20/08/2026 13h29
Na Amazônia, Agropalma hospeda monitoramento científico 24h para proteger recursos hídricos
Iniciativa pioneira liderada por redes de pesquisa utilizará sensores contínuos por três anos para avaliar os impactos de eventos climáticos extremos, como o El Niño, na qualidade da água de riachos no Pará

São Paulo, agosto de 2026 – As áreas de reserva florestal e de manejo da Agropalma, empresa brasileira, parte do grupo Daabon, reconhecida mundialmente como referência na produção sustentável de soluções com óleo de palma, passam a abrigar um projeto de monitoramento ambiental contínuo de riachos do Pará. O objetivo é gerar uma série inédita de dados científicos sobre como os ecossistemas aquáticos da região respondem às mudanças do clima e a eventos extremos, como secas severas e aqueles associados ao El Niño.
Coordenada por Leandro Juen, professor e doutor em Ecologia na Universidade Federal do Pará (UFPA), a iniciativa foi desenvolvida pela PPBio e pelo PELD Amazônia Oriental, da Rede AmOr, e conta com o apoio do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPA (LABECO), LABENE, UNIFAP, da rede internacional Centro Avançado de Pesquisa-Ação da Conservação e Recuperação Ecossistêmica da Amazônia (CAPACREAM) e UKRI - agência de pesquisa do Reino Unido. A Agropalma abriga o primeiro sítio de monitoramento contínuo implementado dentro dessa estratégia de expansão da rede para diferentes regiões da Amazônia.
A escolha da companhia é resultado dos mais de dez anos de colaboração com o LABECO em estudos sobre fauna e flora aquáticas e ecossistemas amazônicos. Nesse intervalo, a parceria resultou em mais de 40 artigos científicos publicados e na formação de mais de 30 mestres e doutores na área. O suporte logístico e institucional oferecido pela organização às equipes de campo também influenciou a decisão.
O mapeamento abrange oito igarapés localizados nos municípios paraenses de Acará, Moju e Tailândia. A seleção dos pontos seguiu critérios técnicos: os riachos precisavam ser perenes - condição que viabiliza a medição ininterrupta - e foram organizados em um desenho pareado que compara locais com maior cobertura florestal a áreas com diferentes usos da terra, permitindo avaliar como essas diferentes condições ambientais podem influenciar as respostas dos riachos às variações climáticas. O acompanhamento faz parte de uma estratégia mais ampla de monitoramento de longa duração em diferentes regiões da Amazônia. A utilização de protocolos padronizados permitirá comparar riachos submetidos a distintas condições ambientais e de uso da terra e construir séries temporais capazes de revelar mudanças que dificilmente seriam detectadas apenas por levantamentos pontuais.
Um laboratório a céu aberto
Em cada ponto, sensores submersos registram continuamente a temperatura e a condutividade elétrica da água, possibilitando acompanhar variações nas condições físico-químicas dos riachos 24 horas por dia. Com esses medidores, a proposta é identificar oscilações que normalmente passariam despercebidas em coletas pontuais, produzindo uma base de parâmetros consolidados para apoiar direcionamentos ligados à proteção da fauna e flora, governança das águas e planejamento ambiental.
“O monitoramento contínuo permite enxergar a dinâmica dos igarapés em uma resolução temporal que as coletas convencionais dificilmente alcançam. Poderemos identificar variações diárias e sazonais, eventos extremos e tendências de longo prazo. Quando esses dados forem integrados aos demais sítios da rede, teremos uma oportunidade de compreender, em uma escala espacial mais ampla, como riachos de diferentes regiões da Amazônia respondem às mudanças climáticas e às transformações no uso da terra”, afirma Juen, líder do projeto.
A ação ganha especial importância diante da crescente ocorrência e intensidade de eventos climáticos extremos na Amazônia, incluindo secas severas, ondas de calor e eventos associados ao El Niño, que podem alterar o regime de chuvas e as condições dos ecossistemas aquáticos. Entre os efeitos associados aos períodos de seca estão a redução da vazão dos riachos e alterações na temperatura e na condutividade elétrica da água, estas últimas acompanhadas continuamente pelos sensores. Essas mudanças podem afetar diretamente a fauna, a flora aquática e os serviços ecossistêmicos associados à disponibilidade de água limpa.
Dados para antecipar os impactos do clima
“Diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos na Amazônia, a ciência é nossa maior aliada”, defende Tulio Dias Brito, diretor de Sustentabilidade da Agropalma. “Fazer parte dessa iniciativa pioneira nos dá ferramentas concretas para entender como os riachos locais (igarapés) reagem a essas variações e nos ajudam a proteger a biodiversidade da região. Para a Agropalma, é fundamental que o desenvolvimento econômico ande lado a lado com a resiliência ambiental e a conservação a longo prazo.”
