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Por que o milho das festas juninas ficou mais caro mesmo com safra recorde no Brasil?


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18/06/2026 04h35

Por que o milho das festas juninas ficou mais caro mesmo com safra recorde no Brasil?

Fábio Bouças


Safra recorde reduz preço do milho no campo, mas espiga chega a custar até R$ 15 nas festas juninas

 

 

As festas juninas movimentam milhões de brasileiros todos os anos e têm no milho seu principal símbolo gastronômico. Presente em receitas tradicionais como pamonha, canjica, curau, bolo de milho e na própria espiga cozida, o cereal atravessa uma longa jornada até chegar às barracas dos arraiás. E essa história começa muito antes da colheita, diretamente no manejo do solo e na fertilização das lavouras.

O tema ganha ainda mais relevância em 2026. Apesar de o Brasil viver um cenário de ampla oferta do cereal, dados do IBGE apontam que a produção brasileira de milho alcançou 141,7 milhões de toneladas em 2025, estabelecendo um novo recorde nacional. Mas os preços encontrados nas festas juninas continuam elevados. Em Boa Vista e Recife, por exemplo, a espiga cozida é vendida por cerca de R$ 5, enquanto em quermesses mais estruturadas da capital paulista o valor chega a R$ 15 por porção.

Os números chamam atenção porque seguem na contramão do comportamento do grão no mercado agrícola. Levantamentos do setor mostram que o milho em grão acumula queda superior a 4% nos últimos 12 meses e que a saca do cereal registra desvalorização próxima de 10% em relação ao ano anterior. Ainda assim, essa redução não chegou ao consumidor que frequenta as festas juninas.

Antes de chegar às mesas dos brasileiros, porém, a qualidade do milho depende diretamente do que acontece no campo. O desempenho das espigas está ligado a fatores como fertilidade do solo, disponibilidade de nutrientes e manejo agronômico adequado. A adubação correta permite que a planta desenvolva espigas mais uniformes, com melhor enchimento de grãos, coloração adequada e padrão visual valorizado pelo mercado.

O fornecimento equilibrado de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio influencia diretamente a produtividade e a qualidade final do milho destinado ao consumo humano. Em períodos de alta demanda, como os festejos juninos, esse diferencial se torna ainda mais importante para produtores que abastecem feiras, supermercados, cozinhas industriais e comerciantes de alimentos típicos.

A perspectiva de uma boa safra é importante não apenas para garantir o abastecimento, mas também para estimular investimentos em tecnologia, inovação e desenvolvimento de soluções que aumentem a produtividade e a qualidade das lavouras. Quando falamos de milho destinado ao consumo humano, a fertilização adequada é determinante para a formação de espigas com melhor padrão comercial e maior valor agregado”, afirma Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro.

A importância do cereal vai muito além da produção agrícola. De Norte a Sul, o milho é protagonista das principais celebrações juninas do país e movimenta uma extensa cadeia econômica que envolve produtores rurais, cooperativas, distribuidores, supermercados, comerciantes ambulantes, restaurantes e organizadores de eventos. Estados como Pernambuco, Paraíba, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo concentram algumas das maiores festas juninas do Brasil e ajudam a impulsionar o consumo do produto durante os meses de junho e julho.

O fenômeno ajuda a explicar um dos principais contrastes do São João de 2026. Enquanto o milho produzido no campo ficou mais barato graças à boa safra e ao aumento da oferta, o milho servido ao consumidor continuou subindo de preço. Transporte, combustível, gás, carvão, mão de obra, aluguel de espaços, taxas de eventos e logística passaram a representar parcela cada vez maior do valor pago pelo público.

O resultado é um cenário curioso: o Brasil produz mais milho, o grão fica mais barato, mas a espiga servida nas festas juninas continua mais cara. Isso mostra que, entre o campo e a barraca, existe uma cadeia complexa que transforma um dos principais símbolos da agricultura nacional em um dos produtos mais consumidos da cultura popular brasileira.

 

Milho assado em festa junina


 


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