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Riedel destaca mobilidade social e diz que desafio é fazer crescimento chegar aos mais pobres


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15/08/2026 06h12

Riedel destaca mobilidade social e diz que desafio é fazer crescimento chegar aos mais pobres

Assessoria


 

Governador apontou expansão econômica, ensino profissionalizante e atração de investimentos como caminhos para ampliar renda e oportunidades

 

O avanço de Mato Grosso do Sul nos indicadores de mobilidade social foi apresentado pelo governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato aprovado em convenção partidária à reeleição, como um dos resultados mais significativos do atual ciclo econômico do Estado. Para ele, porém, o dado também revela o principal desafio dos próximos anos: transformar um crescimento acima da média nacional em renda, qualificação e oportunidades para a parcela mais vulnerável da população.

 

Riedel participou nesta sexta-feira (14), em Campo Grande, do programa Café com Política, uma conversa com jornalistas sobre economia, desenvolvimento social, educação, investimentos, sustentabilidade e saneamento. Defendeu que o desempenho econômico de Mato Grosso do Sul só pode ser considerado bem-sucedido se produzir efeitos concretos na vida das famílias.

 

“O número que mais me orgulha no Mato Grosso do Sul é ser o primeiro estado do Brasil em mobilidade social. Isto representa o quanto uma família de baixa renda pode migrar para um degrau acima social. Quando alguém olha para o pai e a mãe, vai perceber que está melhor que eles e que o seu filho vai estar ainda melhor, com renda média maior”, afirmou.

 

Na avaliação do governador, Mato Grosso do Sul tende a manter nos próximos anos um ritmo de crescimento superior à média brasileira. A questão central, sustentou, é impedir que essa expansão fique restrita aos indicadores macroeconômicos e aos grandes investimentos, convertendo-a em melhoria efetiva das condições de vida.

 

“O grande desafio é o que vamos fazer com este crescimento, como distribuir melhor a renda e aproveitar este cenário em prol das pessoas menos favorecidas. A principal resposta e caminho é a educação. Criar uma rede poderosa de formação de pessoas, empreendedores”, disse.

 

Educação como ponte para o mercado de trabalho

Riedel coloca a educação profissional entre as principais ferramentas para aproximar o crescimento econômico das novas gerações. Segundo ele, 51% dos estudantes do ensino médio da Rede Estadual de Ensino já frequentam algum tipo de curso profissionalizante.

 

São 92 opções de formação disponíveis. O governador comparou o índice sul-mato-grossense com a média nacional, que, de acordo com os dados apresentados por ele, é de 18%.

 

“Fizemos isto porque apenas 7% a 9% vão para universidades. E os outros 90% o que vão fazer? Ao massificar o ensino profissionalizante dentro da escola, atendemos o crescimento do Estado, que precisa de gente qualificada para atender as demandas”, explicou.

 

A estratégia busca responder a duas necessidades: empresas instaladas ou em implantação precisam de trabalhadores qualificados, enquanto a população precisa estar preparada para ocupar os empregos criados pelos novos investimentos. Para Riedel, essa conexão é essencial para que expansão econômica e transformação social avancem juntas.

 

Meta é reduzir a pobreza extrema

Os programas de transferência de renda e proteção social também foram defendidos pelo governador, mas dentro de uma lógica que tenha como horizonte criar condições para que as famílias superem a vulnerabilidade.

 

Riedel afirmou ter como “objetivo pessoal” eliminar a pobreza extrema em Mato Grosso do Sul.

Segundo os números apresentados na entrevista, a parcela de famílias nessa condição caiu de 2,4% para 1,6% nos últimos anos.

 

“Estado que cresce 5%, 6% ao ano não podemos ter esta condição. Esta é uma responsabilidade social”, afirmou.

 

Na visão do governador, a redução da pobreza depende da manutenção da proteção social combinada à ampliação das chamadas portas de saída, como emprego, qualificação profissional, aumento da renda e empreendedorismo.

