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Por que os EUA mudaram de estratégia e o que isso revela sobre a disputa pelo futuro da economia global


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  • mell280

02/07/2026 16h53

Por que os EUA mudaram de estratégia e o que isso revela sobre a disputa pelo futuro da economia global

Carolina Lara


Tarifas, minerais estratégicos, pressão sobre aliados e ações militares fazem parte de uma mesma reorganização geopolítica que define os rumos da economia mundial e as oportunidades que se abrem para o Brasil, segundo Beny Fard, autor de Tempocracia

 

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, a política externa dos Estados Unidos passou a ser marcada por decisões que, à primeira vista, parecem independentes: tarifas comerciais contra aliados e adversários, pressão sobre parceiros históricos, endurecimento da postura em relação à América Latina, ataques militares no Oriente Médio e uma disputa cada vez mais intensa por minerais estratégicos. Para o engenheiro Beny Fard, cofundador da B8 Partners, analista internacional e autor do livro Tempocracia: O Ocidente em Desvantagem no Século da Paciência, esses episódios fazem parte de uma mesma estratégia de reposicionamento dos Estados Unidos diante da ascensão da China e da reorganização da economia global. 

Essa leitura é um dos pilares desenvolvidos em Tempocracia, obra lançada neste ano na qual o autor analisa como o fator tempo passou a influenciar a disputa entre grandes potências e seus reflexos sobre investimentos, cadeias produtivas, comércio internacional e decisões empresariais. A tese parte de uma assimetria central: enquanto democracias precisam responder a ciclos eleitorais curtos, regimes como China, Rússia e Irã conseguem planejar poder, defesa, tecnologia e influência por décadas.

“Os Estados Unidos sabem que estão correndo contra o tempo. Enquanto uma democracia troca de liderança a cada quatro anos, países como China, Rússia e Irã constroem estratégias pensando em décadas. Essa diferença de horizonte é uma das grandes disputas do século e ajuda a explicar a urgência que voltou a marcar a política externa americana”, afirma Beny.

A disputa pelo tempo

Segundo o especialista, a diferença de horizonte entre democracias e regimes autocráticos de planejamento prolongado ajuda a explicar por que Washington passou a agir de forma mais dura em temas que envolvem comércio, energia, segurança e tecnologia. A imposição de tarifas, a pressão sobre aliados, as ameaças envolvendo a Groenlândia, a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em operação militar americana e os ataques ao Irã indicam uma tentativa de reduzir vulnerabilidades e recompor áreas de influência.

Essa lógica também apareceu em maio, quando Xi Jinping perguntou a Donald Trump, durante visita a Pequim, se os dois países conseguiriam evitar a chamada Armadilha de Tucídides, tese segundo a qual o choque entre uma potência estabelecida e outra em ascensão tende a resultar em conflito.

"A pergunta de Xi Jinping foi retórica, mas também funcionou como um recado. A China demonstra conforto em esperar. O Ocidente, por outro lado, percebe que já não tem o mesmo tempo para reagir”, comenta Beny.

A disputa por recursos estratégicos 

Para o autor, a disputa atual deixou de se concentrar apenas em ideologia ou poder militar, o centro do conflito envolve energia, rotas comerciais, semicondutores, inteligência artificial, capacidade industrial e acesso a matérias-primas críticas. Entre elas estão as terras raras, grupo de minerais usado em baterias, veículos elétricos, turbinas, sistemas de defesa, equipamentos de comunicação e tecnologias de alta precisão.

Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que a China ocupa posição dominante na extração e no processamento global desses minerais, o que tornou a dependência ocidental um ponto sensível para governos e empresas. A pandemia, a guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio reforçaram essa percepção ao expor a fragilidade de cadeias produtivas concentradas em poucos países.

Na prática, a globalização baseada apenas em eficiência e menor custo começou a perder espaço para uma lógica de segurança. Conceitos como nearshoring, quando a produção migra para países geograficamente próximos, e friendshoring, quando se desloca para países politicamente alinhados, passaram a orientar decisões de investimento e políticas industriais.

"O mundo passou a tratar segurança de abastecimento, estabilidade política e controle de recursos críticos como variáveis tão importantes quanto custo e eficiência. Países e empresas que entenderem essa mudança antes tendem a ocupar posições melhores nas novas cadeias globais", resume o empresário. 

