- mell280
13/06/2026 16h06
Copa do Mundo: concussões e fraturas faciais estão entre as lesões mais comuns no futebol
Especialista explica quais são as injúrias que mais afetam a cabeça e a face dos jogadores durante o Mundial e alerta para os riscos da concussão cerebral, considerada uma das lesões mais perigosas do esporte.
A Copa do Mundo da FIFA reúne atletas de elite em partidas marcadas por velocidade, intensidade física e disputas constantes pela bola. Nesse cenário, as lesões fazem parte da rotina dos jogadores e exigem atenção especial das equipes médicas. Entre as injúrias que atingem a região da cabeça e do pescoço, a concussão cerebral é a mais frequente, seguida pelas fraturas do terço médio da face.
As fraturas mais comuns envolvem o osso zigomático, conhecido como maçã do rosto, o arco zigomático, localizado na lateral da face, e o osso maxilar, responsável por sustentar os dentes superiores.
Segundo a cirurgiã-dentista e especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, Dra. Juliana Búrigo, apesar das fraturas chamarem atenção por serem visíveis, a concussão cerebral é a lesão que mais preocupa os profissionais de saúde.
“A concussão é uma lesão cerebral provocada pelo impacto do cérebro contra a estrutura interna do crânio. O grande desafio é que ela não costuma aparecer em exames de imagem como tomografias ou ressonâncias magnéticas, o que exige uma avaliação clínica criteriosa e acompanhamento constante do atleta”, explica.
Os sintomas podem incluir confusão mental, dores de cabeça, tonturas, náuseas, vômitos, perda de memória, alterações visuais, dificuldades na fala, desequilíbrio e até episódios de desmaio. Em muitos casos, os sinais não surgem imediatamente após o trauma, podendo aparecer horas depois da partida.
“Nem sempre o jogador apresenta sintomas logo após a pancada. Por isso, o monitoramento médico nas horas e dias seguintes ao jogo é fundamental para garantir um diagnóstico adequado e evitar complicações”, destaca a especialista.
O tratamento geralmente envolve repouso, controle medicamentoso dos sintomas e afastamento temporário das atividades esportivas. A recomendação médica é que o atleta permaneça afastado por, pelo menos, quinze dias, reduzindo o risco da chamada concussão de segundo impacto.
“Quando ocorre uma nova pancada antes da recuperação completa do cérebro, o risco aumenta significativamente. Em situações extremas, essa segunda concussão pode provocar consequências gravíssimas e até ser fatal”, alerta Dra. Juliana.
As principais causas da concussão no futebol estão relacionadas aos choques entre jogadores durante disputas aéreas. O impacto entre cabeças lidera as estatísticas, seguido pelos contatos com a bola e pelos choques envolvendo braços, cotovelos e mãos dos adversários.
Atacantes, zagueiros e jogadores de velocidade pelas pontas do campo figuram entre os atletas mais suscetíveis a esse tipo de lesão, principalmente em lances de disputa pelo alto.
Apesar dos riscos inerentes ao esporte, os números mostram uma evolução positiva. Desde a Copa do Mundo de 2002, a FIFA monitora sistematicamente as lesões ocorridas durante a competição. Os dados mais recentes, referentes ao Mundial do Catar em 2022, apontam uma redução gradual na incidência de lesões ao longo das últimas edições.
Entre os fatores responsáveis por essa melhora estão a evolução da arbitragem, a aplicação mais rigorosa das regras e a implementação de programas de prevenção desenvolvidos pela entidade, como o FIFA Health e o FIFA 11+, voltados para aquecimento, condicionamento físico e adoção de práticas mais seguras dentro de campo.
“A prevenção tem um papel decisivo. Hoje existe uma preocupação muito maior com a saúde dos atletas, especialmente em relação aos traumas na cabeça. Os protocolos de avaliação e retorno ao jogo evoluíram bastante e têm contribuído para reduzir a incidência e a gravidade dessas lesões”, conclui Dra. Juliana Búrigo.
Com a Copa do Mundo de 2026 movimentando torcedores em todo o planeta, o tema volta ao centro das atenções e reforça a importância dos cuidados médicos, da prevenção e do acompanhamento especializado para preservar a saúde dos atletas dentro e fora dos gramados.
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