nome Partido Popular Europeu expressa um vínculo essencial com o povo, que não deve ser visto como sujeito passivo, mas como participante ativo da vida pública.
“A presença entre as pessoas e o seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos, que buscam apenas o consenso fácil, e contra os elitismos, que tendem a agir sem consenso”, declarou. Para o Santo Padre, uma política verdadeiramente popular exige tempo, partilha de projetos e amor à verdade.
Do digital ao analógico
Ao abordar os desafios do tempo presente, o Papa afirmou que um dos problemas da política atual é a falta de sintonia entre representantes e cidadãos. Usando uma metáfora, observou que, em meio ao “triunfo digital”, a política voltada ao bem comum precisa recuperar uma dimensão “analógica”, marcada pela proximidade concreta com as pessoas.
“Para superar certa desilusão com a política, é preciso reconquistar as pessoas indo ao encontro delas pessoalmente e reconstruindo uma rede de relações no território”, destacou.
Compromisso do cristão na política
Leão XIV também falou sobre a responsabilidade dos cristãos engajados na vida pública. Segundo ele, atuar na política significa permitir que o Evangelho ilumine as decisões, mesmo quando exigem sacrifícios ou não correspondem ao consenso imediato.
O Papa citou entre os desafios atuais a promoção de condições dignas de trabalho, o apoio às famílias, o enfrentamento das causas profundas da migração, o cuidado com a criação e o uso ético da inteligência artificial. Sobre esta última, advertiu que ela oferece grandes oportunidades, mas também apresenta riscos que exigem discernimento e responsabilidade.
Liberdade fundada na verdade
Ao concluir, o Santo Padre afirmou que o compromisso político do cristão passa também pela defesa de uma liberdade ancorada na verdade, capaz de proteger a liberdade religiosa, de pensamento e de consciência em todas as circunstâncias.
Por fim, o Papa Leão XIV despediu-se dos parlamentares concedendo-lhes a bênção apostólica.



