18/08/2026 11h45
Sojicultor de Mato Grosso do Sul que mais lucra tem custo otimizado e não abre mão da tecnologia
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Nas fazendas mais rentáveis, levantamento do Aegro Insights mostrou que o produtor negociou melhor a compra de insumos e investiu mais em fungicidas Mato Grosso do Sul (MS) teve o menor custo por hectare entre os sete estados produtores de soja analisados por uma pesquisa desenvolvida pelo Aegro Insights. Além disso, a safra 2025/26 teve a melhor produtividade da série histórica no estado, colhendo uma média de de 62,8 sacas por hectare, a maior em sete anos “Mato Grosso do Sul foi o mais eficiente e produziu a soja mais barata do Centro-Sul do Brasil. O produtor rural do estado teve várias quebras de safra e, por falta de capital, é um produtor com perfil mais resiliente que otimizou os custos operacionais”, avalia o engenheiro agrônomo Mathias Bergamin, coordenador de inteligência de mercado na Aegro e responsável pela pesquisa. O custo operacional efetivo (COE) da soja em Mato Grosso do Sul totalizou R$ 4.772 por hectare na última safra, o menor valor entre os estados pesquisados: Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o pesquisador, a resiliência do produtor foi forjada pelas dificuldades e geolocalização do estado. “Em Mato Grosso do Sul, estado que está mais longe dos portos, todos os insumos chegam mais caros e o custo para escoar o grão também é maior. Então, o produtor sul-mato-grossense lida com a desvantagem logística”, diz Bergamin. Custo menor, preço menor também A desvantagem logística também pesa na hora de vender a oleaginosa. O preço médio recebido pela soja em MS na safra 2025/26 foi de R$ 113,32 por saca, o segundo mais baixo entre os sete estados, à frente apenas do Mato Grosso, que recebeu, em média, R$ 103,87 por saca. Na comparação com o Rio Grande do Sul, que foi o estado mais remunerador e pagou uma média de R$ 123,81 na saca de soja para os produtores gaúchos, a diferença chega a R$ 10,49 por saca. A dificuldade para o produtor sul-mato-grossense também se repete na compra de insumos: uma tonelada de cloreto de potássio custou 25,7 sacas de soja em MS entre janeiro e 11 de agosto deste ano, contra 20,1 sacas no Rio Grande do Sul, uma diferença de 28%. Qual é o segredo do produtor que mais lucra no MS? Apesar dos desafios, o levantamento do Aegro Insights revelou que o resultado da lavoura depende mais da forma como o dinheiro é aplicado. De acordo com a pesquisa, o grupo de fazendas com a maior lucratividade na soja em Mato Grosso do Sul gastou 9,6% acima da média em fungicida, o único item do levantamento em que isso ocorre, e ainda assim fechou o custo operacional abaixo da média geral, graças à economia em fertilizante, diesel e juros. Para as fazendas no topo do ranking de rentabilidade, em média, o lucro por hectare foi de R$ 4.258/ha, sendo mais que o dobro do resultado médio das lavouras que tiveram o menor custo no estado, com lucro médio de R$ 2.158/ha e custo de R$ 4.065/ha. Na média das fazendas com o pior desempenho no estado, o resultado foi de R$ 480/ha. “No Mato Grosso do Sul, em relação à mediana de resultados de todas as fazendas pesquisadas no estado, o produtor que mais lucrou não cortou insumos. Ou seja, o produtor não economizou no manejo da ferrugem asiática, por exemplo. Mas, buscar cotações e comparar bem os insumos não é sorte, é competência. O produtor rural que compra bem tem consistência em todas as suas compras para ter mais eficiência”, analisa Bergamin. A boa gestão de compra de insumos faz muita diferença nos resultados da fazenda. A diferença entre quem paga mais caro no insumo e o produtor que busca cotações e compra melhor chegou a R$ 26,7 mil a cada R$ 100 mil gastos em fungicida, uma diferença de R$ 22 mil nos gastos com inseticidas e diferença de R$ 18,4 mil em herbicidas. Simulando uma lavoura de mil hectares, a discrepância durante a negociação de compras chega a valer até 2,4 sacas por hectare. Peculiaridades do estado O estudo do Aegro Insights também identificou diferenças relevantes de acordo com as regiões do estado. “Existem diferentes realidades dentro do Mato Grosso do Sul, com grande variação de tipos de solos e de regimes de chuvas entre o norte e o sul do estado. Essas realidades diferentes se mostram nos números. Existe uma discrepância significativa nos dados de custo de produção e de produtividade principalmente porque no sul houve falta de chuvas e essa também é uma região que teve muitos casos de recuperação judicial”, conta Bergamin. No norte do MS, a produtividade média foi de 69,2 sacas por hectare, com custo operacional de R$ 5.415 por hectare. No sul do estado, a produtividade média foi de 52,2 sacas, com custo de R$ 4.086 por hectare. Apesar da distância entre os números, o custo de cada saca produzida ficou próximo, com R$ 81,37 no norte de MS e R$ 84,42 no sul do estado. Isso ocorreu porque o norte também exige um ponto de equilíbrio maior: foi de 44,3 sacas por hectare no norte do estado, contra 34,7 no sul. Atenção ao clima em MS na safra 2026/27 Para o planejamento da próxima safra de soja, Bergamin ressalta um fator que foge do controle do produtor. “Agora, um ponto de atenção é que estamos num ano com o fenômeno El Niño. O risco de ter irregularidades de chuvas e quebra de safra no Mato Grosso do Sul é mais alto. O norte do estado é a área que tem maior probabilidade de sofrer com estiagem em um momento-chave da cultura”, analisa o especialista. Na avaliação dele, o desafio não é reduzir ainda mais o custo, hoje o menor do Centro-Sul, mas preservar o que já foi conquistado sem abrir mão de investimentos que reduzam a vulnerabilidade ao tempo adverso. “O clima é o que pode impedir o produtor de evoluir mais na safra 2026/27. É preciso avaliar a fertilidade do solo, calcular investimentos com cautela e manter o custo operacional porque o risco é mais elevado em ano de El Niño. Mas, a lavoura precisa de água e, se o produtor tiver capital próprio disponível para investir, pode ser uma boa alternativa adquirir sistemas de irrigação”, opina Bergamin. Os dados da pesquisa foram baseados em milhares de notas fiscais emitidas em Mato Grosso do Sul, que foram anonimizadas para a análise do Aegro Insights. * * * Sobre a Aegro A Aegro oferece o sistema de gestão para produtores rurais mais utilizado do Brasil. Líder do segmento, a Aegro simplifica a gestão de fazendas, unindo a operação do campo ao controle financeiro do escritório. Além disso, a empresa opera um braço de inteligência de mercado que desenvolve pesquisas baseadas em dados anonimizados de milhares de hectares em todo o Brasil, em sua maioria destinados ao cultivo de grãos. Essa área de negócios é formada pelo Aegro Insights, que gera relatórios e painéis para os produtores rurais, incluindo o Compare Preços, ferramenta disponível gratuitamente. A empresa segue investindo em tecnologia e inovação. Por meio de suas soluções, a Aegro ajuda produtores brasileiros a tomarem decisões baseadas em números reais para garantir a sustentabilidade de seus negócios. * * *
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