06/08/2026 08h00
Conta de luz deve subir até 8% em 2026 e impulsiona busca por imóveis mais eficientes
Alta tarifária projetada acima da inflação já influencia decisões de investidores e acelera demanda por empreendimentos com certificações ambientais e menor custo operacional
A conta de energia elétrica deve ficar mais cara no Brasil em 2026, com reajuste médio de 8%, índice que supera as projeções de inflação oficial, estimadas em cerca de 3% no período. Essa diferença tem provocado mudanças rápidas no comportamento de consumidores e investidores, especialmente no mercado imobiliário de médio e alto padrão.
Na prática, o aumento do custo da energia começa a pesar não apenas no orçamento mensal, mas também na avaliação de ativos residenciais no médio e longo prazo — um fator que já está sendo incorporado nas decisões de compra e desenvolvimento de novos empreendimentos.
Energia mais cara muda lógica do mercado imobiliário
O cenário se intensifica em regiões específicas. No Paraná, por exemplo, o reajuste aprovado para consumidores residenciais pode chegar a 20%, dependendo da distribuidora, ampliando ainda mais a pressão sobre os custos operacionais das moradias.
Ao mesmo tempo, o setor da construção segue pressionado. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acumula alta de 6,71% em 12 meses, refletindo aumento nos preços de materiais, mão de obra e serviços. Esse cenário reforça a necessidade de decisões mais estratégicas desde a concepção dos projetos.
Eficiência energética deixa de ser diferencial e se torna ativo financeiro
Com o aumento das tarifas, soluções passivas de eficiência energética — como orientação solar adequada, uso de materiais com isolamento térmico e fachadas de alto desempenho — ganham protagonismo.
Estudos técnicos do setor indicam que estratégias de envolvente térmica podem reduzir significativamente a carga térmica interna das edificações, diminuindo a necessidade de climatização artificial e, consequentemente, o consumo de energia. Além da economia direta no dia a dia, essas soluções contribuem para a valorização dos imóveis ao longo do tempo e maior previsibilidade de custos condominiais.
Certificações ambientais ganham força entre investidores
Nesse contexto, certificações internacionais como o selo EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies), desenvolvido pela International Finance Corporation (IFC), têm se consolidado como um importante parâmetro de qualidade e eficiência.
O sistema avalia o desempenho dos edifícios com base em economia de energia, água e impacto dos materiais, exigindo ganhos mínimos de eficiência em relação a construções convencionais.
Empreendimentos certificados tendem a apresentar menor custo operacional ao longo do tempo, além de maior atratividade para investidores e compradores.
Caso em Curitiba reforça tendência do setor
Em Curitiba, o edifício Landhaus, desenvolvido pelo Grupo [plaenge.com.br]Plaenge no bairro Ecoville, ilustra esse movimento. O empreendimento conquistou a certificação EDGE ao incorporar soluções de eficiência energética desde a fase de projeto, alinhando desempenho técnico e conforto ambiental.
Segundo especialistas do setor, iniciativas como essa demonstram uma mudança estrutural na lógica de desenvolvimento imobiliário, em que o foco deixa de ser apenas o padrão construtivo visível e passa a incluir, de forma estratégica, o chamado “custo invisível” da operação.
Para o mercado, a tendência é clara: imóveis capazes de combinar conforto, eficiência e previsibilidade de despesas devem ganhar protagonismo nos próximos anos, especialmente em um cenário de energia mais cara e custos de construção pressionados.