Segundo os acadêmicos, esse tipo de acompanhamento ainda é pouco frequente na Amazônia, especialmente em ecossistemas fluviais, o que torna o projeto relevante para a produção de conhecimento científico e o desenvolvimento de estratégias de adaptação às transformações do clima. “Embora existam importantes iniciativas de monitoramento ambiental na Amazônia, séries contínuas e padronizadas de alta resolução ainda são relativamente escassas para riachos, sobretudo quando distribuídas em diferentes regiões da bacia. A integração desses dados é fundamental para compreendermos como os ecossistemas aquáticos respondem às mudanças ambientais em diferentes escalas de tempo e espaço”, ressalta Juen.
A cada seis meses, equipes de campo promovem a manutenção dos sensores e o download dos registros, que passam por curadoria e controle de qualidade antes de compor as séries históricas do programa. Os elementos obtidos vão subsidiar relatórios técnicos, publicações especializadas e policy briefs sobre a dinâmica dos riachos acompanhados, com entrega estimada para o fim do prazo de três anos – período de duração e financiamento do projeto. Ao mesmo tempo, a continuidade do monitoramento permitirá construir uma base de dados comparável entre diferentes sítios amazônicos, ampliando progressivamente a capacidade de análise da rede.
Ciência que se transforma em ação
Para a Agropalma, os resultados poderão subsidiar estratégias para a gestão dos recursos hídricos e a conservação nas áreas de floresta e manejo da empresa. Em um cenário de progressiva exigência por rastreabilidade e responsabilidade socioambiental, esse tipo de informação científica pode contribuir para ampliar a transparência das ações de sustentabilidade e qualificar o diálogo com órgãos reguladores, investidores e mercados nacionais e internacionais.
“A sustentabilidade na Agropalma vai além da conformidade; ela é baseada em ciência e inovação. O monitoramento contínuo nos garante uma gestão de recursos hídricos muito mais inteligente e transparente. Esse rigor científico confere segurança para enfrentarmos os desafios climáticos e reitera nosso compromisso na produção sustentável de óleo de palma na Amazônia”, acrescenta Brito.
Como próximas etapas, está programada a expansão da rede para novos pontos de amostragem. Atualmente, segue em andamento a implementação dos sensores na região do Rio Xingu, em Altamira, e, nos próximos meses, devem ocorrer novas instalações na região do Rio Tapajós, em Santarém, e nos estados do Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão e Tocantins estendendo a cobertura espacial da rede de monitoramento para regiões estratégicas da Amazônia.
A expectativa é que a integração desses sítios consolide uma rede de observação ambiental capaz de acompanhar, de maneira padronizada e em ampla escala espacial, como os ecossistemas aquáticos amazônicos respondem às mudanças climáticas, aos eventos extremos e às diferentes formas de uso da terra, produzindo conhecimento científico que possa apoiar ações de conservação e gestão ambiental.
Sobre a Agropalma
A Agropalma é uma empresa brasileira, parte do grupo Daabon, reconhecida em todo o mundo como referência na produção sustentável de soluções com óleo de palma. Sua trajetória começou em 1982, no município de Tailândia (PA), e sua atuação perfaz toda a cadeia produtiva - da fabricação de mudas ao óleo refinado e gorduras especiais às soluções de alto valor agregado. Atualmente, a companhia conta com seis indústrias de extração de óleo bruto, uma refinaria em Belém e um terminal de exportação alfandegado, e emprega cerca de 5 mil colaboradores. A Agropalma também foi pioneira em implementar, há mais de 20 anos, um programa de Agricultura Familiar com palma, que beneficia hoje mais de 300 agricultores parceiros. Guiada pelo compromisso com o planeta e as pessoas, a empresa segue avançando em suas práticas para tornar a palma sustentável uma referência brasileira. Para mais informações, acesse: www.agropalma.com.br.
Sobre o Grupo Daabon
O Grupo Daabon é uma empresa familiar com atuação global na produção de ingredientes orgânicos e sustentáveis, com origem em 1914 e sede em Santa Marta, na Colômbia. Reconhecida por sua atuação integrada do campo ao mercado, a companhia desenvolve operações nos segmentos de agricultura, indústria, logística e bens imobiliários, com um portfólio que inclui óleos, banana, café, bioenergia, serviços portuários e transporte. Com mais de 5 mil colaboradores e presença em quatro continentes, o Grupo Daabon tem a sustentabilidade, a rastreabilidade e a inovação como pilares de sua estratégia, apoiando cadeias produtivas responsáveis e modelos de negócio voltados à geração de valor ambiental, social e econômico.
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