05/05/2026 14h59
Boom da construção em Campo Grande esbarra na falta de mão de obra qualificada
João Grilo
Crescimento acelerado do setor amplia empregos, mas escassez de profissionais experientes eleva custos, retrabalho e riscos nas obras
Campo Grande vive um dos ciclos mais intensos de expansão da construção civil dos últimos anos. A multiplicação de empreendimentos verticais, condomínios horizontais e obras públicas confirma o aquecimento do setor, mas também evidencia um problema estrutural: a falta de mão de obra qualificada nos canteiros.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Anual da Indústria (Paic), de 2023, mostram que a construção civil segue em crescimento no país. Entre 2020 e 2022, o setor gerou mais de 411 mil novos postos de trabalho no Brasil, um aumento de 21,6% no período. Em Mato Grosso do Sul, o número de trabalhadores também cresceu, passando de pouco mais de 23 mil para cerca de 24 mil empregados formais, embora o estado ainda ocupe posições intermediárias no ranking nacional.
Apesar da expansão, a oferta de profissionais qualificados não acompanha o ritmo das obras. Segundo o engenheiro civil Antônio Brandalize, o cenário atual combina alta demanda com escassez técnica. “Nunca vimos tantas obras ao mesmo tempo e tão poucos profissionais preparados para executá-las com qualidade”, afirma.
Parte desse desequilíbrio está ligada a mudanças no perfil da força de trabalho. A construção civil brasileira ainda convive com altos índices de informalidade, conforme pesquisa PNAD Contínua: em 2021, cerca de 3,8 milhões de trabalhadores atuavam sem carteira assinada, de um total de 7,5 milhões no setor. Ao mesmo tempo, muitos profissionais migraram para atividades como transporte por aplicativo e entregas, reduzindo a disponibilidade de mão de obra especializada.
Custos
Outro fator que pressiona o setor é o aumento dos custos. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), também calculado pelo IBGE, aponta que os custos da mão de obra cresceram mais de 7% em 2025, acima da variação dos materiais. Esse encarecimento, somado à baixa qualificação, contribui para um ciclo de retrabalho nas obras.
Na prática, a escassez de profissionais leva à contratação de trabalhadores sem experiência suficiente, o que aumenta a incidência de falhas técnicas. Problemas como infiltrações, trincas estruturais, desalinhamento de alvenaria e erros em instalações elétricas e hidráulicas se tornam mais frequentes e podem elevar o custo final da obra em até 40%.
“O maior risco é o vício oculto. A obra parece perfeita na entrega, mas os problemas aparecem depois, quando o prejuízo já é maior e mais difícil de corrigir”, explica Brandalize.
Diante desse cenário, especialistas apontam que o papel do engenheiro civil ganha ainda mais relevância. A presença constante no canteiro, com fiscalização técnica e acompanhamento das etapas de execução, tem se tornado essencial para garantir qualidade, evitar desperdícios e reduzir riscos futuros.
O crescimento da construção civil em Campo Grande é visto como positivo e estratégico para a economia local, mas o desafio agora é equilibrar expansão com qualificação profissional. Sem esse ajuste, o avanço do setor pode vir acompanhado de custos ocultos que recaem diretamente sobre o proprietário.
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