A oportunidade brasileira

É nesse ponto que Tempocracia aproxima a disputa global da realidade brasileira. O Brasil reúne uma das maiores reservas de terras raras do planeta e concentra parcela expressiva da produção mundial de nióbio, mineral estratégico para setores como defesa, energia, mobilidade elétrica, infraestrutura e indústria aeroespacial. Para Beny, essa posição pode transformar o país em peça relevante na reorganização das cadeias globais, desde que a vantagem geológica seja convertida em capacidade industrial, processamento, governança e segurança jurídica.

Movimentos recentes indicam que esse interesse já saiu do campo teórico. A aquisição da mineradora goiana Serra Verde pela americana USA Rare Earth, em operação avaliada em US$ 2,8 bilhões, e o aporte de US$ 565 milhões de uma agência de fomento dos Estados Unidos em projetos brasileiros ligados a minerais críticos mostram que o país entrou no radar da disputa por cadeias de suprimento mais seguras.

Ainda assim, o autor de Tempocracia avalia que a oportunidade tem prazo. Estruturadoras de investimento falam em uma janela de 18 a 24 meses para que o Brasil deixe a condição de promessa mineral e passe a atuar como fornecedor estratégico de fato.

"O Brasil já teve outras oportunidades de transformar vantagens naturais em posição estratégica, mas nem sempre conseguiu avançar com planejamento e execução. Desta vez, a janela é mais curta. O país precisa agir rápido para converter potencial mineral em relevância econômica", alerta. 

Geopolítica entrou na agenda das empresas e de investidores

Beny afirma que escreveu Tempocracia para responder a uma pergunta recorrente entre empresários, executivos e investidores: como tomar decisões de longo prazo em um mundo no qual tarifas, juros, conflitos e cadeias produtivas mudam a cada ciclo político.

"Tarifas, juros e risco geopolítico não podem ser analisados apenas pela manchete da semana. Esses movimentos fazem parte de uma lógica mais profunda, que conecta poder, tempo, cadeias produtivas e decisões de investimento. Foi essa leitura que procurei desenvolver no livro", afirma.

Para o autor, a nova ordem global exige que empresas e países tratem geopolítica como parte da estratégia de negócios. O que está em jogo não é apenas a relação entre Estados Unidos e China, mas a capacidade de cada nação transformar tempo, recursos naturais e posicionamento diplomático em vantagem econômica antes que a janela se feche.

Sobre Beny Fard

Beny Fard, CFP®, é engenheiro e cofundador da B8 Partners, boutique financeira especializada em M&A, Dívida & Crédito Corporativo, Investimentos Alternativos e Ativos Digitais. Atua também como CEO da DeFin, fintech que oferece soluções de Investment Banking as a Service (IBaaS) combinando modelagem financeira, infraestrutura blockchain e metodologias de análise de risco aplicadas ao mercado de capitais tradicional (TradFi) e descentralizado (DeFi).

Consultor de valores mobiliários registrado na CVM, acumula experiência em finanças descentralizadas, investimentos alternativos, gestão e planejamento patrimonial, estruturação de ativos e inovação corporativa. Antes da B8, teve passagem pelo Banco BTG Pactual, atuou como investidor de startups e em projetos de inovação corporativa ligados ao Stanford Research Institute. Sua trajetória inclui participação em iniciativas de investimento e consultoria em empresas de médio e grande porte, com atuação em estratégias de crescimento, governança e mercado de capitais.

Para saber mais acesse o instagram, linkedin ou pelo site.

Sugestão de fonte: clique aqui

Sobre a B8 Partners 

A B8 Partners é uma boutique de soluções financeiras especializada em M&A, Dívida & Crédito Corporativo, Investimentos Alternativos e Ativos Digitais (RWA), fundada por Beny Fard, Marcelo Liberman e Rubens Neistein. A empresa estrutura e liquida operações do mercado de capitais através de capital proprietário e + 1000 gestoras, family offices e grupos investidores qualificados no Brasil e Exterior. 

Para mais informações acesse https://b8.partners/ e assine a carta semanal da B8 Research.

Sobre a DeFin

A DeFin nasceu como a gêmea digital (digital twin) da B8 Partners, e se tornou uma fintech (spin-off), servindo como uma plataforma de inteligência digital (originação, estruturação e liquidação) digital, e tem como time de sócios Beny Fard e Vinicius Valler. Atua como um Investment Banking as a Service (IBaaS), combinando tecnologia proprietária e rigor analítico para auditar, estruturar e liquidar ativos tradicionais e digitais em um ecossistema de + 800 instituições financeiras parceiras, com governança institucional. 

Para mais informações acesse https://defin.global/


 

 

  


 


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