R$ 100 bilhões em investimentos privados

 

A atração de capital privado apareceu como outro componente dessa estratégia. Riedel afirmou que Mato Grosso do Sul deve fechar o ano com cerca de R$ 100 bilhões em investimentos privados, resultado que atribuiu à construção de um ambiente econômico estável e favorável aos negócios.

 

Segundo ele, o efeito vai além das grandes empresas. Novas plantas industriais, empreendimentos e cadeias produtivas movimentam fornecedores, aumentam a demanda por trabalhadores, ampliam a circulação de renda e atingem as economias dos municípios.

 

A atuação do poder público, acrescentou, envolve investimentos em infraestrutura e a manutenção de um ambiente institucional capaz de oferecer segurança a quem pretende investir.

 

“Onde tem guerra não tem investimento e nem ambiente de negócio, o capital simplesmente foge e vai embora. Um dos papéis deste cargo, de governador, é promover a estabilidade institucional, em prol de um ambiente favorável. Continuaremos promovendo este diálogo de maneira transparente e saudável”, afirmou.

 

Riedel também citou os pequenos empreendedores. Para esse segmento, defendeu equilíbrio na política tributária e investimento na capacitação de quem pretende abrir ou desenvolver um negócio, ampliando a capacidade de gestão e produtividade.

Sustentabilidade como ativo econômico

 

Durante a entrevista, o governador reafirmou os pilares do modelo de gestão estadual, entre eles a construção de um Estado próspero, inclusivo, digital e sustentável.

 

Um dos projetos mencionados foi a meta de tornar Mato Grosso do Sul carbono neutro até 2030. Para Riedel, a agenda ambiental não pode ser dissociada da estratégia econômica.

 

“Tema complexo que precisamos entender. A essência do carbono neutro é ambiental. Estar em um Estado que contribui para redução de emissão de gases do efeito estufa é muito importante, mas o meio ambiente não pode ser dissociado da economia. MS tem a capacidade de transformar um potencial natural em ativo econômico, isto é muito bom para sociedade. Poderemos ir ao mercado internacional vender este ativo”, afirmou.

 

A proposta é transformar vantagens ambientais em valor econômico, associando redução de emissões, preservação e novas oportunidades de negócios. Nesse modelo, sustentabilidade também passa a integrar a política de desenvolvimento e atração de investimentos.

 

PPP impulsiona expansão do saneamento

As Parcerias Público-Privadas foram citadas como instrumento para acelerar investimentos estratégicos. Riedel usou como exemplo o saneamento básico e destacou a PPP adotada no setor sem a privatização da Sanesul.

 

Segundo os números apresentados pelo governador, Mato Grosso do Sul alcançou neste ano 78% de cobertura de saneamento e tem 34 municípios com 100% do serviço. Parte deles, lembrou, saiu de níveis muito baixos ou inexistentes de atendimento.

 

A expectativa é chegar a 90% de cobertura em 2027, patamar considerado de universalização.

“Saneamento básico é fruto deste modelo, não vendemos a Sanesul, fizemos uma PPP. Neste ano já chegamos a 78% de cobertura em todo Estado, já com 34 municípios com 100% de saneamento. Muitos tinham zero. Ano que vem, 2027, poderemos chegar a 90%, universalizando o serviço, sendo o primeiro estado do Brasil a chegar neste patamar”, disse.

 

Além do impacto ambiental, a expansão do saneamento tem reflexos sobre saúde pública, qualidade de vida e estrutura urbana, sobretudo em municípios historicamente marcados pela baixa cobertura.

 

Debatendo o Estado

Para Riedel, Mato Grosso do Sul já demonstrou capacidade de atrair investimentos, ampliar a atividade econômica e construir um ambiente favorável aos negócios. O próximo passo, sustentou, é garantir que esse movimento alcance quem ainda permanece distante das oportunidades criadas pelo desenvolvimento.

 

Educação profissional, geração de empregos, aumento da renda, redução da pobreza, empreendedorismo e proteção social aparecem, assim, como partes de uma mesma equação: transformar os números positivos da economia em condições para que cada geração possa viver melhor que a anterior.

 

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